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domingo, 7 de julho de 2019

Seleções de futebol feminino melhores que as suas masculinas

Hoje foi disputado a final da Copa do Mundo de 2019 de futebol feminino entre a seleção dos EUA contra a Seleção da Holanda, tendo a final sido vencida pela seleção estadunidense por 2 a 0. Os EUA conquistaram o 4° título e o 2° seguido na sua história, enquanto a Holanda em sua segunda participação chegou à uma final. A Copa do Mundo desse ano é marcada pelas grandes audiências que as mulheres tiveram em seus jogos após muitos anos de desprezo e preconceito contra a modalidade. A luta é contínua, mas permanece sobretudo no Brasil. Mesmo tendo alguma das maiores jogadoras da história, como Marta. Cristiane e Formiga (que chegou na sua 7° Copa) a seleção pouco conseguiu fazer frente a outras seleções e mudou de patamar. Isso mostra o quanto o futebol feminino tem que evoluir no país, pois se revelamos grandes jogadoras em péssimas condições para as meninas na base, imagina se tivesse? Poderia repetir os homens com 5 títulos, quem sabe? Bom, não vamos ficar no e...se.
Bem, fazendo essas comparações com a seleção masculina, a seleção feminina ainda passa muito longe do masculino (no caso do Brasil, por exemplo) na questão de títulos e de tradição. Há seleções que se mantém fortes e com títulos seja no masculino ou no feminino, como a Alemanha (a única que ganhou títulos no masculino e no feminino). Mas há seleções em que o time feminino é mais forte e tradicional que o masculino. E esta matéria irá indicar algumas seleções tradicionais no feminino, porém no masculino não chegam a ser tão boas ou tradicionais assim. Iremos comparar a posição do ranking da FIFA de seleções (a última atualização foi em 29 de março para as mulheres e 14 de junho para os homens) além dos títulos mais importantes de cada um. Tem ideia de quem são? O Blog mostra para você

Austrália


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 6° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 43° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 3 Copas da Oceania (1994, 1998 e 2003) e 1 Copa da Ásia (2010)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 4 Copas da Oceania (1980, 1996, 2000 e 2004) e 1 Copa da Ásia (2015)

Em um país em que o futebol australiano, o cricket e o rúgbi são os esportes mais populares, o futebol ainda tem um papel secundário. Mas cresce ano após ano, entre homens e mulheres. Mas apesar disso, a seleção feminina da Austrália mostra resultados bem mais consistentes do que a masculina. A seleção feminina (conhecida como Matildas) é uma das seleções mais fortes do futebol feminino e constantemente está entre as favoritas ao título (não para ganhar, mas que pode ir longe). Apesar de nos títulos importantes estar a par do time masculino, as Matildas foram mais longe nas Copas do Mundo do que os Socceroos. Participaram de 7 das 8 edições e chegaram 3 vezes nas quartas de final. Já o time masculino participou de apenas 5 Copas do Mundo (de 20) e apenas uma vez passou de fase. E nos grandes nomes individuais, as Matildas tem no elenco uma das melhores jogadoras do mundo na atualidade: a meio-campista Samantha Kerr e outra grande jogadora já veterana, a meia-atacante Lisa DeVanna.. Já o time masculino não chega a ter tantos destaques, sendo o grande destaque de todos os tempos do país o atacante Tim Cahill e Mark Viduka, mas nenhum outro garnde jogador de destaque na atualidade.

Nova Zelândia


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 19° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 119° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 6 Copas da Oceania (1983, 1991, 2007, 2010, 2014, 2018)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 5 Copas da Oceania (1973, 1998, 2002, 2008 e 2016)

Ambos as equipes são fortes no continente, porém não conseguem grandes resultados nas competições mundiais. Nenhuma das duas seleções conseguiu ir além da primeira fase na Copa do Mundo e ao menos ganhar um jogo de Mundial. No país em que o Rúgbi é o esporte nacional e o time dos All Blacks o melhor time do mundo na modalidade. O futebol e os seus All White não foram muito longe, mas as mulheres da Nova Zelândia foram mais longe que os homens. Das edições de Copa do Mundo, a seleção feminina participou de 5 edições. Já os homens só conseguiram chegar em apenas 2 Copas. Claro que na edição feminina a Oceania sempre teve uma vaga fixa, enquanto na edição masculina o continente nunca teve uma vaga fixa e sempre teve que disputar alguma repescagem contra uma seleção mais forte da América do Sul normalmente. E nas Olimpíadas, as neozelandesas chegaram ao mata-mata ao menos uma vez (em 2012). Já a masculina jamais participou dos jogos Olímpicos. E algumas jogadoras do país são bem conhecidas, como a zagueira Ria Percival e as atcantes Amber Hearn e Sarah Gregorius. Já o masculino pouco tem de jogadores conhecidos, sendo na atualidade apenas o atacante Chris Wood conhecido por jogar na 2° divisão inglesa.

China



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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 16° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 73° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 8 Copas da Ásia (1986, 1989, 1991, 1993, 1995, 1997, 1999, 2006)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 2 Copas do Leste da Ásia (2005, 2010)

A China nunca foi um país conhecido por ser um país com grande entusiamos para o futebol, embora seja uma potência olímpica no geral. Mas a seleção feminina da China quebra bem essa fama de que os chineses não tem vez no futebol. O país mais populoso do mundo revelou algumas grandes jogadoras, sobretudo na década de 90, quando chegaram ao quarto lugar em 1995 e vice-campeã em 1999. De lá para cá, elas não chegaram tão longe assim mas sempre passaram de fase, tendo participado de 7 das 8 Copas do Mundo (não participaram em 2011). Sem contar ainda que as chinesas foram medalha de prata nas Olimpíadas em 1996 e ganharam 8 Copas da Ásia, sendo a seleção que mais ganhou o torneio (embora já não o ganhe há 13 anos com o crescimento das rivais). Já os homens sempre vivem a expectativa de irem mais longe, seja no continente ou no mundo e apostam em contratações caríssimas para a Liga Nacional, incluindo aí alguns dos melhores jogadores do mundo. Mas as próprias pratas da casa nunca foram muito longe nem mesmo na Ásia. A seleção só chegou uma vez a final da Copa da Ásia (em 2004, em casa) e ainda sim perdeu para o Japão. Depois disso, nunca chegou nem perto da final, apesar dos investimentos feitos nos últimos anos. Em Copas do Mundo, a seleção chinesa só chegou uma vez (em 2002), mas perdeu os 3 jogos (estava no grupo do Brasil) e nunca ganhou nada de relevante, apenas 2 Copas do Leste da Ásia (um título menor dentro do continente). Se jogadores chineses nem são conhecidos, as jogadoras chinesas são mais. Temos como grandes exemplos a atacante Wang Chuang e jogadoras históricas como Sun Wen (artilheira da edição de 99 junto da brasileira Sissi e mais de 100 gols com a seleção) e Jin Yan e Liu Ailing. 

Coreia do Norte


Posição do time feminino no ranking da FIFA: 11° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 122° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 3 Copas da Ásia (2001, 2006 e 2008)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 1 Jogos Asiático (1978) e 2 Copas Challenge (2010,2012)

Semelhante ao vizinho chinês, a Coreia do Norte apresenta uma tradição muito maior no futebol feminino do que no masculino. Embora os homens do país no futebol tiveram um grande feito na Copa do Mundo de 1996, quando eliminaram a seleção italiana e por muito pouco não eliminou a seleção portuguesa nas quartas (estava ganhando de 3 a 0), pouco fizeram a nível local e mundial depois e só voltou a disputar um mundial em 2010, mas a seleção perdeu os 3 jogos. Já as mulheres, apesar de não disputarem a Copa desde 2011 (participaria em 2015, mas foi excluída por doping), já disputaram 4 edições e chegaram às quartas em 2007. Mas a nível local, já ganharam 3 Copas da Ásia e sempre estão entre as melhores. Se a seleção masculina sofreu muitas goleadas, a seleção feminina é conhecida por ser um time que leva sempre poucos gols (dificultando a vida dos grandes times). 

Canadá


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 5° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 78° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 2 Copas Ouro (1998, 2010)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 2 Copas Ouro (1985, 2000) e 1 Medalha de Ouro (1904)

O Canadá é considerada uma grande potência no hóquei de gelo, sendo este o esporte nacional do país. Entretanto o futebol cresce ano a ano no país, mas no Canadá o esporte é majoritariamente feminino. O país tem uma peculiaridade de ter mais jogadoras do que jogadores de futebol. Isso faz com que o país seja uma das seleções mais fortes no futebol feminino do que no masculino.Mas apesar disso, não existe Liga Profissional no Canadá e todas as jogadoras jogam fora do país (sobretudo nos EUA). No feminino, o time participou de quase todas as edições (menos da primeira, em 1991) e chegou ao quarto lugar em 2003. Nos jogos olímpicos, o time ganhou dois bronzes (2012 e 2016). Já os homens não tem tantos louros assim, sendo que participou de apenas uma Copa do Mundo (em 1986) ficando em último lugar e ganhando duas Copas Ouro, mas sempre muito atrás dos EUA e México e de outros na América Central (Honduras, Costa Rica e redondezas) e uma medalha olímpica de ouro no distante ano de 1904. Já no feminino, o Canadá fica atrás apenas dos EUA. Se no masculino não há nenhum canadense conhecido no futebol, o futebol feminino tem em Christine Sinclair a grande estrela do país e no mundo, tendo sido indicada ao prêmio de melhor do mundo 7 vezes e tendo marcado 182 gols com a seleção canadense. 

Japão


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 7° lugar

Posição do time masculino no ranking da FIFA: 28° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 1 Copa do Mundo (2011), 2 Copas da Ásia (2014, 2018)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 4 Copas da Ásia (1992, 2000, 2004 e 2011)

A seleção japonesa de futebol feminino alem de ter ido mais longe que a seleção masculina nas grandes competições, foi mais longe ainda do que Tsubasa conseguiu no anime. As mulheres japonesas sempre foram figurantes nos mundiais. Participaram de todas as edições, porém só tinham passado de fase em 1995. Mas em 2011, o futebol japonês mudou de patamar quando a seleção feminina desbancou as favoritas e foi campeã do mundo de futebol, sendo a primeira seleção fora da Europa ou das Américas a ganhar uma competição principal da FIFA. Um grande feito que acompanhou de outros resultados, como o vice-campeonato de 2015 e a medalha de prata olímpica em 2012. Fora os títulos de Copa da Ásia na sequência. Já entre os homens, a melhor participação nas Copas foram 3 vezes nas oitavas-de-final em 2002, 2010 e 2018. E o Japão só passou a participar da Copa em 1998, pois antes disso o futebol japonês era nulo. O país apaixonado por beisebol cresceu no futebol, mas as mulheres mudaram muito de patamar e estão entre as melhores equipes do mundo, diferente da masculina que ainda é uma seleção mediana (mas forte a nível local). Se o time masculino já teve alguns jogadores com certo destaque, mas longe de serem melhores do mundo como Kazu, Keisuke Honda, Shunsuke Nakamura e HIdetoshi Nakata, a seleção feminina simplesmente teve Homare Sawa, grande craque da Copa de 2011 e melhor do mundo no mesmo ano, tendo ela sozinha marcado pela seleção 83 gols em 205 partidas. Uma que vale por todos esses!

Suécia


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 9° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 17° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 1 Eurocopa (1984)
Títulos conquistados pela seleção masculina: 1 medalha de ouro (1948)

Os países nórdicos se destacam pela excelência na igualdade entre homens e mulheres em todas as áreas. E com a Suécia não é diferente, mas vale destacar que as mulheres do país com as bolas nos pés são mais temidas e respeitadas quanto os homens. Claro que a seleção sueca masculina é para se respeitar, já que participaram de 12 das 20 Copas disputadas e foram vice-campeões em 1958 ao sediarem o evento e sucumbirem ao Brasil de Pelé e Garrincha. Mas conquistaram dois terceiros lugares (1950 e 1994) e chegaram às semifinais da Eurocopa em 1992, além de terem revelado grandes jogadores como Henrik Larsson, Zlatan Ibrahimovic, o goleiro Thomas Ravelli, Tomas Brolin e Gunnar Nordahl. Já as suecas tem como mérito terem participado de todas as edições da Copa do Mundo feminina e terem chegado a final da edição de 2003 (perdida para a Alemanha) e chegarem ao terceiro lugar por 3 vezes (1991, 2011 e 2019) além de uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos (2016). As suecas revelaram grandes nomes do futebol feminino, começando pela ex-jogadora e técnica Pia Sudhadge e outros grandes nomes como a meia Caroline Seger, as atacantes Lota Schelin e Hanna Ljungberg e a goleira Hedvig Lindahl, fora outros grandes nomes. Apesar de os feitos serem notáveis dos dois lados, a Suécia sempre foi mais consistente no futebol feminino do que no masculino, que oscila entre as gerações com eles e com elas sempre se mantém entre as seleções mais fortes do mundo, enquanto no masculino isso varia. 

Noruega


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 12° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 47° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 1 Copa do Mundo (1995), 1 medalha de ouro (2000), 1 Eurocopa (1987, 1993)
Títulos conquistados pela seleção masculina: Nenhum

Uma das seleções mais tradicionais do futebol feminino é a seleção norueguesa. Mesmo não tendo a mesma força de antes, o time feminino ainda é bastante respeitado e ainda revela grandes nomes para o futebol feminino. A equipe nórdica ganhou a Copa do Mundo em 1995 e ainda foi vice da primeira edição em 1991. Após isso, só chegou às semi-finais duas vezes (1999 e 2007), mas participou de todas as edições do torneio. Já os homens alcançaram apenas uma vez a Copa do Mundo (em 1998) e foi para as oitavas graças a vitória em cima do Brasil (a fama do time masculino é de nunca ter perdido para o Brasil). E se o time feminino tem duas Eurocopas, o masculino só participou uma vez do torneio. A melhor participação dos homens em algum torneio foi a medalha de bronze na Olimpíada de 1936. Claramente há uma grande disparidade nos resultados de homens e mulheres no país, no qual isso incomodou a maior jogadora norueguesa (e uma das maiores do mundo) da atualidade Ada Hegerberg, que devido ao fato do que é pago aos homens é superior as mulheres e a estrutura do futebol feminino ainda é inferior ao dos homens em comparação com os resultados a fizeram abandonar a seleção do país até que a disparidade seja resolvida. Mesmo em um país com um time e liga forte como a Noruega, as diferenças entre homens e mulheres ainda são claras.

Estados Unidos


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Posição do time feminino no ranking da FIFA: 1° lugar
Posição do time masculino no ranking da FIFA: 30° lugar
Títulos conquistados pela seleção feminino: 4 Copas do Mundo (1991, 1999, 2015 e 2019), 4 medalhas de ouro (1996, 2004, 2008 e 2012), 9 Copas Ouros 
Títulos conquistados pela seleção masculina: 6 Copas Ouros

A grande seleção do futebol feminino é a seleção estadunidense, sendo a seleção mais vitoriosa do futebol feminino. E a diferença para os homens é muito grande em questão de resultados, mesmo com a expectativa de um dia os EUA serem uma potência no masculino. Mas ainda está bem longe de chegar ao patamar feminino, mesmo com o aumento das atenções aos homens no futebol local. O futebol (soccer por lá) sempre foi considerado um esporte feminino ou de minorias (especialmente os latinos). Enquanto os homens preferem esportes já tradicionais no mercado local como o basquete, beisebol ou futebol-americano, as mulheres tem no "Soccer" e o vôlei para praticar. E com isso, as mulheres do país tem 4 medalhas de ouro e 4 Copas do Mundo (conquistando mais uma hoje na França), fora outros resultados, como sempre chegar entre nas semifinais de todas as Copas. Feito que está distante do time masculino que só chegou nas semifinais na primeira edição do torneio em 1930. Participou em 1934 e 1950 (quando protagonizou a maior zebra da história contra a Inglaterra) e após isso ficou mais de 40 anos sem participar do torneio. E nas últimas participações conseguiu no máximo chegas nas quartas em 2002. E decepcionou muito ao não se classificar para a Copa de 2018, quando perdeu a vaga para o Panamá e perdendo o jogo para Trinidad e Tobago. Algo que não aconteceria com a seleção feminina, que domina o continente e o mundo. Já a seleção masculina sempre perde a hegemonia na Concacaf para o México. Sendo muito o oposto da seleção masculina, as mulheres do país nessa Copa reivindicam valores mais altos e o mesmo dos homens, que mesmo não tendo resultados expressivos como as mulheres ganham mais. Se o time masculino teve como grandes nomes nos últimos anos como o goleiro Tim Howard, o meia Lando Donovan e o atacante Clint Dempsey, que apesar de bons jogadores, não estiveram entre os melhores do mundo. Já no futebol feminino, grandes jogadores do país já ganharam o prêmio como Mia Hamm (considerada uma das melhores jogadoras de todos os tempos e ganhou duas vezes em 2001 e 2002), Abby Wambach (2012) e Carli Lloyd (2015 e 2016), sendo que Lloyd foi a única jogadora a fazer 3 gols numa final de Copa do Mundo Feminina (em 2015) e Wambach é a jogadora (entre homens e mulheres) que fez mais gols pela seleção (fez 184 gols). Números espetaculares para esta seleção que está muito acima do patamar do seu equivalente.


Pois é gente, vamos ver como serão as Olimpíadas do ano que vem e claro, a próxima Copa do Mundo feminina. Pode ser que ela seja no Brasil. Será mesmo? Veremos.

Até mais!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Samurai X nos dá aula de história

Voltei as aulas e as férias acabaram. E fiquei demorando semanas para escrever uma matéria. Até tinha a ideia, só não estava com tempo para escrevê-la. Mas agora consegui um tempinho para escrever, mas vocês á devem reparar que eu escrevo as matérias por partes. E essa não será diferente.
Samurai X ou Rurouni Kenshin, sendo o último o título original, é uma mangá que virou anime escrito por Nobuhiro Watsuki e que fez muito sucesso no Japão e no mundo. Tanto o Anime quanto o Mangá, apesar das inúmeras diferenças, estão entre os melhores já feitos. A história se passa no Japão do século XIX, em um momento de transição da história do Japão, que passava por uma mudança radical de regime, passando de um feudalismo do Xogunato Tokugawa (conhecido também como período Edo) para o poder centralizado na figura do imperador Meiji. A série mostra um Japão bem diferente do que nós conhecemos, que era um país atrasado, agrícola e até violento. Mas também mostra os avanços da tecnologia, questões filosóficas, colonização, globalização e é claro, épicas lutas de espadas. A protagonista, o ruivo samurai Kenshin Himura é um ex-retalhador conhecido como "Battousai". Vagando pelo Japão após 10 anos ter parado de matar pessoas e participado da restauração Meiji, vivia ajudando quem precisasse com sua espada com lâmina ao contrário, a Sobakatsu. Até parar em um dojo na cidade de Edo (atual Tóquio), aonde conhece a doce e bipolar Kaoru Kamiya, que viria a se tornar sua esposa (a segunda, na verdade). Ao longo da série, ele enfrenta antigos inimigos, pessoas que querem assumir o controle do país e outros criminosos comuns. Mas conhece outros que se juntam a turma, como o ex-trombadinha Yahiko, o ex-lutador de aluguel e ex-membro da tropa Sekiho (Sekihoutai) Sanosuke Sagara, a ex-fabricante de drogas e agora médica Megumi Takani e por fim, a ninja Misao Makimachi.
Embora seja uma história fictícia, Samurai X apresenta diversos problemas atuais e muito sobre a história do Japão e até mesmo mundial. A história pode ser considerada uma grande aula de história, filosofia, sociologia e geografia. A história oriental (seja indiana, japonesa ou chinesa) é muito ignorada nas escolas e pouca gente sabe efetivamente a grandeza dessas civilizações e seus feitos. Até se ensina na parte sobre Revolução Industrial sobre o Japão de Meiji. Mas nunca explica como foi ao poder e como iniciou este processo, mas já trás o porém do país ter abandonado o isolamento dos países ocidentais. Mas a história de Kenshin mostra gente que não queria este governo e pensava de jeitos muito diferentes. Fora outras questões que serão apresentadas agora:

Revolução Industrial

Imagem do episódio 22, com passageiros assentados no trem.

O mundo no século XIX começava a apresentar mudanças ainda mais profundas do que os séculos anteriores. A Revolução industrial mudara o mundo de tal forma que influenciou não só na tecnologia, mas na política, economia e na sociedade como um todo. Mas naquela época, o mundo já caminhava para a segunda revolução industrial. Antes, apenas concentrada na Inglaterra e na França, ela se espalhou para outras nações europeias, como a recém surgida Alemanha, Império Russo e a Bélgica e fora da Europa, especialmente nos EUA e no Japão. Na época de Kenshin Himura, grandes novidades tecnológicas já estavam presentes no Japão e muto graças a acordos com as potências do época, como Inglaterra e Alemanha. No episódio 22 (episódio não presente no mangá), Kenshin e sua turma fazem uma viagem pelo primeiro trem japonês, que ia de Tóquio para Yokohama. O trem era um dos grandes avanços tecnológicos da Revolução Industrial, com o seu motor abastecido com carvão (principal combustível para a época). Apesar disso, as personagens desconheciam tais avanços, especialmente Sanosuke que achava tudo muito estranho. No mesmo episódio, também é mostrado a máquina fotográfica, que assustou Kenshin e Sano. Mas na tentativa de saque ao trem, eles foram heróis. Como sempre.
Já na Saga de Shishio, foi mostrado outro avanço da Revolução Industrial e usado pelo vilão: o navio feito de aço. No episódio, Shishio afirma ter gastado muito no navio, mas que ele seria útil. Na cidade de Osaka, o navio sairia para Tóquio e atacaria a cidade com seus poderosos canhões. Tudo isso mostrado no episódio 46. Além do navio, Makoto Shishio em sua batalha final contra Kenshin, luta em local onde se queimava gasolina. E o próprio Shishio utilizava gasolina e pólvora em usa espada, mais a gordura humana armazenada em sua espada e junto de atrito, inflamando sua espada e criando técnicas com chamas.
Shishio em seu navio de aço.
No anime, ainda veríamos na Saga de Kaishu Katsu (entre os episódio 79 e 82, outra saga filler), o discípulo de Katsu chamado Daigoro é um garoto que gosta de ler bastante. E um dos livros que ele é visto lendo na série é "Da Terra à Lua", escrito pelo famoso escritor francês Júlio Verne. O livro lido por ele antecipou em quase cem anos a viagem do homem a lua. Mas é também um livro que demonstrava o interesse japonês de evoluir como os países ocidentais do campo da tecnologia.

Gatling gun, arma usada por Takeda contra a gangue Oni.

Política

Raijuuta no anime tinha pretensões de voltar no tempo com o país.
A política é um tema bastante recorrente na série. De maneira direta e indireta, eventos políticos no Japão causaram uma boa parte das batalhas travadas por Kenshin durante a história. Isso é devido a insatisfação de muitos espadachins contra o governo Meiji por causa da proibição do uso da espada. E alguns inimigos de Kenshin tinham como objetivo final acabar com o governo Meiji. Mas cada um teve motivos diferentes para se revoltar contra o governo Meiji. O primeiro mostrado com este objetivo é Raijuta Isurugi (Sekido no anime), um samurai dominador da técnica denominada "Estilo Shinko". Embora no mangá seu objetivo é unificar os estilos de luta dos samurais, no anime é demonstrado que ele quer construir um novo reinando aonde quem manda são os espadachins. E para isso, usa o dinheiro da família Tsukayama, uma família rica da região, treinando o herdeiro da fortuna, Yotaro. Já outro megalomaníaco a querer derrubar o governo é Makoto Shishio. O mumificado Shishio foi um retalhador que substituiu Kenshin após a desistência do mesmo e trabalhava para o governo imperial. Mas após saber algumas coisas sórdidas sobre o governo Meiji, é queimado vivo, mas milagrosamente sobrevive. Considerando o governo fraco e que não suportaria uma invasão estrangeira, Shishio almeja tomar o governo. Conquista seguidores pelo caminho, especialmente espadachins que não conseguiam achar seu espaço na sociedade modificada da época e outros cidadãos marginalizados. Dentre eles, vemos algumas facetas que são oprimidas até hoje: o menor abandonado (na figura de Soujirou Seta), do ex-funcionário público desiludido com o trabalho (na figura de Houji Sadojima, o mais fanático seguidor de Shishio), transsexuais (como a espadachim Kamatari Honjo, apaixonada por Shishio) e de prostituas (como Yumi Komagata, namorada de Shishio e ex-prostituta). No fim, iria tomar o governo e estabelecer um governo forte e centralizado em suas mãos, aonde os mais fortes governariam, seguindo um darwinismo social.

Shishio organizou seu grupo querendo ajuda de pessoas excluídas socialmente da
sociedade japonesa no governo Meiji.
Embora tanto Raijuta quanto Shishio almejam derrubar o governo, ambos tem objetivos diferentes. Raijuta pretende retornar aos tempos do Xogunato Tokugawa, enquanto Shishio tinha um projeto de modernizar o país e torná-lo forte diante das potências. Se fossemos fazer uma breve relação com o Brasil atual, Dilma seria a figura do governo Meiji que todos querem derrubar. Raijuta seria daqueles que pedem os militares novamente no poder, enquanto Shishio seria alguém como Aécio ou mesmo Marina Silva, mas estaria próximos de figuras que querem o Impeachment a força.
Apesar destas duas personagens no mangá quererem o poder, há outras antagonistas no anime (em sagas fillers) que também almejam o poder. Entre elas estão o Cardeal Kaiyou, um homem que finge ser cristão e que estava por trás de Shogo Amakusa, espadachim de mesmo estilo de luta que Kenshin (Hiten Mitsurugi), que tinha como objetivo tornar o Japão um reino cristão. Outro mostrado é o empresário Saeke, junto com seu irmão Reisui que usando o Feng Shui (relação entre vento e água na China) querem causar distúrbios no país. Saeke é um empresário do ramo imobiliário que pretende comprar as casas destruídas para destruir o pentagrama criado a mais de 200 anos antes em Tóquio pelo governo Tokugawa, que já sabia sobre o Feng Shui e proteger a cidade de desequilíbrios. O clã do vento (representado por Jinpui) criou o pentagrama, de modo que o clã da água (que Saeke e Reisui são descendentes) foram para a China após perderem para o clã do vento. Voltando tempos depois, Saeke e seu irmão Reisui querem destruir o Japão desequilibrando a energia do vento e da água e por fim, dominar o país.

Drogas

As drogas já foram demonstradas do anime como um problema muito mais antigo que nós pensávamos. Isso foi demonstrado no episódio 8, o primeiro episódio em que aparece a bela Megumi Takani. No começo do episódio, Sanosuke perde um amigo por causa de uma overdose de ópio, um droga que era (e ainda é) muito consumida no oriente. Na China, a droga foi a causa das duas Guerras do Ópio, sendo a primeira entre 1839 a 1842 e a segunda entre 1856 e 1860, entre a China e a Inglaterra, com ambas vencidas pela Inglaterra, que traficava ópio para a China co o objetivo de não ficar no prejuízo no comércio com os chineses. Mas histórias à parte e voltando para o Japão, o ópio era muito consumido no Japão também. Megumi era uma mulher forçada a fazer ópio para Kanryu Takeda, um empresário e também traficante de drogas. Embora assistente de um médico que fazia drogas para Takeda, Megumi (cujo mentor foi morto por não querer mais fazer drogas para Taeda), continuou a fabricar drogas até se arrepender das vidas que estava tirando, quando deveria cuidar delas por ser médica. Fugindo de Takeda e ameaçada de morte por ele, é perseguida até ser achada por Kenshin, por quem se apaixona (assim como várias mulheres ao longo da série).

Flor de papoula, base para a fabricação de ópio
Megumi quase se mata e é impedida por Sanosuke, mesmo ele tendo a culpado pela morte de seu amigo. Mas o pior é o traficante Takeda. Ele é uma boa representação para os grandes traficantes de drogas, alguém com status e sem despertar suspeitas. Além disso, contrata a gangue de ninjas chamadas Oniwabanshu (ou gangue Oni em português), lideradas por Aoshi Shinomori, um dos grandes lutadores da série. Assim como muitos traficantes atuais, Takeda não excita em matá-los após eles falharem em sua missão (todos perderam para Kenshin e sua trupe) e com uma metralhadora Gatling (que trouxe dos EUA e desconhecida até pelo governo), ele resolve matar todos os presentes, mas os membros derrotados da gangue (Shikijo, Beshimi, Hannya e Hyottoko) se sacrificam para proteger o líder deles, Aoshi. Takeda ainda pronuncia uma das frases que eu mais lembro do Anime: "Dane-se o mundo enquanto eu tenho dinheiro!". Isso não adiantou quando as balas acabaram (ou no anime, em que Beshimi entupiu com seus dardos venenosos o sistema de alimentação da arma), em que Kenshin o deixou inconsciente de uma maneira bastante agressiva, fazendo Takeda um dos mais odiados inimigos de Kenshin na série. 
No fim de tudo, o anime mostra muito do tráfico de drogas e quem está por trás de tudo. Não é muito diferente dos traficantes brasileiros de hoje em dia, em que os verdadeiros traficantes são pessoas acima de qualquer suspeita, como Takeda.

Kanryu Takeda, um traficante muito parecido com alguns de hoje em dia.



Perseguições religiosas

Depois do ocorrido na Parada Gay de São Paulo este ano, quando uma modelo transsexual se crucificou em um dos carros alegóricos, causando revolta em religiosos cristãos, muitos utilizaram o termo cristofobia em oposição ao termo homofobia, afirmando que os cristãos estão sendo perseguidos na atualidade. Bem, palavras de Silas Malafaia e Marco Feliciano a parte, eles falaram a verdade. Mas no Japão do século XIX, e que duas religiões estavam sendo perseguidas na época. O cristianismo é uma delas.
Mas antes de mostrar a cristofobia na época, mostraremos antes a "Budofobia". Um dos mais fortes seguidores de Shishio é Anji Yukuzan, conhecido como "Deus da Destruição". Antes de ser um dos mais fortes guerreiros da série, era um pacífico monge que cuidava de um orfanato. Com o decreto do Governo Meiji de que o Xintoísmo passou a ser a religião oficial do Estado, outras religiões foram perseguidas. Quando estava longe do orfanato, ele foi incendiado pela população local com as crianças lá dentro. Enquanto elas morriam queimadas, Anji tentou salvá-las, mas foi barrado e deixado inconsciente. Após os eventos, tornou-se uma pessoa vingativa e um tanto cruel, bem diferente do pacifista que era. Tornou-se fisicamente forte e desenvolveu a técnica conhecida como Duplo Extremo, que era capaz de destruir até pedras com dois golpes rápidos, um para se quebrar a resistência e outro para finalmente destruir o alvo. Anji demorou 10 anos para dominar sua própria técnica, mas não tardou tanto para matar os algozes das crianças e o prefeito da cidade, que autorizou todo o horror presenciado pelo monge. Após estes eventos, se aliou a Shishio, acreditando em seus ideais e largando Buda de lado. Após perder para Sanosuke (para quem Anji ensinou sua técnica, não sabendo que ele era aliado de Kenshin), ele decidiu se entregar à polícia e foi condenado a 25 anos de prisão por seus assassinatos.

Anji foi vítima de perseguição religiosa. Após isso, virou um criminoso e
viu em Shishio alguém capaz de lhe entender e de fazer um país melhor
A cristofobia na série é mostrada na saga dos cristãos, que não está no mangá e foi criada exclusivamente para a TV. Embora as sagas que não estão no mangá sejam consideradas fracas, esta foi a melhor. E o adversário de Kenshin é Shogo Amakusa, um espadachim cristão que pretende transformar o Japão em um Reino de Deus (antes da Universal do Edir Macedo). Shogo domina o mesmo estilo de luta de Kenshin, que fora lhe ensinado por seu tio, que disputou o título de mestre do estilo com o Mestre de Kenshin, Seijuro Hiko XIII. Shogo pretende também se vingar daqueles que mataram seu pai por ele ser cristão. A perseguição cristã realmente ocorreu no Japão, na época do Xogunato Tokugawa. No episódio em que se mostra o passado de Shogo, o mesmo presencia a morte de seu pai e depois de sua mãe, por causa da tuberculose (doença mortal na época). Ele foge para a China com seu tio e sua irmã, Sayo (conhecida também como Lady Magdalia ou Madalena). Na viagem, ele vê diversas crucificações feitas pelo governo contra os cristãos. Denominado um Messias e chamado pela população local de "Filho de Deus", ele chegou a cegar Kenshin com uma técnica que ele mesmo inventou e que também cegou seu tio, Hyoei Nishida, denominada Rairyussen (conhecida como Dragão do Trovão). Embora Shogo não fosse uma pessoa má, ele matou três pessoas poderosas ligadas ao governo, embora uma profecia escrita em português foi a base dos ataques. Estas profecias em português fazem referência ao fato de que jesuítas portugueses foram os introdutores do cristianismo no Japão, no século XVI. Os jesuítas estiveram presentes na catequização não só de japoneses, como presentes na China. E o cristianismo esteve presente no sul do país, na região de Shimabara (em que irei contar tudo mais tarde).

Shogo e sua irmã Sayo (Madalena), perseguidos por serem cristãos.

Colonização

Embora o Japão tenha se mantido independente, a Revolução Industrial mostrava-se ávida por matéria-prima da qual os países industrializados não dispunham o suficiente. Então, muitos países saíram novamente a colonizar regiões do mundo aonde obteriam matérias-primas para suas indústrias. E a África e a Ásia foram alvo da cobiça dos europeus, que invadiram estes continentes e fizeram delas suas colônias. A disputa pelas colônias foram um dos motivos para a Primeira Guerra Mundial em 1914. Mas vamos ater-se ao Japão e a Ásia.
Embora não muito citado, Shishio cita a colonização de vários países asiáticos como um dos motivos para tomar o governo Meiji. Ele destaca o fato na batalha contra Kenshin, de que a Índia é uma colônia 10 vezes maior que sua metrópole, a Inglaterra. Ele ainda cita a presença francesa na Indochina (Vietnã, Camboja e Laos) e da Holanda na Indonésia, além das Filipinas pela Espanha. Ele temia que isso poderia acontecer ao Japão e achava que o Imperador Meiji não iria conseguir proteger o país das forças estrangeiras e que por isso, deveria tomar o poder e modernizar o Japão ante os inimigos. Mas após a derrota de Shishio, a história mostra o contrário. Após as vitórias sobre a China e a Rússia, o Japão viria a ter colônias na China (na região da Manchúria) e na Coreia (tanto a atual Coreia do Sul quanto a do Norte).

Shishio comenta entre os 5 e 6 minutos do vídeo

Já na saga dos cristãos, por trás do guerreiro e herói do povo Shogo Amakusa estava o Cardeal Kaiyou. Embora demonstrado um religioso, ele não ligava para o cristianismo e estava interessado em tornar o Japão uma colônia de países estrangeiros, sendo a Holanda a provável metrópole (visto no Anime). Kaiyou odiava o Japão, pois assim como Shogo, fora perseguido e expulso do país por ser cristão. Quando voltou junto de Shogo, planejou que Shogo fosse morto pelo exército japonês e após isso, ele iria escrever uma espécie de "bíblia" com a história de Amakusa, afim de estabelecê-lo como Messias (no caso, Shogo) e Kaiyou sendo o pregador da palavra de Deus no país que seria colônia e ele,o governante supremo. Embora com o plano quase dando certo, ele foi morto por Shozo, um aliado de Madalena. Mas além do sentido religioso da morte do espadachim, Kaiyou queria deixar o Japão em um conflito interno intencionalmente afim de facilitar o trabalho das forças estrangeiras.

Choque de Civilizações

O medo da colonização, tal como aconteceu na Índia, era um dos motivos que fizeram alguns se revoltarem contra o governo Meiji. Isso intensificou o choque ainda maior entre Oriente e Ocidente na série, visto que Shishio, por exemplo, queria desenvolver o país de maneira isolada e sem interferência externa. O nacionalismo japonês era fortemente exaltado por ele e também por Raijuuta.
Embora no mangá, este choque de civilizações é mais indireto, no anime é apresentado uma saga em que fica mais evidente este choque. Trata-se da Saga dos Cavaleiros Negros, uma organização de origem alemã que tem como objetivo dominar o mundo. Para isso, eles queriam encontrar um elixir sagrado (uma planta) e monopolizar este elixir, capaz de curar qualquer doença. Para encontrar tal elixir, se aliaram (e depois traíram) a ninja Misanagi, líder do clã Sanada, uma organização de Ninjas. Na busca por tal elixir, os líderes da organização Mel Therz e Lenz, proferiram vários preconceitos em relação ao japoneses e sempre os inferiorizando. Constantemente, Lenz chamava o povo japonês de "Comedor de Arroz". Para eles, os japoneses eram um povo inferior e atrasado, além de rude. Apesar disso, sobrou tempo para o terceiro da hierarquia Schneider se apaixonar por Misanagi, dando a entender que nem todas as relações Oriente-Ocidente eram tão tensas. Mas na mesma saga, Yutaro (personagem da família Tsukayama e antigo discípulo de Raijuuta) reaparece depois de ir para a Alemanha se tratar do grave ferimento em seu braço causado pelo seu antigo mestre, que o fez perder o movimento dos braços. Quando retorna ao Japão com seu tutor, o Dr. Hans (que sabia sobre o elixir) , ele afirma que o Japão é um país atrasado em mais de 100 anos em relação a Alemanha, país aonde pretendia voltar e estudar medicina. O fato revoltou Yahiko e Sanosuke como um claro desrespeito a medicina japonesa. Não chega a ser mentira o fato, mas o garoto se comporta como os brasileiros que moram um tempo fora e quando voltam, desprezam o país aonde nasceram.
O choque de civilizações retrata a difícil relação que permanece até hoje entre Ocidente e Oriente. Embora mostrado de maneira tensa, mostrou que o Japão aprendeu bem com jovens que foram e voltaram da Europa no século XIX. Mas na vida real, a xenofobia do japoneses é um grande problema nos dias de hoje.


Feminismo?

Os animes costumam deixar personagens femininas em segundo plano, exceto em animes femininos como Sailor Moon, Sakura Card Captors, Slayers ou até mesmo Tenchi Muyo. Mas apesar de personagens femininas serem secundárias ou apegadas a algum protagonista (como Kaoru com Kenshin), Samurai X tem como característica de que suas personagens femininas trabalham, enquanto as protagonistas masculinas sequer tem um emprego.
Entre as personagens femininas recorrentes, apenas Misao não tem um emprego fixo, mas apesar disso é a líder da gangue Oniwabanshu depois da traição de Aoshi. Isso tendo apenas 16 anos. Kaoru Kamiya é instrutora do dojo Kamiya, herança de seu pai. Mestra do estilo Kamiya-Kashin, sempre sofreu preconceito por liderar um dojo de Keijutsu. Tanto que sofreu com os irmãos Hiruma (Gohei e Kihei) que queriam comprar o dojo a qualquer custo, chegando a sequestrar Kaoru, que no fim foi salva por Kenshin, além de contratarem Sanosuke (no começo, um lutador de aluguel) para dar um jeito na moça. Apesar disso, Kaoru se manteve como mestra, embora não ganhasse nada por isso, já que seus alunos a abandonaram. E Yahiko aprende de graça. Mas apesar disso, é ela quem trabalha para sustentar Yahiko e Kenshin, que fazem o serviço de casa. Eles passam e lavam a roupa, limpam a casa, fazem as compras e Kenshin é quem cozinha. Cozinhar não é forte da valente Kaoru, alvo de constantes zoações por parte dos homens (especialmente de Sanosuke) por não saber cozinhar. Ela sofre por isso, já que as outras mulheres da série cozinham e ela não. Ao mesmo tempo em que supera o machismo em liderar um dojo, ela sofre do mesmo por não saber cozinhar. 
Megumi Takani, trabalha salvando a vida dos lutadores do Anime.
Outra que venceu foi a médica Megumi Takani. Após quase ter se matado após se arrepender das drogas que fazia para Kanryu Takeda, ela vira médica-assistente do Doutor Gensai, o médico da região. Além de mostrar ser uma ótima médica e atrair os pacientes (por causa de sua beleza), mostra-se interessada em estudar e de tentar consertar sua paixão, o desajustado Sanosuke. O pretendente de Megumi é um retrato de boa parte dos homens da série, pois além de não trabalhar (embora fosse antes de ficar na região um lutador de aluguel, pago para brigar), ele nunca arranja trabalho, vive perdendo jogos de azar (devendo para muitos) e além disso, nunca pagou a conta do restaurante e vive constantemente devendo para ele, embora a gerente do local, Tae Sekihara, vive sempre perdoando as dívidas causadas por Sano.
Kaoru Kamiya, dura na queda...menos na cozinha.


Em uma das sagas fillers, a raiva que Kaoru sente por ter que sustentar os homens os fazem procurar emprego em um navio. Kaoru também acabando indo coincidentemente, mas ambos são surpreendidos por piratas. O líder na verdade era uma mulher, chamada Shura. A pirata teve a chance de matar Kenshin, mas não o fez por acabar se apaixonando por ele. O sentimento é difícil para Shura, que nunca desejou se casar desde que seu pai e antigo líder dos piratas lhe falou sobre uma roupa em que ela usaria se ela se apaixonasse. Muitos do grupo de piratas tentaram se envolver com a líder e até lhe usurparam o posto. Mas Shura sempre se manteve ética apesar de ser uma pirata. Outra vilã filler e líder de seu grupo é a bela ninja Misanagi. Líder do clã de ninjas Sanada, é bastante respeitada entre eles. Tanto que mesmo após errar e ser traída pelos Cavaleiros Negros, acreditando que eles lhe ajudariam em seus objetivos de dominar o Japão, o grupo decide que só ela pode liderar o bando.

Shura teve que negar sua paixão por Kenshin para continuar seus planos.

Misanagi se mostrou dura na queda...menos no amor!


O anime, mesmo centrado na luta entre homens, acaba mostrando a importância das mulheres na sociedade em diversos trabalhos. No mangá, ainda temos a lembrança de Tomoe Yukishiro, ex-esposa de Kenshin. Querendo se vingar do samurai por ter matado seu ex-noivo Akira Kiyosato, ela acaba se apaixonando por ele, mas ele acaba matando sem querer. Foi ela quem fez uma parte da famosa cicatriz de Kenshin, antes de morrer. Graças a ela, Kenshin jurou nunca mais matar alguém.

Figuras nem tão fictícias

Samurai X é uma obra fictícia como disse antes. Mas as personagens do anime são baseadas em figuras que realmente existiram no Japão do século XIX. Embora muitos não tragam o nome real, alguns tem até o mesmo nome. Seja no mangá e também nos fillers do anime, isso traz um realismo ainda maior para a história.
Aoshi Shinomori...
...e sua verdadeira forma, Toshizou Hijikata.
  
Para começar, o frio e confuso Aoshi Shinomori, que embora seja um ninja, foi inspirado em Toshizou Hijikata (1835-1869), espadachim e subcomandante da Shinsegumi, uma tropa policial do antigo Xogunato. Se juntou ao grupo em 1863 e permaceu até 1869, quando foi morto por um tiro em uma batalha. O próprio Hijitaka apareceu brevemente na série.

Sanosuke Sagara, não encontrei a imagem do verdadeira.
  
O esquentado Sanosuke Sagara foi inspirado em Sanosuke Harada, seu xará de data de nascimento ainda desconhecida. Foi o comandante da 10° unidade da Shinsegumi, sendo um dos mais belos e fortes guerreiros do grupo. Morto em 1868, na batalha de Ueno, mas há quem diga que viveu mais alguns anos na China. Assim como o Sanosuke do anime, tinha uma personalidade forte e um pavio curto. Sem contar a origem humilde.

Saitou...

...e o verdadeiro!
Hajime Saitou foi inspirado no samurai de mesmo nome. Capitão da terceira unidade do Shinsegumi (tal como o Saitou do anime), seu nome de nascimento era Yamaguchi Hajime. Sempre com cara de poucos amigos, Saitou era um dos líderes do Shinsegumi mais temidos. Assim como o Saitou do Anime, mudou de nome e se tornou um policial usando o nome de Goro Fujita. Morreu em 1915, aos 71 anos, vítima de uma úlcera de estômago.

Makoto Shishio, um dos melhores vilões de todos os tempos.
Infelizmente, não achei imagens de sua contraparte real.



O vilão Makoto Shishio foi inspirado em Kamo Seriwaza (1826?-1863?), o primeiro comandante do Shinsegumi. Embora incertos o seu nome verdadeiro e sua data de nascimento e morte, foi um dos mais temidos samurais japoneses. Foi misteriosamente assassinado, provavelmente por disputas internas. Kamo ainda inspirou Jin-E-Udou, espadachim que também faz parte do passado de Kenshin e que é capaz de paralisar pessoas com seu olhar.

Estátua construída em Shimabara em homenagem a
Shiro Amakusa


Outra figura, embora não presente no mangá, mas inspirado na vida real é Shogo Amakuza. O verdadeiro Shogo Amakuza é Shiro Amakuza, um cristão ronin (samurai sem mestre) da região de Shimabara. Viveu entre os anos de 1621 e 1638 e assim como Shogo, era tratado como um "filho de Deus" e capaz de milagres. Mesmo aos 16 anos, Shiro foi líder da Rebelião de Shimabara, uma revolta dos habitantes da região contra o Xogunato, por causa da pobreza e dos altos impostos. Embora resistindo por muito tempo, Shiro foi decapitado pelo governo Tokugawa e dai em diante, os cristãos foram perseguidos até o fim do governo Tokugawa. E isso fez o Japão se isolar mais ainda do resto do mundo. O país só viria a acabar como isolamento no seculo XIX, na revolução Meiji. 


  

Abaixo. o verdadeiro Okubo. Bem parecido, não?

Políticos também foram representados no anime. O primeiro foi Okuno Toshimichi (1830-1878), ministro do governo Meiji e um dos cinco nobres que encabeçaram a queda do regime Tokugawa. Foi morto devido a desavenças com o clã Satsuma, do qual tinha como rival o ex-samurai e político Saigo Takamori. Em Samurai X, Okubo também acaba sendo assassinado, mas por Soujiro Seta, braço direito de Makoto Shishio. Mas sua morte no anime foi assumida por fazendeiros que eram contra a restauração Meiji. Outro político representado no anime (mas em uma saga não baseada no mangá) é Katsu Kaishu, político e engenheiro naval japonês. Katsu foi um homem que estudou holandês e foi tradutor e negociador do governo Tokugawa. Foi ele quem garantiu uma transição mais pacífica entre o regime Tokugawa e a restauração Meiji durante a rendição de Edo. Foi vice-ministro da marinha por um breve período e consultar da mesma. Faleceu aos 76 anos em 1899. No anime, a questão da rendição de Edo foi bastante lembrada, além de fazer menção que Katsu queria desenvolver a tecnologia japonesa por meio de seus dois discípulos, Tetsuma e Daigoro. Além disso, guardava uma fortuna do antigo regime, que era reclamada por ex-aliados que sequestraram sua filha. Eles acusavam Katsu de roubá-los e largá-los na miséria, mas Katsu explicou que guardava o dinheiro para o futuro do país, como prometido ao antigo governo.



O verdadeiro Katsu Kaishu, responsável pela Rendição de Edo.
Por fim e não menos importante, a protagonista Kenshin Himura. O retalhador foi inspirado em outro retalhador, que se chamava Kawakami Gensai (1834-1872). Frio, calculista e violento, ele não aparentava a natureza cruel que tinha. Kawakami era confundido muitas vezes com um rapaz tranquilo ou até mesmo uma mulher. Mesmo que fisicamente parecesse fraco (assim como Kenshin), Kawakami foi o mais terrível retalhador da época e cometeu vários assassinatos encomendados, mas a maioria deles nunca foi comprovado. Apenas a do político Sakuma Shozan, assassinado em 1864 em plena luz do dia, foi comprovado. E o matou com apenas um golpe. Mesmo após de deixar de matar pessoas, continuou com ideias xenófobas e um tanto violentas. Acusado de crimes que talvez nunca cometeu, foi morto em 1871. Sua vida foi inspiração para descrever Kenshin Himura nos tempos em que era Battousai.

Kenshin Himura e sua verdadeira forma da vida real.
Apesar do caráter serem bem diferentes...

Pois é amigos, alguns cartoons (especialmente animes) são muito mais profundos do que imaginamos. Quando éramos crianças, só queríamos ver Kenshin enfiar sua espada em qualquer inimigo. Mas quando crescemos, percebemos que isso tinha ago a mais e muito a mais. Vimos que nem sempre heróis são heróis ou vilões são vilões. Bem dito por Kenshin no final da saga de Shishio: Shishio estava certo, mas com os métodos errados. Isso mostra como o mundo real é mais complexo do que simplesmente o mundo maniqueísta, em que sempre o bem é bem e o mal é mal. Samurai X nos mostra bem isso, assim como a história. Seja ela fictícia ou real.


domingo, 3 de maio de 2015

O Japão e suas construções

Pois é galera, descumpri minha palavra. Disse que ia fazer três posts por mês e em abril, só fiz dois. Daqui a alguns dias já vão me chamar de Dilma, mas agora é voltar à ativa. Mas eu estou voltando e sobre o tema que todo mundo que vem aqui ler minhas postagens quer ver quando vê o nome Engenharia no nome do Blog: construções. E vou falar de um país que todo mundo já sabe que é referência no assunto: o Japão.
O Japão foi um país atrasado tecnologicamente e bastante isolado do mundo (já é geograficamente). Somente no século XIX, com a abolição da classe dos samurais, do Shogunato Tokugawa com a ascensão do imperador Meiji. Este imperador conduziu o Japão no rol das nações que participaram da revolução industrial, talvez um das mais importantes da história. Claro que para chegar até os dias de hoje, o Japão passou por vários problemas, tais como governos autoritários, guerras com os vizinhos China e Rússia e pelas bombas nucleares jogados no fim da II Guerra Mundial. Isso sem contar os problemas naturais, como vulcões, terremotos, Godzillas, Digimons, Samurais...viajei agora.


A ideia do post foi uma reflexão que vi após ver um episódio de Samurai X, famoso anime que passou aqui no Brasil quando tinha uns 5 anos de idade. Com aquela idade, só sabia ver as espadas e o sangue das lutas. Mas hoje vejo o desenho como um bom retrato histórico dos primeiros anos da revolução industrial japonesa. Há até um episódio do anime que mostra uma viagem de trem realizada pelas protagonistas no primeiro trem japonês. Isso que eles nem imaginavam que um trem japonês chegaria a velocidades absurdas no futuro.
Sem contar que nessa época, devido aos conflitos, muitos japoneses emigraram em massa, especialmente para o Brasil. Muitos aqui se tornaram famosos e famosos também por suas habilidades na área de exatas, o que inclui a Engenharia. Além de professores nas escolas de engenharia, lógico. Sem contar que grande parte dos estudantes nas áreas de exatas no Brasil são descendentes de japoneses. O que inclui minha amiga Viviane (ou Vivi ou Japa, como quiserem), que sempre gostou de contas. Além de claro, morar no Japão um tempo e visto algumas coisa mesmo sendo criança. Assim como seus parentes e conterrâneos, manda bem nas matérias. Só não falo mais dela por causa do seu namorado (agora expus demais!). Mas fica a homenagem ao meus colegas japoneses e principalmente a minha prima Mariana, que também descende do país do Sol Nascente. Agora se será engenheira, só o destino dirá. Espero que minha tia advogada não coloque uma pedra neste caminho (risadas).
Agora voltando a matéria, os japoneses inovaram na tecnologia em várias frentes. Não foi diferente em suas construções e outros feitos na engenharia, afim de adaptarem as construções as condições naturais do país. Claro que tudo isso não é perfeito, já que o recente terremoto ocorrido no Japão (digo, com força), em 2011 causou um acidente nuclear grave. Mas os japoneses conseguem reconstruir o país depois de tantas tragédias. O Blog trás alguns segredos por trás do sucesso da engenharia japonesa, suas adaptações e algumas obras famosas.


1- Estradas rapidamente reconstruídas

Embora seja um país pequeno, o Japão é formado por mais de 3000 ilhas e apenas quatro delas são importantes: Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku. Além disso, o país possui um relevo bastante montanhoso, o que dificultou as comunicações por terra. Por causa disso, os transportes são prioridades para os japoneses, que possuem estradas em boa qualidade. Os avanços na engenharia permitiram a construção das estradas em lugares cada vez mais remotos.
No entanto, o Japão é abalado diariamente por terremotos. O arquipélago fica no encontro de três placas tectônicas, que faz com o que os terremotos sejam inevitáveis. E sismos fortes são registrados de tempos em tempos, como ocorreu em 2011. Mas o que surpreendeu o mundo foi a velocidade da reconstrução de uma estrada destruída pelo terremoto que provocou tsunamis. A estrada estava renovada em menos de sete dias, sendo que foi dito que a obra era provisória. Tem certeza? Não parece...

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2- Trens de alta velocidade e valorização do transporte público

Trem-bala japonês em ação (nome oficial: Shinkasen)

Quando vemos animes, vemos que as personagens usam o transporte público. E os trens e metrôs são os mais utilizados. A capital Tóquio, a região metropolitana mais habitada do mundo com mais de 30 milhões de habitantes possui mais de 320 km de linhas de metrô, o que faz dele um dos cinco maiores do mundo. Mas não somente Tóquio é privilegiada. Boa parte das grandes cidades japonesas contam com metrô. Os trens são uma grande alternativa ao transporte público no país e contribuem para o baixo índice de utilização do carro do país, mesmo este tendo grandes montadoras como a Mitsubishi, Honda, Suzuki e Toyota.
Ferrovias existem desde o século XIX no país. O país teve dificuldades para impor no país trens de bitolas mais largas, devido ao relevo montanhoso. Utilizando bitolas menos largas e que se assemelhavam a bala de um revólver, a partir da década de 50, foram construídos os famosos "trens-bala". As primeiras linhas surgiram já na década de 60, durante as Olimpíadas de Tóquio. A partir daí, novas linhas surgiram e ainda há mais três linhas a serem construídas no país, mesmo com a tendência de queda na população. Os trens que comercialmente atingem velocidades de até 300 km/h permitem o rápido deslocamento pelo país. Temos como exemplo a linha que liga Tóquio a Osaka, cidades que ficam a 515 km de distância. A viagem dura em média 2 horas e 22 minutos.
Mesmo que as linhas sejam planejadas para não ultrapassar mais que 300 km/h de velocidade, trens estão em teste para atingir velocidades cada vez maiores. E o melhor, sem causar poluição sonora. Graças aos supercondutores, uma condição que permite que o trens andam flutuando pelos trilhos. Conhecidos como Maglev, estão em testes desde os anos 80. Os supercondutores são condições físicas que fazem com que a corrente elétrica seja conduzida sem perdas e sem resistência pelos condutores. Mas isso só ocorre em situações de temperaturas baixíssimas, o que por enquanto inviabiliza sua utilização, além do custo. Apesar disso, os testes continuam. Um exemplo recente foi de que um desses trens bateu o recorde de velocidade, atingindo mais de 600 km/h. Embora em testes no Japão, há uma linha na China que utiliza esta tecnologia. Liga Xangai ao aeroporto da cidade e possui 30 km de extensão. 
Voltando ao Japão, outra característica marcante das linhas é a segurança. Nenhum acidente tinha sido registrado até 2003. Mesmo assim, nenhuma vítima fatal foi registrada neste tempo (excluindo suicídios nas linhas). Sem contar que os trens param rapidamente durante a ocorrência de terremotos. Por fim, as linhas de trem passam por diversos túneis e viadutos afim de driblar (ou como diria Ronaldinho Gaúcho, "dibrar") os obstáculos naturais. 
Mesmo não possuindo uma grande malha ferroviário e tendo menos que países como Brasil, o Japão possui um bom aproveitamento delas. Tanto que suas empresas exportaram a tecnologia dos trens- balas para outros países.

Mapas das linhas de trem de alta velocidade pelo Japão.


3- Desperdício mínimo de água

O estado de São Paulo passa por uma grave crise hídrica. Entre os n responsáveis pela crise, o desperdício é um dos principais. Quase 40% da água é desperdiçada no Brasil. Mesmo que o índice chegue a 24% no estado de São Paulo, é sabido que o número pode ser maior e que não significa que o estado mais rico e populoso do país não passe por uma crise hídrica de consequências severas. O Brasil ainda conta com grande disponibilidade de água. E no Japão?
O rios japoneses são curtos e com uma topografia nada agradável devido ao relevo montanhoso. Apesar disso, há muitos lagos formados pelos vulcões, sendo famosos aqueles com águas quentes. As chuvas não caem por mais que 4 meses por ano  Mas mesmo assim, não é suficiente para um país com mais de 120 milhões de habitantes. Mas o país soube mais uma vez "dibrar" as dificuldades.
A maioria dos rios japoneses são represados. Conseguem aguentar o excesso de chuva causados pelos tufões e armazenar água por vários meses, apesar das secas. O acesso é água é universal e mais de 97% da população recebe água encanada. Além do acesso, o saneamento básico também é universal. Embora a qualidade da água não seja um padrão perfeito para o mundo, não chega a comprometer.
Mas o agente mais importante para a eficiência japonesa é o combate ao desperdício. Cientes de que a água não é abundante no território japonês, o desperdício de água é evitado ao máximo. O país é o único no mundo que recolhe os dados sobre esgoto desaparecido, afim de evitar que uma residência receba mais água. Além disso, qualquer problema de vazamento ou problemas nas tubulações são avisados rapidamente e concertados no mesmo dia. As tubulações são feitos de materiais de alta qualidade e resistência, capazes de resistir até terremotos (comuns no país). Isso faz com que o país tenha perdas de água de 3%, o mais baixo do mundo. Isso pois o Japão quer abaixar esse número para menos que 2% até 2020, já que as mudanças ambientais podem diminuir a quantidade disponível de água no pais.
O país virou referência no assunto. Tanto que o Brasil fez parcerias com o país para diminuir os índices de desperdício. Especialmente São Paulo, que mesmo tendo um território do mesmo tamanho e com uma maior disponibilidade de água e população menor, passa por graves problemas. Mas veremos os resultados. 

4- Estruturas resistentes a terremotos

Além de estruturas, a educação e a preparação também evita tragédias. Veja como eles são preparados!
Na semana passada, ocorreu um tremor forte no Nepal e que vitimou mais de 6000 pessoas e destruiu boa parte do país. O país enfrenta tremores deste tipo de tempos em tempos, em um intervalo de 80 anos. O Japão enfrenta quase que diariamente tremores, em sua maioria, fracos a moderados. Mas o país sofreu por muitas eras com grandes catástrofes e continua enfrentando. As milhares de vítimas dos tremores de terra morrem devido ao desmoronamento das construções. O terremoto de 2011 foi um dos mais fortes da histórias (9 graus na escala Richter), causando até tsunamis e mais de 13000 vítimas. Mas no que foi o tremor mais forte da história do país, o número de vítimas e de destruição foi menor do que tremores passados. Mas qual o segredo japonês para se evitar tragédias maiores?
Um dos grandes segredos foi a adaptação dos japoneses nas construções. Prédios mais baixos tem paredes maiores e reforçadas de mais aço e cimento, conhecidas como "Shear Walls". Em construções mais altas, são utilizados amortecedores nas estruturas, de modo com que o tremor seja atenuado e disperso. As janelas dos prédios não ficam nas esquadrias, estando entre elas uma borracha. No caso de tremores, as janelas tem uma chance menor de quebrar e de se estilhaçar. Outra solução mais sofisticada consiste em instalar contrapesos nas partes superioras dos prédios, que evita oscilações das estruturas devido ao vento e aos terremotos. Um exemplo famoso de contrapeso é no Taipei 101, em Taiwan. Um contrapeso de 660 toneladas evita com que o prédio, que já foi o mais alto do mundo, caia devido ao sismo. 
Apesar disso, tragédias ainda acontecem e novas técnicas vão surgindo. Por exemplo, o acidente nuclear de Fukushima, entre outras causas, teria sido causada pelo fato da usina não ter sido preparada para resistir aos maremotos. Mas elas tem evitados tragédias ainda maiores como o terremoto de 1923, que vitimou mais de 140 mil pessoas. 


5- Cidades debaixo d'água

Cidades e vilas já existem sob as águas. Mas e debaixo? Se nada for comprovado do Reino de Atlântida, os japoneses terão essa proeza. Uma empresa de engenharia do país que construir uma cidade debaixo do mar até 2030. 
O plano é ambiciosos e foi friamente calculado. Embora a capacidade da cidade seja prevista de 5000 pessoas, a estrutura parece ser bem ambiciosa. Na parte de cima, um grande globo com 500 metros de diâmetro abrigará a população. A energia produzida será fornecida pelo mar, com o movimento deste. Metano será produzido a partir de dióxido de carbono. E no fundo da estrutura, entre 3000 e 4000 metros de profundidade, uma "fábrica-mãe", onde haverá pesquisas para obtenção de energia. 
Parece um cenário de filme de ficção científica, mas poderá se tronar realidade. É a forma com que o país quer crescer para além da terra e além disso, maximizar recursos e possibilitar uma vida mais sustentável.

“Agora é a hora de criar uma nova interface com o mar profundo, fronteira final da Terra: romper com os padrões anteriores de desenvolvimento da terra e optar por um plano que se destina a promover uma verdadeira sustentabilidade, maximizando o uso dos recursos das profundezas do mar”, diz a empresa. (Foto: Shimizu Corporation)
Um dia pertinho de você...
                                 


Algumas construções conhecidas

O Japão tem algumas das construções bastante interessantes. Conheça algumas delas:

Tokyo Skytree

                                                      

A obra que custou o equivalente a 806 milhões de dólares é a maior torre do mundo e a segunda maior estrutura do planeta (perde para o Burj Dubai). A torre de 634 metros de altura é recente e foi inaugurada em 2012, após 4 anos de obras. Mas logo se tornou um xodó da capital, recebendo turistas. Muitos, cerca de 1,5 milhão logo na primeira semana. Com um observatório a 350 metros de altura, quem não iria.
A torre foi construída de maneira triangular, se afinando ao longo de sua atura. Muito disso deve-se ao fato da torre resistir a erosão causada pelo vento. Ela pertence a emissora NHK, a maior do país. Operam lá mais de 6 estações de rádio e a torre tem como objetivo, transmitir sinais de rádio e de televisão, principalmente o sinal de TV digital. Isso devido a que as outras torres não tinham altura suficiente para a transmissão, devido aos arranha-céus de Tóquio.

Tokyo Tower

                                                         

A Tokyo Tower é uma espécie de ancestral da Tokyo Skytree. Inaugurada em 1958, foi por mais de 50 anos a estrutura mais alta do Japão até ser superada pela torre já citada. Ao contrário da Tokyo Skytree, a Tokyo Tower foi feita em estrutura de ferro, sendo semelhante a famosa Torre Eiffel em Paris. Apesar de semelhantes, a torre japonesa é maior que a parisiense: tem 332,9 metros de altura ante 324 do seu primo famoso.
A torre laranja é repintada a cada 5 anos. Além de servir como torre de transmissão de rádio e TV, a torre ainda tem algumas ouras atrações, como um aquário, restaurantes, shoppings e um museu de cera com figuras famosas do mundo. Isso sem contar o observatório principal. Graças a isso, a torre é visitada por mais de 2 milhões de turistas por ano, tendo recebido mais de 150 milhões ao longo de sua história.   
Para variar, a torre aparece em vários animes e mangás japonese, onde muitas vezes ela é destruída. Especialmente pelo Godzilla.

Túnel Seikan


O túnel Seikan é atualmente o maior túnel em comprimento do mundo. Por enquanto, já que o túnel da Base de São Gotardo, na Suíça irá a vir superá-lo com mais de 157 quilômetros. Mas por enquanto, vamos falar do túnel japonês. Um senhor túnel. Imagine atravessar o mar por mais de 60 km?
O túnel faz parte de um antigo projeto de ligar a ilha de Honshu a Hokkaido, a ilha mais ao norte. O projeto de uma ligação terrestre vinha desde o início do século XX, com os primeiro estudos feitos após a II Guerra Mundial. Com o grande número de balsas, chegando a 4 milhões de carros, os projetos se inciaram. Em 1971 as construções começaram e só em 1983, os dois lados se encontraram. Isso em meio a crise do petróleo que afetou a economia japonesa e a popularização do transporte aéreo no país. Apesar das condições econômicas desfavoráveis, as obras prosseguiram. Em 1988, o túnel estava concluído.
O túnel é considerado ainda o mais profundo do mundo, já que o trecho que passa por debaixo d'água está a 240 metros de profundidade. A obra foi considerada difícil em sua parte marítima, já que as rochas marinhas permitiam a infiltração da água no túnel, o que iria inviabilizá-lo. Mas o túnel foi blindado e ainda por cima, é bombeado constantemente.  O túnel serve aos trens de alta velocidade, já falados aqui, conhecidos como "trem-bala". Dentro do túnel ainda se tem 2 estações de trem. Conta ainda com saídas de emergência em casos de incêndios, terremotos 
O conhecimento da construção do túnel Seikan ajudou ainda na construção de um túnel bastante famosos e já citado aqui: o Eurostar.

Como o túnel atravessa o mar.
                                    
Bom amigos, aguardem a próxima matéria. Até mais!





A inspiração da matéria foi este episódio de Samurai X. vale a pena assistir: