domingo, 15 de fevereiro de 2026

Os Campeões do BBB mais disruptivos

Disruptivo: Aquilo que altera o fluxo, o curso normal de um processo; que quebra um padrão; inovador; pioneiro

Escolhi essa definição porque ela se conecta direto com o que vou escrever. E, cá entre nós, depois de um longo hiato sem postar por conta da correria do trabalho (que, convenhamos, mata qualquer criatividade), nada melhor do que voltar falando de um assunto que muitos odeiam, mas poucos admitem acompanhar: o Big Brother Brasil.

Sou suspeito para falar. Assisto desde os 7 anos, em 2002. E, ao contrário do que dizem por aí, não acho que o programa seja só "pão e circo". Dá pra ser um bom profissional, falar três idiomas e ainda assim se perguntar: afinal, o que o comportamento dos brothers diz sobre o próprio Brasil? O programa é um verdadeiro laboratório sociológico e acompanhou, em 25 anos, as mudanças do país. A própria política, hoje, virou um grande BBB se repararem bem. 

Mas, aos 30 e poucos anos, bati um dado: já são 25 edições, mais de 420 participantes, e a grande maioria (uns 95%) foi esquecida. O que me fez pensar: quem, de fato, quebrou os padrões? Quem foi contra o tal "gosto do brasileiro" e venceu, visto que muitos perfis vencedores se repetem? Com a era dos influenciadores, virar campeão perdeu um pouco o sentido, já que muitos querem apenas usar p programa para ganhar seguidores e levarem o prêmio em "publis". Nem todos terão sucesso nisso, mas o sucesso de figuras cada vez mais medíocres nos vende o contrário.

Então quero aqui falar sobre alguns campeões, seja pela tendência do programa ou o contexto social do Brasil não permitiriam que ganhassem o programa naquele momento. Contra todos os prognósticos iniciais, estes campeões se tornaram o que foram.

Vamos a lista


Jean Wyllys (BBB5)


À direita, Wyllis como deputado; à esquerda, na época do programa (fonte: Extra)

O Brasil de 21 anos atrás era um outro país. Lula já era presidente, mas a sociedade era bem diferente. As redes sociais engatinhavam, a seleção tinha acabado de ser campeã do mundo e a Guerra do Iraque dominava os noticiários, assim como a corrupção do Mensalão que foi um dos pilares para a polarização de hoje em dia. Parece distante, né? E era. Naquela época, o BBB 5 entrou para a história. Considerado por muitos como uma das edições mais marcantes de todos os tempos, foi ali que o programa se consolidou como uma novela da vida real, com mocinhos e vilões bem definidos — uma fórmula que se vê até hoje.

O grande vilão da edição era o médico Rogério Padovan, que ficou conhecido como "Doutor Gê". Ele protagonizou desclarações homofóbicas e articulações contra o outro grupo que se formou na casa. E foi desse grupo de "mocinhos" que saiu um campeão com um perfil completamente inédito até então: o professor universitário baiano Jean Wyllys.

Natural de Alagoinhas, Jean era mestre em Letras e professor de pós-graduação. Em um país onde a representação LGBTQIAP+ na TV se resumia a personagens caricatos, Jean era um acadêmico, homossexual e não pedia licença para existir. Ele, antes do primeiro paredão (em que por menos de 1% de diferença não saiu), falou que era gay e que não tinha medo disso, além de ter sido mandado (com muitos votos da casa) por ser quem ele é. Ao voltar, ele confrontou os rivais e construiu uma amizade que ganhou o público com a então Miss Paraná e futura atriz Grazi Massafera e, contra todos os prognósticos (Grazi era favorita, graças a sua simpatia e beleza), venceu o programa com 55% dos votos, levando o primeiro prêmio de 1 milhão da história do reality.

Jean foi disruptivo por dois motivos: era o primeiro intelectual a vencer o BBB e, mais importante, o primeiro homossexual assumido a ser campeão, numa época em que a homofobia era regra, não exceção Outros homossexuais já haviam participado do programa como André Gabeh do BBB1 e Cristiano do BBB4 (que escondeu que era homossexual em sua participação). Jean não ficou no armário dentro do programa e assim, abriu armários pelo Brasil afora. Além de ter sido o primeiro contato com a comunidade LGBTQIAP+ sem a abordagem caricata que havia até então. 

Eu tinha 10 anos e foi a primeira vez que tive contato com algo da comunidade LGBTQIAP+. Meus pais nunca tocaram no assunto. Foi vendo Jean na TV que entendi que existiam outras formas de amar e ser. Não sou uma pessoa desse universo, mas tenho amigos que são — e todos reconhecem a importância daquele momento. Um ano depois, na 5ª série, abracei um colega que a turma julgava ser gay. Fui taxado na hora  e o resto daquele ano foi um inferno. Usavam aquilo para me diminuir, para tentar descredibilizar minhas notas e me queimar com outras garotas. E isso se repetiu outras vezes, especialmente por eu não performar a masculinidade que esperavam de mim. Jean Wyllys me mostrou, sem saber, que se podia ser homem acima de tudo, independente da sexualidade. Assim como eu, que não sou o "hétero top padrão", também sou.

Talvez o Brasil de hoje não elegesse Jean campeão. Vimos os retrocessos que ele próprio enfrentou como deputado federal, até precisar deixar o país. Mas isso não apaga o feito: Jean Wyllys foi o primeiro campeão disruptivo do BBB, e sua vitória mudou o programa para sempre. Outros participantes gays participaram e a sua presença aumentou ao longo dos anos, mas ganhar ficou cada dia mais complicado.

Maria Melilo (BBB11)

À esquerda, Maria na época do programa; à direita, atualmente (fonte: O Globo)

Demos um salto para 2011. O mundo ainda sentia os efeitos da Crise de 2008, enquanto a Primavera Árabe mostrava o poder das redes sociais para derrubar governos e iniciou o poder das redes sociais como armas políticas (o que pioraria ainda mais). O  Brasil, que havia passado quase ileso em 2008, vivia o auge do crescimento econômico e da popularidade de Lula, que pavimentou a eleição de Dilma Rousseff, a primeira e até hoje única mulher a se eleger presidente.

E as redes sociais, pela primeira vez, começavam a mudar o jogo do BBB. O Twitter e o Facebook influenciavam os rumos do programa, e as votações online já superavam o telefone. O Orkut, com seus fã-clubes organizados, tinha sido decisivo para a vitória de Marcelo Dourado no BBB10 — a famosa "Máfia Dourada". 

Mas, apesar dos avanços tecnológicos, um dado chamava a atenção nas dez primeiras edições: apenas duas mulheres haviam vencido o programa. Cida (BBB4) e Mara (BBB6) tinham perfis parecidos: origem humilde, pouca protagonismo dentro da casa e histórias de vida que sensibilizaram o público. Fora isso, os homens dominavam e ganhavam o programa mesmo com as mulheres tendo mais apelo do público, aparentemente. A eleição de Dilma pode ter influenciado o Brasil a eleger a terceira campeã e daqui em diante, as mulheres dominaram as edições seguintes. O pontapé para isso veio da atriz e modelo paulista Maria Melilo, que  entrou na casa com um objetivo claro: ganhar o prêmio de 1,5 milhão para alavancar a carreira. Mas sua trajetória teve todos os ingredientes de uma novela que sempre sonhara em protagonizar.

Na primeira semana, ela se envolveu com o músico Maurício, o "Mau-Mau". Duas semanas depois, ele foi eliminado. Maria, então, começou a se aproximar do médico Wesley. Até que, numa reviravolta digna de roteiro, Mau-Mau voltou ao programa numa repescagem. Ao retornar, ignorou completamente Maria, mesmo com ela tentando uma reaproximação. Ela não se fez de rogada: assumiu de vez o romance com Wesley e enfrentou as grosserias do ex-affair. O público comprou a briga dela. Na final, Maria venceu com 43% dos votos, disputando o prêmio com o próprio Wesley, que se destacou também pelo relacionamento e pelo bom trato com a moça e com o carismático Daniel, que ficou marcado por sua amizade com um coqueiro. 

A vitória de Maria foi disruptiva por vários motivos. Ela quebrava o padrão das vencedoras anteriores: era jovem, bonita, divertia-se nas festas e viveu sua sexualidade sem culpa, envolvendo-se com dois homens na mesma edição. Até então, mulheres com esse perfil não chegavam à final — quando chegavam, eram engolidas pelo julgamento moral do público. Fazer casal no BBB sempre foi um risco, especialmente para mulheres. Elas sofriam — e ainda sofrem — uma cobrança muito maior. Naquela época, mulheres atraentes que passavam pelo programa eram imediatamente convidadas para posar nuas, o que gerava a percepção de que "não precisavam" do prêmio. Maria enfrentou esse preconceito: houve quem espalhasse boatos de que ela seria garota de programa só por ter se envolvido com dois homens e ter tido fotos nuas vazadas durante sua participação no programa, mas isso fazia parte de um trabalho artístico. Com os redpills fortes na internet hoje em dia, perigava Maria nunca ter ouvido o histórico discurso feito na final pelo então apresentador do programa Pedro Bial.

Ela venceu o julgamento e os preconceitos e mostrou que uma mulher podia ser livre, bonita, se divertir e ainda assim ser campeã. Depois do programa, posou nua — não por necessidade, mas por escolha. Ironicamente, o público de hoje, nas redes, talvez fosse ainda mais cruel com uma Maria Melilo. O moralismo digital aumentou, disfarçado de discurso de libertação. Mas o fato é que, depois dela, as mulheres passaram a vencer com mais frequência — embora a cobrança por "coerência" e "retidão" nunca tenha sido tão grande.

Maria Melilo venceu entre erros e acertos, como todo ser humano. Hoje, segue como influenciadora e carrega uma vitória ainda maior: superou um câncer no fígado. E segue sendo, para sempre, a campeã que quebrou o tabu de que mulher bonita e livre não podia ganhar o BBB.

Vanessa Mesquita (BBB14)

Acima, Vanessa na época do programa; abaixo, como está atualmente (Fontes: Globo e CNN)

O ano de 2014 foi um daqueles que a gente não esquece. O Brasil sediou uma Copa do Mundo em casa , enquanto engatinhava numa crise política e econômica que se arrastaria por anos, potencializado pela tragédia do 7 a 1 ante a Alemanha, que expurgou o Maracanazzo de 1950, mas criou uma síndrome de vira-lata ainda pior.  Era o cenário perfeito para um BBB histórico, certo? Quase.

O BBB14 não foi uma das edições mais marcantes da TV, mas marcou o início de uma nova fase: a audiência tradicional caía, mas a repercussão nas redes sociais explodia como nunca. E, pela primeira vez, os fã-clubes organizados — os famosos fandoms — mostraram sua força para além do Twitter. A edição teve dinâmicas confusas, uma participação relâmpago da personagem Valdirene (Tatá Werneck) e um emaranhado de relacionamentos. Mas o que realmente ficou na memória foi um casal: Clara e Vanessa,  que marcaram um dos ships mais marcantes de toda a história do programa, o "Clanessa".

Elas se aproximaram nas primeiras semanas e formaram o primeiro — e até agora único — casal lésbico da história do BBB. Diferente da maioria dos casais héteros, que costumam prejudicar um dos dois na reta final, Clara e Vanessa se beneficiaram mutuamente. A química entre as duas era tão genuína que o público se apaixonou junto. Elas enfrentaram punições por se beijarem em locais incomuns, foram acusadas por colegas de "forçarem um casal" para ganhar votos — acusação que nunca colou — e Vanessa, em especial, enfrentou o assédio de outros homens da casa para que ela largasse Clara e mais cinco paredões. A final da edição, a primeira totalmente feminina (junto da vice-campeão Ângela), Vanessa Mesquita se sagrou campeã com 59% dos votos. Clara ficou em terceiro lugar.

Vanessa era um perfil improvável de vencedora até então: modelofitness , ativista pelos direitos dos animais (vegetariana assumida) e bissexual. Clara, por sua vez, também quebrava padrões: fazia conteúdo adulto, era casada com um estrangeiro e vivia um relacionamento aberto. Duas mulheres, num casal homoafetivo, conduzindo a edição e chegando à final. Em 2014, isso foi revolucionário. E vinha sendo a tendência daquele ano de ter isso na televisão. Naquele mesmo ano, a Globo exibia o primeiro beijo gay em suas novelas (Félix e Niko, em "Amor à Vida") e, logo depois, o primeiro beijo lésbico (Clara e Marina, em "Em Família"). 

Pois bem. O que veio depois todos nós sabemos.

O conservadorismo cresceu após 2014 e do Impeachment de Dilma. As emissoras, inclusive a Globo, passaram a evitar relações homoafetivas explícitas com medo de afugentar o público mais conservador e na crença que o aumento dos evangélicos no país prejudicaria seus produtos. E o BBB seguiu o mesmo caminho. Antes de Clara e Vanessa, tivemos participantes sáficas como Angélica "Morango" (BBB10) e Diana Balsini (BBB11). Depois delas, o programa passou a escalar, no máximo, uma mulher LGBT por edição — quase sempre comprometida, quase sempre sem espaço para qualquer envolvimento dentro da casa. A subrepresentação lésbica aumentou, mesmo com o público lésbico sendo um dos mais fiéis à atração. Sem representatividade, esse público "inventou" mulheres e casais lésbicos desde então. Enquanto os homens gays seguiram presentes e protagonizando momentos (como o beijo de Gil do Vigor e Lucas Penteado no BBB21), as mulheres lésbicas e bissexuais desapareceram do radar. E uma vencedora como Vanessa Mesquita, bissexual e ativista, tornou-se a cada ano mais improvável.

Vanessa, hoje, segue sua luta pelos animais, formou-se em medicina veterinária e mantém amizade com Clara. As duas, juntas, marcaram uma geração e mostraram que o amor — e o público — pode ser muito mais simples do que a TV imagina. Mas em um casal sáfico, talvez seja improvável. 

Thelma Assis (BBB20)

À esquerda, Thelma durante o programa; à direita, como está atualmente (fonte Globo e UOL)

O BBB20 foi a última grande revolução dentro do formato do programa até aqui. E veio na hora certa.

A edição anterior, o BBB19, havia sido um desastre: audiência baixíssima, elenco apático e uma vencedora que, para muitos, representava o auge do bolsonarismo no país. O Brasil mergulhava na ascensão da extrema-direita mundial — Trump nos EUA, Brexit na Europa — enquanto o Brasil enfrentava os retrocessos do Governo Bolsonaro, como a Reforma da Previdência. Ninguém imaginava que o maior desafio ainda estava por vir: a pandemia de COVID-19, que vitimaria mais de 700 mil pessoas só no Brasil.

A Globo precisava salvar o programa. A solução foi radical: misturar anônimos ("Pipocas") com famosos ("Camarotes"). A ideia dividiu opiniões — afinal, a graça do BBB sempre foi pessoas comuns sem noção de TV — mas funcionou. O elenco de famosos trouxe repercussão imediata: Babu Santana, Manu Gavassi, Bianca Andrade, Rafa Kalimann, Pyong Lee, Gabi Martins, entre outros. Nomes conhecidos (ou nem tanto) que virariam personagens inesquecíveis.

Mas então, o mundo parou. A maioria dos locais foi fechado e eventos esportivos e programas de entretenimento foram paralisados.  O BBB se tornou o único programa ao vivo e diário da TV brasileira. As pessoas, confinadas em casa, encontraram no reality o único lazer possível. A audiência disparou, o público se diversificou (inclusive homens que antes só viam esporte) e as redes sociais viraram uma extensão do programa. Era o único escapismo de um mundo que vivia sob notícias negativas a todo o momento da pandemia. Os patrocinadores perceberam o filão. Nunca se investiu tanto em publicidade dentro do BBB, e isso mudaria o jogo para sempre — mas isso é papo para outro artigo.

Dentro da casa, a edição começou com um embate: homens contra mulheres, já que os homens fizeram um plano para fazer as mulheres comprometidas traírem seus parceiros. A médica Marcela McGowan enfrentou o grupo dos "machos tóxicos" e assim,  despontava como favorita, mas se desgastou ao se envolver com um participante que entrou depois, Daniel Lenhardt, e toda sua luta feminista virou hipocrisia. O protagonismo passou para a rivalidade entre o arquiteto Felipe Prior e a cantora Manu Gavassi — o paredão entre eles entrou para o Guinness Book como o mais votado da história.

Com Prior eliminado, Babu Santana virou o único homem entre dez participantes e se tornou um dos favoritos, visto que sofria acusações infundadas por parte de algumas das mulheres da edição. Mas caiu no último paredão. A final foi totalmente feminina: Manu Gavassi, Rafa Kalimann e Thelma Assis.E aqui vale uma pausa, porque este texto era para ser sobre Thelma, e eu quase não falei dela. E isso diz muito sobre sua trajetória.

Thelma passou a edição inteira à sombra do grupo das "Fadas Sensatas" (formado por Marcela, Manu e Rafa). Pouco protagonizou os grandes embates, pouco apareceu nos VT's. Era o que o público chama de "planta". E, ainda assim, venceu, se tornando a 20ª vencedora do BBB e a primeira mulher negra retinta a ganhá-lo. 

Sua vitória foi disruptiva exatamente por isso: numa edição dominada por celebridades e influenciadoras, com o público cada vez mais exigente por participantes "que joguem" e diversas narrativas e reviravoltas, uma participante de perfil baixo venceu. Ela não tinha as grandes questões financeiras de outros vencedores, mas carregava histórias potentes: foi adotada na infância, formou-se médica pelo Prouni e representava, na pele, o reflexo de políticas públicas que mudaram vidas. Fora ela ter sofrido racismo dentro do programa, não de maneira explícita, mas o fato de ser excluída em alguns momentos fazia o público a ficar com ela. Mesmo não sendo a protagonista da história daquela edição. 

O público entendeu que, para Thelma, as portas depois do programa seriam mais estreitas. E votaram nela para a vitória. A vida, porém, foi generosa com Thelma. Durante a pandemia, usou sua visibilidade para atuar no combate ao vírus. Depois, virou influenciadora na área médica e ganhou um quadro de saúde na própria Globo. Uma médica venceu o maior reality do Brasil durante a maior pandemia em um século. Não poderia ter sido mais simbólico.

Arthur Aguiar (BBB22)

À esquerda, Arthur na época do programa; à direita, o ator atualmente (Fonte: iBahia) 


O ano de 2022 foi o começo do fim da pandemia. As máscaras caíram, os locais públicos reabriram, mas o Brasil carregava a dor de mais de 700 mil vidas perdidas — muitas delas por negligência das autoridades da época. Era ano de eleição, a mais polarizada da história. Lula voltava ao poder depois de sair da prisão. No mundo, a Rússia invadia a Ucrânia, reacendendo o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra. E no meio de tudo isso, o BBB22 tentava repetir o fenômeno do ano anterior, uma missão impossível. 

O BBB21 havia sido um marco. Juliette virou fenômeno com mais de 30 milhões de seguidores, Gil do Vigor virou contratado fixo da Globo, e até participantes irrelevantes ganharam seus 15 minutos de fama. Mas o lado obscuro da edição também ficou marcado: Karol Conká saiu com 99,17% de rejeição, Lucas Penteado desistiu após perseguição implacável, e nomes como Fiuk, Projota e Nego Di saíram "cancelados" na internet por suas falas e atitudes dentro do programa. Em sua maioria, eram famosos consagrados antes de entrar na casa. O cancelamento virou regra e as redes sociais viraram um tribunal rápido em moer as reputações, um reflexo dos dias atuais E o medo de ser o próximo virou o grande fantasma do BBB22.

Os participantes entraram "brifados": sabiam que qualquer deslize poderia destruir suas carreiras. O resultado foi uma edição morna, sem graça, onde todos evitavam conflitos a qualquer custo. O símbolo disso foi Tiago Abravanel, neto de Silvio Santos (um dos grandes reis do entretenimento do Brasil), que passou os dias na casa promovendo meditação e harmonia — até desistir do programa. O público, que esperava outro BBB21, se decepcionou. Vinicius, que entrou com favoritismo e milhões de seguidores por sua "semelhança" com Gil do Vigor, forçou situações tão artificiais que perdeu a graça rapidamente. O resto do elenco, misto de Pipocas sem carisma e Camarotes sem coragem, não entregava nada.

Até que uma rivalidade salvou (um pouco) a edição: Jade Picon vs. Arthur Aguiar. De um lado, uma das influenciadoras mais poderosas do país, que veio ao programa preparada, articulada e disposta a jogar. Do outro, um ator que foi um ídolo teen que vinha em ostracismo, marcado por múltiplas traições à ex-esposa Maíra Cardi, entrando como cancelado antes mesmo de entrar e com uma difícil missão de reverter a péssima imagem. A estratégia de Jade era clara: queimar Arthur, que o público já o via como cancelado. Mas o efeito foi o contrário:  o público enxergou perseguição e migrou para o lado dele, esquecendo o que fez fora da casa. Arthur, por sua vez, veio preparado como nenhum outro. Aplicava técnicas de coach em seus discursos, lembrava de cada evento da casa com precisão cirúrgica, evitava bebida e confusões com as mulheres, além de mostrar emoção por sua filha e esposa, que fez enorme campanha e tornou seu público ativo para evitar a eliminação. Passou a imagem de alguém que realmente mudou — e o público comprou. Ele se livrou de todas as armadilhas. E venceu uma final composta apenas por outros Camarotes (Douglas Silva e Paulo André), em uma final toda masculina pela primeira vez na história do programa. 

A vitória de Arthur Aguiar foi disruptiva por um motivo simples: ele foi o primeiro Camarote a ganhar o BBB, bem como foi o primeiro "cancelado" a ganhar o programa, revertendo o que alguns particpantes da edição anterior demorariam anos para conseguir. Até então, o público sempre negava o prêmio aos famosos — afinal, eles "não precisavam". Mas na ausência de Pipocas carismáticos, e diante de um jogo bem jogado, Arthur quebrou essa regra. Mostrou que é possível reverter um cancelamento, que é possível ser celebridade e vencer, e que preparação mental pode ser tão importante quanto carisma (que lhe faltava, aliás). Se no BBB21 o cancelamento foi a regra, no BBB22 ele foi superado. E Arthur Aguiar entrou para a história como o primeiro — e até agora único — famoso a levantar o troféu.

Davi Brito (BBB24)

À esquerda, Davi pós-programa; à direita, como está atualmente (Fonte: iBahia)

O BBB24 foi o último comandado por Boninho e talvez o mais simbólico de uma nova era: a era onde as marcas já não são apenas patrocinadoras, mas donas do jogo. O programa virou vitrine, e os participantes, mercadorias. Lá fora, o mundo seguia em frangalhos. Gaza era massacrada sob silêncio das grandes potências, Rússia e Ucrânia seguiam em conflito e Donald Trump voltaria ao poder. A Inteligência Artificial embaralhava o real e o falso, e as fake news se tornavam impossíveis de rebater. Vivemos uma guerra de narrativas — e o BBB não ficaria de fora.

A edição anterior havia sido mais uma edição fraca, marcada por uma vencedora apagada e denúncias de racismo abafadas pela produção. O BBB24 precisava dar certo. E deu. Não apenas pela audiência da TV, que aumentava depois de algum tempo, mas pelo caos instalado. Foi a edição mais calamitosa desde o BBB21 — e desta vez sem pandemia para justificar o interesse pelo público. O protagonista desse caos tinha um nome: Davi Brito.

O motorista de aplicativo baiano entrou no programa pelo "Puxadinho", uma casa onde participantes restantes a entrar eram escolhidos pelo público. E desde o primeiro minuto, virou o centro de tudo. Discutiu com metade da casa: Wanessa Camargo (expulsa após um caso polêmico com ele), Yasmin Brunet, Rodriguinho, MC Bin Laden, Nizam, Lucas Buda, Michel, Leidy Ellen. Não teve medo de briga, não teve medo de ser odiado, não teve medo do cancelamento. Entre declarações incoerentes (como o fato de assistir Ayrton Senna na infância, quando dizia que não tinha televisão e nasceu em 2022), ou consideradas homofóbicas (quando disse "Eu sou homem, não viado" - quando o contexto da briga era dizer que era verdadeiro, mas de um jeito torto) ou machistas (quando disse que mulheres deveriam ser submissas). Com isso,  Davi dividiu o Brasil. Para uns, foi o resgate do "bbb raiz" — treteiro, sem filtro e sem frescura. Para outros, era chato, incoerente e protegido pela edição. Mas uma coisa é fato: sem ele, o BBB24 seria mais uma edição esquecível, visto que movimentou a casa e criou quase todas as situações daquela edição. Isso tudo sem ser querido por todo o público, que tinham olhos para outras participantes.

A começar por Beatriz Reis, a Bia do Brás, que começou como favorita absoluta devido a ser aposta de Boninho com seu jeitão expansivo, mas cansou o público e foi eliminada perto da final — colocada no paredão pelo próprio Davi. Isabelle Nogueira, a cunhã do Boi Garantido, conquistou o país ao levar o Festival de Parintins para dentro da casa, mas passou a edição inteira na sombra de Davi, evitando conflitos, sendo "planta" — e isso custou seu favoritismo, pois ela não parecia comprometida com o jogo. Fernanda Bande virou fenômeno no Twitter com frases de efeito ("Chora bonequinha", "Tem um filme chamado 127 horas [...]") e um certo conhecimento geral, mas esbarrou em declarações consideradas capacitistas, xenofóbicas e racistas, além de ficar isolada do resto da casa com sua aliada Pitel no quarto (o que rendeu um programa para elas). Acabou sendo eliminada na metade final, mesmo com as redes a quase mantendo na casa, o que revelou a hipocrisia de parte do público progressista em apoiá-la (ela apoiava até então Jair Bolsonaro e seus relacionados).  De qualquer forma, nenhuma delas seria disruptiva como Davi.

E ele venceu. Mas não foi fácil. Dentro da casa, enfrentou o racismo escancarado de participantes como Wanessa Camargo, que o acusava de diversos crimes. Parte do público fez o mesmo. E este público jamais aceitaria um homem negro, pobre, sem jeito com câmeras, sem discurso ensaiado, sem medo de ser incoerente levar o maior prêmio da história do programa até então. Aliando seu foco no jogo e um carisma que conquistou fãs e haters, ele ganhou o prêmio na final com dois de seus aliados dentro da casa: o então casal Isabelle e Matteus Amaral. 

Foi disrupitivo pois a história do programa foi cruel com homens negros. Participantes negros com comportamento semelhante ao de Davi raramente iam longe. Quando iam, era na posição de coadjuvantes de protagonistas brancos, ou como "plantas" inofensivas. Davi quebrou isso, pois fez brancos serem seus coadjuvantes. Foi protagonista do início ao fim, agindo como os "héteros tops" das antigas edições e foi abraçado pelo público como injustiçado. Mas o pós-jogo (que hoje tem um peso muito maior) o fez pagar o preço.

Os últimos vencedores do BBB, com exceção de Davi, foram escolhidos a dedo pelas marcas na selação do programa: tinham familiaridade com as redes, sabiam se comportar com o público e eram "comunicáveis". Davi não se encaixava nesse molde. Ele queria o prêmio, não a fama. E quando a fama veio, vieram as polêmicas: separação conturbada, negócios obscuros, acusações de violência contra mulher. Não teve a ajuda que outros tiveram para se posicionar na era onde os campeões do programa não vencem apenas o programa. Viram símbolos utilizados pelos patrocinadores e rostos para as marcas. E parte do público do programa não o vê como vencedor pois ele fez poucas propagandas (a maioria para empresas duvidosas), já que não se tornou garoto-propaganda como Bia do Brás ou um programa de TV como Fernanda Bande. 

O público que o elegeu o renegou. Exigiam dele uma pureza que nunca exigiram de outros. Exigiam que ele fosse perfeito num mundo que o empurrou para o abismo. Que ele cumprisse as promessas que ele fez no programa, como se casar com sua então "esposa" e fazer medicina, que foram vistas depois como mais mentirosas que promessa de político. E os políticos não sofreram a mesma cobrança e mesmo se ele cumprisse, seria chamado de forçado ou iriam dizer que ele não deveria fazer medicina por não saber ler e escrever com precisão. Davi é o único homem negro a vencer o BBB. E, se o racismo estrutural e a hipocrisia do público continuarem como estão, sempre passando o pano para participantes brancos ou considerados bonitos, será o único por muito tempo, visto que outros com perfil semelhante a ele já nascem odiados. Ele foi o ganhador mais protagonista dos últimos tempos e foi o que os fãs do reality nas redes desejam: alguém que movimentasse com brigas e discussões, além de falar na cara do adversário. Mas ele não tinha a aparência de como gostariam, que muitos sabem como gostariam.

Davi foi disruptivo pois foi contra a maré após o excesso de virtuosismo que os vencedores pós-Juliette deveriam apresentar, além de ter um pós como o dela sendo garoto-propaganda das marcas e tendo algum tipo de carreira artística, além de ter milhões de seguidores. Claramente ele não deveria vencer o programa, tendo influenciadores e marcas indo contra a ele. 

Perfil de próximo campeão disruptivo


A edição atual do programa, o BBB26, tem vindo de uma grande repercussão após a fraquíssima edição do BBB25. A atual edição do programa reúne além dos Pipocas e Camarotes, Veteranos de outras edições que voltaram nesta e que foram participantes marcantes que não venceram o programa. Tendo menos de um mês e diversos acontecimentos, a edição reúne alguns participantes que podem a vir a ser campeões disruptivos e entrarem nesta lista. Sendo assim, os principais candidatos e o porquê são:

  • Milena Lages (Tia Milena): a recreadora infantil passa por diversas polêmicas e é subestimada pelos colegas da casa. Apesar de comparada a Davi (e muitos torcerem o nariz), ela pode ser uma campeão disruptivo por possivelmente ser portadora de TEA (Transtorno do Espectro Autista), o que justifica alguns de seus comportamentos. Parte do público contesta sua ida a casa por ser um risco à ela e aos outros confinados e alguns a julgam por influenciar seu trabalho com crianças, além de pensarem que ela possa ser uma personagem. 
  • Campeão acima dos 40 anos: Na história do programa, nunca houve um campeão ou campeã acima dos 40 anos de idades. Marcelo Dourado foi o campeão mais velho (com 37 anos na época) e isso pode ser quebrado já que um terço do elenco atual tinha idade acima de 40 anos e seguem no jogo  Ana Paula Renault (44), Alberto Cowboy (49), Jonas Sulzbach (40) w Babu Santana (46), onde todos são ex-participantes e voltaram como "Veteranos" e já são quarentões. Por fora, temos o Pipoca Leandro Rocha (42) e a atriz Solange Couto (69), sendo Couto a mais velha do programa atual. Alguns dos favoritos da edição atual estão neste grupo.
  • Marciele Albuquerque: Caso ganhe (difícil pelo seu desempenho atual), a dançarina e influenciadora paraense, que é a cunhã-poranga do Boi Caprichoso, se tornaria a primeira participante indígena a ganhar a competição. Ela é somente a terceira participante autodeclarada indígena (da etnia Mundukuru) a participar do BBB e foi a que chegou mais longe até aqui. Os outros dois indígenas que participaram não passaram da primeira semana: o acreano Vanderson Brito do BBB19 (da etnia Huni Kuin) foi expulso devido a responder processo por agressão e importunação sexual antes do programa, com o caso prescrevendo; e Arleane Marques do BBB25 (da etnia Mura), que foi eliminada no primeiro paredão junto de seu marido (a disputa era em duplas). 
  • Ana Paula Renault: Além de poder ser a primeira campeã acima dos 40 anos, Ana Paula Renault pode quebrar dois tabus de uma vez: o primeiro é de ganhar o programa após ter sido expulsa do programa uma vez, onde em sua edição (BBB16), ela foi expulsa após dar um tapa no participante Renan. Outro tabu é de ser a primeira participante a ganhar o programa tendo passado por outro reality, já que ela participou da Fazenda em 2018 e foi a terceira eliminada.

Outros perfis que seriam disruptivos, além de incluir questões identitárias (não citei participantes de origem asiática ou sendo de outros espectros da sexualidade) ou mais velhos (já que o Brasil vive um processo de envelhecimento), incluem pessoas que entram na casa como sendo mais jogadoras do que participante, ou seja, tomam decisões racionais dentro do jogo e não estão nem aí para o que o público quer caso o entedam. Outro perfil impossível hoje e que seria disruptivo é de um participante que fosse considerado "100% vilão" da edição, ou seja, abraçados pelo público mesmo cometendo maldades como um vilão de novela. Embora vilões de séries e novelas tenham nos últimos anos ganhado mais destaque que os protagonistas, ainda não são aceitos como vencedores de reality show em sua maioria. Há outros perfis, que se quiserem, gastem um pouco de água para ter a resposta nas I.As da vida. 

Pois bem, esta foi a minha opinião sobre campeões disruptivos. Alguém faltou na lista? Algum nome não concordam. Deixe nos comentários o seu feedback (digo, opinião) e prometo este ano mais textos assim. 

Até logo. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Raio X - Quartas de final da Copa

 Agora que passamos pelas oitavas, vamos às quartas-de-final. Sem mais delongas, eis meus palpites:

Argentina X Holanda

Um jogo nada inédito na história das Copas. Pela 6° vez na história das Copas, Argentina e Holanda se enfrentam e pela 4° vez em uma fase eliminatória. Em 1974, a Holanda não teve dó dos hermanos e meteu 4 a 0. Mas o troco veio em 1978, quando os argentinos em casa, venceram a final contra os holandeses por 3 a 1 na prorrogação. Vinte anos mais tarde, em 1998, nesta mesma fase da Copa, os holandeses ganharam de virada (2 a 1) e foram as semis e enfrentaram a seleção brasileira. Em 2006, um empate em 0 a 0 na primeira fase. No último encontro entre as duas seleções, em 2014 no Brasil, um empate sem gols no tempo normal e uma vitória argentina nos pênaltis que levou aquela seleção à final. Agora, qual a história que argentinos e holandeses irão contar?

De um lado, um time que conta com o talento de Messi para desequilibrar. Do outro, uma das melhores defesas da Copa e com alguns dos melhores defensores do mundo. Nas oitavas, a Argentina venceu um jogo duro contra a Austrália e contando com a ajuda do goleiro australiano. Já a Holanda passou com mais tranquilidade (3 a 1) contra os EUA, aguentando a pressão ianque e matando o jogo nos contra-ataques. É bem provável que a Argentina detenha as ações do jogo, mas precisa tomar cuidado com o contra-ataque holandês diante de uma zaga que mostrou ter pontos fracos. A partida promete ser bem disputada e teremos um confronto de alto nível no Qatar.

Curisidade inútil: Argentina e Holanda também tem tradição e rivalidade em outro esporte sobre a grama: o hóquei. Assim como a versão mais famoso no gelo, os jogadores utilizam tacos e jogam um disco contra o gol adversário. Na última edição dos jogos olímpicos, Argentina e Holanda fizeram a final no hóquei feminino. Na decisão, as holandesas bateram as argentinas e ficaram com o ouro. Ambas as equipes já conquistaram o título mundial no esporte, com as holandesas levando vantagem. Já no masculino, as duas equipes tem tradição, mas sofreram com a...Bélgica.

Palpite: Um jogo que será bastante disputado, cuja torcida pode fazer a diferença.Os argentinos estão em maior número no Qatar e tem a simpatia dos locais. Mas a Holanda já mostrou que possui sangue frio e possui o contra-ataque para decidir as partidas. Mas a Argentina tem um craque que pode mudar tudo, ainda que bem marcado Um jogo disputado, mas que a Argentina mostra-se capaz de passar.

Placar: Holanda 1 X 2 Argentina (na prorrogação)


Brasil X Croácia

O jogo que abre as quartas-de-final nesta sexta possui um histórico recente em Copas do Mundo. Brasil e Croácia já jogaram em fase de grupos nas Copas de 2006 e 2014. No primeiro encontro, 1 a 0 para o Brasil. Em 2014, no jogo de abertura da Copa, o Brasil virou o jogo e ganhou a partida por 3 a 1. No entanto, minhas lembranças destes jogos foram de partidas duras e a de amanhã não será diferente, com a diferença de que quem perder volta para casa.

O Brasil, desde 2002, não ganha de um europeu na fase mata-mata de uma Copa do Mundo. Foram derrotas para França, Alemanha, Bélgica e para a Holanda (duas vezes). Com exceção do 7 a 1 ante a Alemanha, as demais partidas contaram com um Brasil que atacou e buscou o gol, mas que foi nocauteado nos momentos-chave do jogo. E desta vez, o Brasil precisa ficar muito esperto com a Croácia. A seleção dos Balcãs foi a última vice-campeã da Copa do Mundo e possui a experiência necessária para levar as partidas as fases mais tardias (prorrogação e pênalti). A Croácia fez assim contra o Japão, enquanto o Brasil vem embalado após a goleada de 4 a 1 contra a Coreia do Sul. Nesta partida, é previsível dizer que o Brasil, que repetirá a escalação da última partida, deverá enfrentar uma equipe bem armada na defesa e que poderá dificultar no meio-campo. Entretanto, a Croácia não tem um poderio ofensivo dos melhores (junto do Marrocos, possui o pior ataque entre as seleções desta fase). 

Curisidade inútil: A partida marca o confronto entre o país mais populoso desta fase da Copa contra o pais menos povoado destas quartas-de-final. Enquanto o Brasil, em 2022, possui 214 milhões de habitantes, enquanto a Croácia possui apenas 3,9 milhões de habitantes. Para se ter uma ideia desta diferença, a população croata é menor do que a da Zona Leste de São Paulo (atualmente na casa de 4 milhões de pessoas).

Palpite: Os croatas vão dificultar a vida dos brasileiros e vão se defender bem, mas sem deixar de atacar quando for necessário. Com certeza o Brasil terá mais volume de jogo e promete dar trabalho ao goleiro Dominik Livakovic (Dínamo Zagreb), o heroi das oitavas que defendeu 3 pênaltis. Mas é esperado que o Brasil vença o jogo pela qualidade técnica e se aproveitando de um cansaço da seleção croata, cujo time é mais velho e jogou uma prorrogação nas oitavas. Mas claro, se o Brasil jogar o que jogou com a Coreia. Se não, pênaltis a vista e vantagem para a Croácia.

Placar: Brasil 2 X 0 Croácia


Inglaterra X França

Até aqui, o maior confronto da Copa. Duas seleções campeãs mundiais e que estão em ótima fase (ao menos neste mundial). As equipes possuem uma grande rivalidade desde tempos antigos e protagonizaram muitas guerras. Mas agora, a guerra será em campo e um espetáculo deverá acontecer no Qatar.

Ambas as equipes apresentam os melhores ataques da Copa até aqui. Enuanto a Inglaterra marcou 12 gols, a França fez 9. E justamente a França tem o melhor jogador deste mundial: Mbappé. O jogador é o artilheiro desta Copa com 5 gols e é o homem a ser marcado do lado francês. Já do lado inglês, um jogador acostumado a marcar gols pelo seu time está neste momento na seleção ajudando a dar assistências. Harry Kane já serviu seus companheiros 3 vezes e ainda marcou um gol contra Senegal. Ambas as equipes foram muito bem nas oitavas: enquantoa  França bateu a Polônia por 3 a 1, a Inglaterra fez 3 a 0 em Senegal. Além dos craques, os times contam com grandes coadjuvantes para este confronto e qualquer um deles pode decidir o jogo.

Curisidade inútil: Ainda que não seja tão inútil, esta será a primeira vez que franceses e ingleses se enfrentam em uma fase de mata-mata da Copa. Nas outras ocasiões em que jogaram na Copa, todas foram pela fase de grupos. Em 1996, quando os ingleses foram campeões mundiais em casa, venceram a França por 2 a 0. Em 1982, novamente vitória inglesa por 3 a 1. 

Palpite: O jogo mais imprevisível até o momento, pois ambas as equipes tem condições de vencer a partida. Enretanto, dentro do jogo, os principais craques das equipes é que farão a diferença. Entre Mbappe e Kane, é esperado que o primeiro possa decidir (tal como foi em outros jogos). Mas em partidas assim, é bem provável que o jogo vá para pênaltis.

Placar: Inglaterra 1 X 1 França (nos pênaltis, a França ganha)


Marrocos X Portugal

Por fim, Marrocos e Portugal fazem mais um clássico histórico (tal como foi Marrocos e Espanha) da região do Estreito de Gibraltar. De um lado, a seleção africana que chegou pela primeira vez às quartas-de-final e do outro, uma seleção que quer consagrar o seu maior jogador. 

De um lado, o Marrocos vem de uma classificação heroica contra a Espanha após um empate sem gols no tempo normal. Sendo que agora detém a melhor campanha de uma seleção árabe em mundiais, os marroquinos contarão com a sua fanática torcida e com o apoio dos locais. Do outro, Portugal vem bem embalado após fazer uma goleada histórica contra a Suíça (6 a 1), após a corajosa decisão do técnico Fernando Santos de deixar o astro Cristiano Ronaldo no banco e colocar o jovem Gonçalo Ramos (Benfica), que foi o principal jogador das oitavas ao marcar 3 gols (o primeiro hat-trick da Copa). Certamente ambas as seleções vem embaladas e com qualidades opostas. Enquanto Portugal tem um ataque que fez 12 gols (melhor ataque ao lado da Inglaterra), os marroquinos tomaram apenas 1 gol até aqui. E contra a Espanha, a defesa do Marrocos fez a diferença e impediu os Espanhóis de chegarem ao gol e os marroquinos por pouco não mataram a partida. Certamente, o jogo balançará o Qatar.

Curisidade inútil: O lendário Rei português Dom Sebastião (1554-1578) estava presente na batalha de Alcácer-Quibir, que foi uma batalha travada entre Portugal e Espanha contra o Sultanato Saadiano, no atual Marrocos. Na batalha, Dom Sebastião desapareceu e nunca mais foi encontrado, levando a criação de um mito que dizia que um dia ele iria reparecer (popular em Portugal e também em algumas partes do Brasil). O mito, verdadeiro ou não, causou uma grande consequência: pelo fato de ter morrido e sem herdeiros, foi o fim da dinastia Avis em Portugal (que teria como regente Henrique I), o que resultou que o trono fosse parar nas mãos de Felipe II, que era primo do rei português. Nascia aí a União Ibérica, que teve grandes consequências não só em Portugal, como em sua principal colônia, um tal Brasil. Neste caso, vocês acabaram de descobrir que o Marrocos influenciou a história do Brasil muito antes da novela O Clone. 

Palpite: Um duelo de ataque contra defesa. É esperado que o Marrocos faça um jogo semelhante contra a espanha, dificultando o jogo português pelo meio e contra-atacando quando tiver chance, aproveitando-se da fragilidade da defesa portuguesa (a pior desta fase com 5 gols tomados). Entretanto, será difícil parar o ataque português, que mesmo sem Cristiano Ronaldo, mostrou capaz de fazer estragos e possui mais criatividade do que o espanhol para quebrar um time mais parelho como o norte africano. Passa Portugal, mas como diríamos no boxe, por pontos. 

Placar: Marrocos 1 X 2 Portugal

Bora que amanhã tem Copa pessoal. Sextou!!!

sábado, 3 de dezembro de 2022

Raio X - Oitavas de Final da Copa do Mundo 2022

Olá amigos! Há quanto tempo não nos vemos por aqui. Sabe como é a vida de um jovem adulto que trabalha bastante, vai à academia, estuda, dorme quando dá e nas férias...viaja. Bom, estou devendo muita coisa por aqui, mas sei bem que não sou obrigado a pagar ainda.

Após o deboche no primeiro parágrafo, vamos falar de um assunto que quase todo mundo tem falado: a Copa do Mundo de 2022. Sediada no Qatar, o país contrário a alegria do povo e envolvido em trocentas mutretas com relação aos direitos humanos, a Copa teve muitas emoções até a última rodada da Fase de Grupos. Algumas gratas surpresas e outras nem tanto, como seleções que decepcionaram em campo e pareciam que iriam longe. Não é mesmo Alemanha, Bélgica, Uruguai e Dinamarca? Ao contrário destas aí, outros favoritos avançaram como a França, Inglaterra, Argentina e não menos importante, o Brasil. Um ponto importante é que pela primeira vez na história temos representantes de todos os continentes nestas Oitavas de Final. São eles:

Américas: Brasil. Argentina e EUA

Europa: França, Espanha, Portugal, Holanda, Inglaterra, Suíça e Croácia

África: Semegal e Marrocos

Ásia: Japão e Coreia do Sul

Oceania: Austrália (na matéria, iremos falar a observação).

Bem, agora vamos as análises dos jogos e aos meus palpites.

Holanda X EUA

Abrindo as oitavas-de-final, o encontro entre neerlandeses e estadunidenses talvez seja o jogo mais fraco destas oitavas. Tudo por conta do péssimo futebol jogado por ambas as equipes e que não vivem grande momento. Mas ambas foram longe, já que as duas ficaram de fora da última Copa.

A Holanda, de Louis Van Gaal, é vista como favorita no confronto. Possui alguns bons jogadores, como o zagueiro Virgil Van Dijk (Liverpool-ING), o meia Frank De Jong (Barcelona - ESP) ou mesmo Memphis Depay (Barcelona-ESP). Mas quem tem brilhado até aqui é o jovem meia-atacante Cody Gakpo (PSV), artilheiro da equipe com 3 gols. Mesmo com o destaque de mais um promissor craque vindo da Terra dos Moinhos, o futebol apresentado pela equipe está abaixo da crítica. Venceu o primeiro jogo contra Senegal após ter sido pressionado o jogo totdo. No empate em 1 a 1 contra o Equador, a seleção sulamericana poderia ter saído com a vitória  pelo futebol apresentado (a trave salvou os europeus). Por fim, um 2 a 0 contra um já eliminado Qatar para garantir a classificação em 1° lugar do grupo, mas tendo corrido perigo contra equipes vistas como inferiores.

Já os EUA foram bem discretos. Começaram empatando em 1 a 1 contra o País de Gales de Bale, num resultado que poderia complicar os ianques. Mas após segurar um 0 a 0 contra a favorita do grupo Inglaterra em que por muito pouco não saiu com a vitória, venceu o jogo decisivo contra um rival da geopolítica mundial: o Irã. O 1 a 0 sobre os persas garantiram os estadunidenses a classificação às oitavas, graças ao gol marcado pelo seu melhor jogador Christian Pulisic (Chelsea-ING). A equipe, ainda que bem organizada taticamente, não tem tantos jogadores de renome como a Holanda. Mas além de Pulisic, os meias Weston Mckennie (Juventus -ITA) e Yunus Musah (Valencia-ESP) são outros destaques de uma das equipes mais jovens da Copa (média de 25,2 anos).

Curisidade inútil: Na Copa do Mundo Feminina de 2019, disputada na França, a final foi disputada entre os EUA e a Holanda. Na ocasião, as estadunidenses levaram a melhor ganhando o jogo por 2 a 1. Nas últimas Olimpíadas, as duas equipes voltaram a se enfrentar nas quartas-de-final e novamente as ianques gamharam das holandesas nos pênaltis, após um empate de 2 a 2 no tempo normal.

Palpite: Pelo que foi apresentado pelas duas equipes, espero um jogo em que a Holanda espere bastante pelos EUA para contra-atacar. Em um jogo que não terá grandes chances, a Holanda irá aproveitar melhor as oportunidades que os EUA irá oferecer. Será um duelo de duas equipes que sofreram apenas 1 gol em toda a Copa e no caso dos EUA, o único gol sofrido foi de pênalti.

Placar: Holanda 1 X 0 EUA 

Argetina X Austrália

O duelo mais esperado do sábado traz uma das seleções favoritas ao título contra uma equipe que surpreendeu todo mundo e chegou nesta fase do torneio sabe-se lá como.

Os argentinos, após uma derrota histórica ante a Arábia Saudita, reagiram e garantiram sua vaga ao derrotar por 2 a 0 as seleções do México e da Polônia, que em teoria são mais fortes que a equipe saudita. Os atuais campeões da América tem uma motivação a mais para vencer: é a última Copa do craque Lionel Messi (PSG-FRA), que vem sendo decisivo nos jogos e está disposto a ter um título que ainda não tem em sua galeria. Tendo bons coadjuvantes, tais como Lautaro Martínez (Inter de Milão-ITA), Angel Dí Maria (Juventus-ITA) que não vai jogar por conta de uma lesão e os jovens Enzo Fernández (Benfica-POR) e Julian Álvarez (Manchester City-ING), os argentinos comandados por Lionel Scaloni superaram as adversidades do primeiro jogo e mostram um futebol competitivo e ao contrário de outras equipes da Argentina no passado, vem com uma solidez defensiva que faltava para um ataque sempre poderoso.

Já os azarões australianos voltam a uma fase decisiva de Copa do Mundo após 16 anos. Em comum nestas duas classificações, os Kangoroos conseguiram a vaga na Copa após ganhaarem na repescagem intercontinental contra seleções sulamericanas (Uruguai em 2016 e Peru em 2022) nos pênaltis para garantir seu lugar na fase de grupos. Nela, uma goleada sofrida para a atual campeã França por 4 a 1 seria o natural para uma equipe que nas últimas Copas não passou da fase de grupos. Entretanto, contra todos os prognósticos, a equipe australiana superou por 1 a 0 Tunísia e a favorita Dinamarca pelo mesmo placar, para conseguir a classificação. Tendo um estilo bem defensivo, buscando o ataque em bolas aéreas ou em contra-ataques, a Austrália irá se defender a todo custo contra os argentinos e fazer um gol para surpreender. E para segurar Messi e cia, contam com o goleiro Matt Ryan (Copenhagen-DIN).

Curiosidade inútil: Este será o primeiro confronto desta Copa do Mundo entre dois países que estão no Hemisfério Sul. 

Palpite: Prevejo um confronto de ataque contra defesa o jogo todo, tendo a Argentina tomando conta das ações do jogo e a Austrália se defendendo como pode. Se a Argentina fizer um gol nos primeiros minutos, certamente veremos uma goleada dos hermanos, o que acredito que aconteça.

Placar: Argentina 3 X 0 Austrália

França X Polônia

Abrindo os trabalhos de Domingo, um confronto entre dois europeus que contam com dois dos melhores atacantes do mundo. Entretanto, a estrutura dos dois times torna a vida de ambos bem diferente.

A França veio com dúvidas para esta Copa. Na preparação, alguns dos seus principais jogadores se machucaram e não puderam participar, como N'Golo Kanté (Chelsea-ING), Paul Pogba (Juventus-ITA) e o atual melhor jogador do mundo e campeão da Champions Karim Benzema (Real Madrird-ESP). Porém, a equipe de Mbappé (PSG-FRA), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid-ESP) e cia tem superado os desfalques e apresentado um bom futebol, mostrando ter um dos melhores elencos entre as seleções, com Mbappé sendo um dos artilheiros do torneio com 3 gols. Foi uma das poucas equipes que garantiram a vaga antecipadamente, ao bater a Austrália (4 a 1) e a até então pedra no sapato Dinamarca (2 a 1). É verdade que jogando com reservas, perdeu de 1 a 0 da Tunísia. Mas só pelo fato de ter superado as baixas, que ainda aconteceram na Copa, como o lateral Lucas Hernández (Bayern de Munique-ALE) e a "maldição" do campeão da Copa anterior ser eliminado na Copa seguinte, mostra que Les Bleus são favoritos ao título.

Do outro lado, a Polônia chega nesta fase do torneio após apresentar o pior futebol dentre os classificados desta edição do torneio. Após um empate em 0 a 0 na estreia contra o México, onde o astro Robert Lewandowski (Barcelona-ESP) perdeu um pênalti, os poloneses ganharam da Arábia Saudita por 2 a 0 em um jogo onde o goleiro Wojciech Szczęsny (Juventus-ITA) defendeu um pênalti e evitou vários gols dos árabes. Por fim, a partida que muitos torceram para a eliminação polaca: a derrota por 2 a 0 para a Argentina mostrou uma Polônia apática, que não deu um chute a gol e que não foi pior graças a atuação do goleiro Szczęsny, que defendeu um pênalti de Messi. O México, que venceu a Arábia Saudita por 2 a 1, foi eliminado pelo saldo de gols. O craque Lewa, o melhor do mundo pela FIFA nos últimos dois anos, ao contrário de Mbappé não conta com tantos companheiros de alto nível como ele, além do goleiro e do meia Piotr Zielisnki (Napoli-ITA), outro destaque na atual temporada europeia e que marcou um gol, conseguiram com um futebol pífio levar a Polônia a uma fase decisiva de Copa após 36 anos (a última vez foi no México em 1986).

Curiosidade inútil: O confronto marcará o encontro de dois dos países que mais sofreram na Segundo Guerra Mundial, tendo ambos sido ocupados pela Alemanha N*z* e sendo os primeiros países a sofrerem as consequências da trágica guerra.

Palpite: Uma goleada é tudo que quero para este jogo. Admiro muito Lewandowski, mas com uma equipe destas e apresentando um futebol covarde em todos os jogos até aqui, torço para uma goleada da França e que é bem possível pelo atual estado das duas seleções. A França irá apostar na velocidade de seu ataque para matar o jogo rapidamente, enquanto os poloneses tenatarão contra-atacar tendo Lewandowski na frente.

Placar: França 4 X 1 Polônia

Inglaterra X Senegal

Um interessante confronto no domingo entre duas seleções que estão entre as mais fortes de seus continentes e que certamente marca um dos jogos mais equilibrados destas oitavas-de-final.

Atual vice-campeão europeu e alcançado o 4°lugar na última Copa do Mundo, a Inglaterra vem iludindo mais uma fase o torcedor. Embora contando com grandes jogadores que atuam na badalada Premier League, os ingleses tem atuações que oscilam entre altos e baixos. Começando com um sonoro 6 a 2 para cima do Irã, a equipe atuou mal no empate sem gols contra os EUA. Por fim, garantiu sua classifcação ao fazer 3 a 0 no País de Gales jogando para o gasto. Embora o ataque da equipe seja um dos melhores desta fase de grupos (fez 9 gols, assim como a Espanha), o astro Harry Kane (Tottenham), notório por seus gols na Premier League, tem sido mais garçom de um ataque formado por Raheem Sterling (Manchester City) e Bukayo Saka (Arsenal). A equipe conta com vários jogadores talentosos no ataque como Phil Phoden (Manchester City) e no meio como Jude Bellingham (Borussia Dortmund-ALE), mas a falta de manejo do técnico Gareth Southgate e a falta de experiência de muitos jogadores faz a equipe ser bem imprevisível.

Após 20 anos, Senegal volta a uma fase de mata-mata em Copas e quer novamente fazer história. Tendo em 2002 alcançado às quartas-de-final, hoje conta com um treinador que fazia parte daquele histórico time. Aliou Cissé é o treinador da equipe desde 2015 e com ele, a equipe foi a duas Copas do mundo (2018 e 2022) e ganhou a última Copa Africana de Nações para a festa do país fanático por futebol. Havia dúvidas se a equipe conseguiria se classificar sem o seu principal jogador, o atacante Sadio Mané (Bayern de Munique-ALE), que se lesionou uma semana antes do início do torneio e comoveu todo o país, já que se trata da principal estrela da equipe. Porém, os senegaleses superaram as adversidades. Primeiro, a falta do astro. Segundo, a derrota na estreia por 2 a 0 para a Holanda mesmo tendo apresentado um bom futebol. Após isso, os africanos ganharam do Qatar por 3 a 1 e conseguiram a classifcação no duelo direto contra o Equador por 2 a 1. Ainda que a falta de Mané cause sintomas no ataque, já que sem ele Senegal perde sua principal arma ofensiva, na defesa Senegal apresenta sua principal força (e que tem sido nos últimos anos). Contando com um dos melhores goleiros do mundo, Édoard Mendy (Chelsea-ING) e um dos grandes zagueiros do futebol mundial, Kalidou Koulibaly (Chelsea-ING), a equipe quer fazer história mais uma vez e botar mais um campeão do mundo fora.

Curiosidade inútil: Apesar de estarem em continentes diferentes, ambos os países tem o mesmo fuso horário. Ou seja, o horário de Dakar (capital de Senegal) é o mesmo de Londres.

Palpite: Sendo um dos jogos mais imprevisíveis da Copa, será um jogo bem truncado e com Senegal a todo custo segurando a Inglaterra. Obviamente, os ingleses contam com mais qualidade técnica, mas não podem vacilar contra os senagales, mesmo sem Mané. Se a equipe senegalesa conseguir acertar o pé e não perder tantos gols, será um perigo para os ingleses. Entretanto, após o jogo ir para a prorrogação, a Inglaterra vence o jogo

Placar: Inglaterra 2 X 1 Senegal (prorrogação)

Japão X Croácia

No jogo mais alternativo da Copa nesta fase, Japão e Croácia medirão forças. Os japoneses querem ir mais longe do que foram em 2002, 2010 e 2018 quando foram eliminados nas oitavas. Já os crotas, atuais vice-campeões do mundo, querem ir longe mais uma vez e mostrar que o resultado de 2018 não foi um acidente.

O Japão pode ser considerado a grande surpresa da Copa até aqui. Em um grupo com dois campeões mundiais (Alemanha e Espanha), a equipe conseguiu superar ambos pelo placar de 2 a 1, tendo virado ambos os jogos no segundo tempo. Por conta disso, mesmo perdendo para a Costa Rica, que havia sido goleada pela Espanha, o mental dos japoenses não foi abalado. Jogando um futebol rápido e que vem apresentando evolução nos últimos anos, visto que na última Copa o Japão quase eliminou a Bélgica (algoz do Brasil em 2018), a equipe japonsesa vem com um time que, ainda que não conte com jogadores conhecidos na Europa e vários jogadores jovens, tem uma mescla de experiência de jogadores experientes como o lateral Yuto Nagatomo (Tokyo F.C), com passagens por ligas europeias aos jovens atacantes Daichi Kamada (Eitracht Frankfurt-ALE) e Ritsu Doan (Freiburg-ALE).

Já a Croácia, atual vice-campeã do mundo, conta com vários nomes conhecidos mundialmente. A começar pelo craque Luka Modric (Real Madrid-ESP), que na temporada da última Copa foi considerado o melhor jogador do mundo. Os meio-campistas da equipe são conhecidos das grandes ligas europeias, como Marcelo Brozovic (Inter de Milão-ITA) e Mateo Kovacic (Chelsea-ING), além do experiente atacante Ivan Perisic (Tottenham-ING). Mesmo com estes nomes, parte do time vice-campeão em 2018, a equipe apresentou um futebol abaixo do esperado, mas ainda suficiente para garantir a equipe nesta fase. Se na primeira rodada empatou em 0 a 0 com o Marrocos, os croatas golearam o Canadá por 4 a 1 (de virada), se aproveitando dos erros da defesa canadense e por fim, seguraram o empate em 0 a 0 com a Bélgica para se classificarem. Terão que correr muito atrás dos japonses.

Curiosidade inútil: Croácia e Japão enfrentam um grave problema em comum: a baixa natalidade, que faz com que suas populações diminuam ano após ano, tendo a Croácia ainda o problema de muitos jovens que se mudam para fora do país. Com isso, a população do Japão até o final deste século irá se reduzir pela metade passando de 126 milhões de habitantes hoje para 64 milhões. Já a Croácia, que hoje possui 3,9 milhões de habitantes terá cerca de 2,4 milhões de habitantes até o fim deste século. Nos últimos 10 anos, a Croácia perdeu, segundo estimativas, cerca de 400 mil pessoas (quase 10% de sua população). Com essa queda, provável que menos jogadores surjam nestas equipes nos próximos anos, a menos que incentivem a imigração de outros lugares para segurar a queda em suas populações, porém ambos os países são resistentes a imigrantes.

Palpite: A Croácia, tendo um meio-campo mais forte, irá segurar o jogo e tomar as ações ofensivas, mas sem grande efeitvidade. O Japão apostará na velocidade dos pontas e nos contra-ataques para vencer. Mas nenhuma equipe balançará o gol durante os 90 minutos + acréscimos + prorrogação. O que fará a partida ser decidida nos penâltis e por ter melhores batedores, a Croácia passa.

Placar: Japão 0 X 0 Croacia (croatas ganham nos pênaltis)

Brasil X Coreia do Sul

Para deixar a segunda-feira do brasileiro mais legal, a seleção Brasileira enfrenta a sul-coreana, que surpreendeu os prognósticos que previam um Brasil vs. Uruguai nesta fase do torneio. Enquanto o Brasil é tratatdo por muitos como o principal favorito para o título, a Coreia do Sul vem como um dos grandes azarões da Copa que pela primeira vez na história tem 3 equipes asiáticas nas oitavas (a Austrália, mesmo localizada na Oceania, disputa a Copa pela Ásia).

A seleção brasileira vem querendo conquistar o hexa a uns 20 anos. Desde então, acabou tendo fracassos ante equipes europeias que fazem fronteira entre elas como França (2006), Holanda (2010), Alemaha (2014) e Bélgica (2018). Todo o cuidado é pouco com os coreanos, embora o último encontro entre as equiés tenha acabado em uma goleada de 5 a 1 para os brasileiros. A equipe tem apresentado uma defesa bem compacta e um ataque criativo e que finaliza bastante, mas peca em acertar o gol.Obviamente, o Brasil sente a falta de seu principal jogador: Neymar. Mesmo com as polêmicas recentes, ele é o principal jogador da seleção e vinha em grande fase no PSG (após quase ter sido dispensado). Mas ao se machucar no primeiro jogo contra a Sérvia, teve que fazer a seleção encontrar o rumo sem Neymar e nos pés de Richarlison (Tottenham-ING) e Casemiro (Manchester United-ING) os gols nas vitórias conta a Sérvia (2 a 0) e Suíça (1 a 0). Com reservas e numa atuação pífia, perdeu para Camarões por 1 a 0 e a chance de ter sido a melhor equipe da primeira fase do tonreio. Mesmo assim, a equipe canarinha ainda se mantém favorita e precisa provar nesta fase do torneio. É esperado que com a volta de Neymar e dos lateriais titulares Danilo (Juventus-ITA) e Alex Sandro (Juventus-ITA), apesar dos reservas Alex Telles (Sevilla-ESP) e Gabriel Jesus (Arsenal-ING) terem lesões que os tirarão do torneio, a equipe possa voltar em alto nível.

Já a Coreia do Sul foi contra todos os prognósticos do Grupo H. Após um primeiro jogo fraco onde seguraram o empate por 0 a 0 contra o Uruguai, tudo parecia perdido para a equipe asiática ao perder por 3 a 2 para Gana. Porém, aproveitando-se da escalação da equipe reserva de Portugal, venceu os lusos por 2 a 1 de virada e garantiu a vaga após o Uruguai ganhar de 2 a 0 de Gana e não superar o saldo dos coreanos. Agora, a equipe que fez a melhor campanha de um time asiático em Copas (4°lugar em 2002, quando sediou a Copa junto do Japão) e que não alcançava esta fase do torneio desde 2010, tenta fazer jogo duro diante de um dos favortios ao título. Ainda que conte com um dos melhores atacantes do mundo no momento, Heung-Min Son (Tottenham-ING) e com o zagueiro destaque do futebol italiano Kim Min-Jae (Napoli-ITA), a equipe não possui tantos nomes conhecidos internacionalmente. Apostando na velocidade de Son no ataque, esta será a Coreia do Sul contra o Brasil.

Curiosidade inútil: A cultura sul-coreano tem se tornado cada dia mais popular, visto produções como Parasita (2019), que foi o primeiro filme em língua não-inglesa a ganhar a categoria de Melhor Filme no Oscar ou Round 6 (Squid Game no original, 2021) ser a séria mais vista da história da Netflix, além do sucesso do gênero K-Pop pelo mundo graças a grupos como o BTS. E o Brasil tem contribuído para o sucesso da Coreia do Sul pelo mundo, visto que segundo o Spotify, o Brasil é o 5° maior consumidor de K-Pop do mundo. Segundo um outro levantamento, os brazucas estão no TOP 3 em consumo de Doramas (dramas e novelas orientais). 

Palpite: Brasil certamente irá dominar as ações do jogo, com a Coreia jogando no erro da seleção e apostando tudo na velocidade do ataque. A seleção brasileira certamente jogará contra uma equipe bem retrancada na defesa tal como foi contra Sérvia e Suíça e para superar isso, deverá fazer o gol logo no começo do jogo, algo que não ocorre há 5 partidas de Copas do Mundo. O Brasil é favorito, mas não pode contar com a sorte.

Placar: Brasil 2 X 0 Coreia do Sul 

Marrocos X Espanha

Um confronto que poucos esperavam e na condição que se encontra. De um lado, a seleção do Marrocos, que fez uma das melhores campanhas da 1° fase da Copa. Do outro, a badalada Espanha que começou a Copa como o melhor futebol jogado. Agora, uma incógnita.

A seleção africana chegou à copa sem muitas expectativas. Teve uma mudança de técnico pouco antes da competição e não estava jogando um grande futebol. Mas eis que numa Copa do Mundo tudo muda. Após um começo morno em um empate de 0 a 0 contra a Croácia, eis que os marroquinos surpreenderam a favorita do grupo, a Bélgica, vencendo o jogo por 2 a 0. Por fim, encerraram a primeira fase garantindo a liderança do grupo ao ganhar por 2 a 1 contra o Canadá. Chama atenção o bom toque de bola da equipe e o bom controle que a equipe possui, mesmo quando enfrentando adversários mais fortes, não se fechando totalmente. E tudo isso graças a uma geração de jogadores que nasceram fora do Marrocos. Dos 26 convocados pelo técnico Walid Regragui, cerca de 14 deles nasceram em países europeus como França, Bélgica, Holanda e Espanha. Incluindo as duas principais estrrelas da equipe, o lateral Achraf Hakimi (PSG-FRA) que nasceu na Espanha e veio da base do Real Madrid e Hakim Ziyech (Chelsea-ING), holandês de nascimento e cria do Herenveen.

Já a Espanha chegou à Copa com uma equipe renovada e que na primeira partida, assustou o mundo ao ganhar por 7 a 0 da Costa Rica. Apresentando um futebol agressivo que não deixou o adversário dar um chute a gol, parecia que a Espanha se colocaria entre os favoritos. Mas no clássico contra a Alemanha, o empate de 1 a 1 mostrou que a equipe precisava de mais contra equipes mais fortes ou mais tradicionais, mesmo a Alemanha não estando em seus melhores dias. Por fim, com um time alternativo, perdeu por 2 a 1 para o Japão e quase se viu eliminada quando a Costa Rica esteve vencendo a Alemanha. Porém a vitória alemã por 4 a 2 garantiu os espanhóis na próxima fase pelo saldo de gols (graças a goleada na Costa Rica). Ainda que tenha tido maus resultados após a goleada, a Espanha quer mostrar que não veio à Copa a passeio e repetir o título conquistado em 2010, apagando as últimas participações em 2014 (quando foi eliminada na fase de grupos) e em 2018 (quando caiu nas oitavas para a Rússia). Para isso, o treinador Luis Enrique conta com o talento promissor dos jovens do Barcelona Pedri e Gavi. 

Curiosidade inútil: Mesmo estando em continentes diferentes, Marrocos e Espanha estão separados por cerca de 15 km (no ponto mais estreito) pelo Estreito de Gibraltar. Entretanto, a Espanha possui teritórios em território marroquino, controlando as cidades de Ceuta e Melila, que são reclamadas pelo Marrocos. Isso faz com que os dois países, embora não pareçam, façam fronteira. Outra treta territorial entre os dois países é referente ao Saara Ocidental, um território que fica no Oeste africano que foi colônia da Epsanha até 1976. Após o local deixar de ser colônia espanhola, este foi invadido e anexado pelo Marrocos e até hoje luta para ser considerado independente, enquanto o Marrocos alega que o território foi parte de seu reino em tempos mais antigos e que fora roubado pela Espanha no tempo da colonização africa no século XIX. Para a ONU, a Espanha jamais deixou de ter colonizado esta área pois o país não formalizou a descolonização do mesmo, fazendo que o Saara Ocidental seja oficialmente um território espanhol em solo africano e ocupado pelo Marrocos (cerca de 80% do país).  Apesar deste histórico, a Espanha possui a segunda maior comunidade marroquina fora do Marrocos com quase 940 mil pessoas (atrás apenas da França, com 1,1 milhão de pessoas).

Palpite: Será uma das partidas mais movimentadas desta edição, com certeza. Ambas as equipes trabalham bem a bola no meio-de-campo e buscam o ataque o tempo todo, contando com uma boa qualidade técnica para isso. Logicamente, a Espanha possui uma maior qualidade técnica no geral, porém não pode dar mole para os Leões do Atlas como a Bélgica fez. Espero muitos gols.

Placar: Marrocos 2 X 3 Espanha

Portugal X Suíça

Para encerrar as oitavas-de-final desta Copa do Mundo, um confronto europeu. De um lado, a seleção portuguesa que busca a consagração de um grande craque. Do outro, uma equipe que conta com uma defesa bastante sólida e que dá trabalho para os adversários (Brasil que o diga).

A seleção portuguesa chega para as oitavas tendo feito uma fase de grupos consistente, mas com alguns sustos na defesa. Quando parecia ter ganho o o jogo de estreia, sofreu 2 gols para Gana (partida encerrada em 3 a 2). Na partida contra o Uruguai, conseguiu uma boa vitória por 2 a 0, mas com alguns sustos na defesa. Por fim, a derrota por 2 a 1 ante a Coreia do Sul não foi um problema, pois os lusos garantiram a liderança da chave e a classificação antecipada. Com isso, a equipe liderada pelo agora sem clube Cristiano Ronaldo, que busca um título inédito para Portugal em sua provável última Copa, vem acompanhado de uma nova geração que irá substituí-lo no ataque, tendo Rafael Leão (Milan-ITA) e João Félix (Atlético de Madrid-ESP) como destaques, além de nomes mais estabelecidos como Bernardo Silva (Manchester City-ING) e Bruno Fernandes (Manchester United-ING) no meio e João Cancelo (Manchester City-ING) na defesa. Mesmo com os bons nomes, Portugal sofre críticas pelo fato de seu técnico, Fernando Santos, não ser tão ofensivo e sofrer em muitas partidas sem necessidade, ainda que ele seja responsável pelos títulos da Eurocopa de 2016 e da Liga das Nações da Europa em 2020, os únicos títulos de Portugal na história.

A seleção suíça chega às oitavas-de-final pela terceira vez seguida e busca passá-la pela primeira vez. Para isso, terá que segurar alguns dos melhores atacantes do mundo que estão do outro lado. Neste caso, aposta em nomes da defesa para segurar CR7 e cia, contando com a boa zaga formada por Manuel Akanji (Manchester City-ING) e Nico Elvedi (Borussia Mönchegladbach-ALE), além do meia Granit Xhaka (Arsenal-ING) e dos gols de Breel Embolo (Monaco-FRA). A equipe fez uma apresentação morna na vitória de 1 a 0 contra Camarões e depois perdeu de 1 a 0 para o Brasil, onde conseguiu se segurar por boa parte do jogo. Garantiu a sua classificação ao ganhar um emocionante jogo contra a Sérvia (3 a 2), que quase eliminou os portugueses da Copa nas eliminatórias, repetindo a partida tensa que teve contra os sérvios em 2018 na fase de grupos (que o Brasil esteve também). Os suíços precisarão de frieza e competência para tirar Portugal da Copa.

Curiosidade inútil: Portugal e Suíça tiveram uma atitude em comum durante a II Guerra Mundial: se declararam neutros, ainda que com controvérsias: enquanto os portugueses estavam sob o regime do Estado Novo, um regime fascista e autoritário, os suíços guardaram em seus bancos tesouros e bens dos judeus perseguidos pela Alemanha durante o período

Palpite: Um confronto de ataque contra defesa, com Portugal tomando as ações do jogo e buscando o gol desde o começo, ainda que Cristiano Ronaldo fique muito marcado pela defesa suíça. Para a Suíça, resta se segurar na defesa e apostar no contra-ataque diante de uma defesa mais lenta como é a de Portugal, que durante a competição perdeu dois jogadores de defesa considerados titualres: o volante/zagueiro Danilo Pereira (PSG-FRA) e o lateral Nuno Mendes (PSG-FRA).Mesmo com o jogo duro dos suíços e um histórico mais favorável nos confrontos entre as equipes, Portugal vencerá na prorrogação.

Placar: Suíça 0 X 1 Portugal (Prorrogação)

Bem gente, aí foi a minha análise sobre os jogos destas oitavas e as minhas apostas. Sei que vou errar muita coisa, mas to nem aí. Estou pela diversão, assim como muito de nós que assistimos e gostamos de futebol.
Até amanhã e bons jogos!

sábado, 16 de abril de 2022

A pééssima dicção dos brothers do BBB22

Muita gente está decepcionada com o BBB deste ano. O reality que costuma parar o Brasil e virar alvo de altos debates nas redes sociais, este ano não tem agradado. A falta de bons enredos, participantes apáticos, provas e dinâmicas ruins e uma grande expectativa do público que a edição deste ano fosse igual as duas últimas edições que pararam o Brasil, sendo marcado também pela participação dos famosos. Porém, o "cancelamento" de diversos artistas devido as atitudes dentro do programa fizeram os participantes deste ano tomarem mais cuidado com as câmeras e assim, o programa virou um "colônia de férias" segundo os twiteiros. 
Porém, um outro motivo pode estar por trás do floop desta edição: a péssima dicção de alguns participantes. Na edição do ano passado, a participante Thaíz Braz ficou marcada por discursos em que o público não a entendia. A forma de falar da ex-sister ficou marcada, com gaguejos e vícios gramaticais (ela falando tipo a cada 3 segundos) e ela foi alvo de muitos comentários maldosos, contestando a sua inteligência e julgando o fato de como ela tinha conseguido se formar em odontologia (ela até então era dentista). Muitos consideram a goiana como uma das maiores "plantas" da edição (planta é o termo usado para participantes que pouco participam do jo).
Na edição atual, alguns participantes foram muito elogiados por sua boa dicção e capacidade de persuassão e de fazer ótimos discursos. Isso fez estes participantes serem vistos como favoritos (até alguns serem eliminados). Os três conseguiram de alguma forma cativar o público nos momentos em que tinham que fazer discursos, especialmente nos tradicionais jogos da discórdia. 
Mas alguns participantes decepcionaram o público pela sua péssima dicção, ou seja, o público muitas vezes não compreendia as falas dos paticipantes, seja no ao vivo ou nos VTs da edição. Os internautas criticaram estes participantes e até absolveram a já mencionada Thaiz, visto que fora do BBB ela tem gravado vídeos que mostram que ela sabia falar muito bem. Porém o nervosismo atrapalha na comunicação. A tensão do BBB pode levar estes participantes a não se comunicarem bem com as câmeras.
E o blog vai mostrar quem são alguns dos participantes com "dicção de centavos".


Laís


Fonte: Divulgação Globo

A médica goiana foi a participante que foi eliminada com a maior rejeição da edição, com mais de 91% no paredão. Rejeitada por falas consideradas racistas contra o ator Douglas Silva, a modelo Nathália Deodato e a atriz Linn da Quebrada e do seu embate, visto como sem sentido contra Arthur Aguiar e até debochar da altura do mesmo, dizendo que não tem altura para ser homem, Laís teve participação que no início parecia de planta, sendo uma sombra de Jade Picon e da modelo Bárbara Heck, mas foi crescendo com os embates contra Arthur Aguiar e seu romance com o bacharel  e ex-casa de vidro Gustavo Marsengo, utilizando o relacionamento para escapar do paredão enquanto deu. 
Em alguns momentos, Laís foi massacrada pelos fãs de Arthur Aguiar por sempre gaguejar ante os embates com Arthur Aguiar e assim, apresentar argumentos pouco convicentes para se defender. Porém, há controvérsias quanto a isso pelo fato de Arthur constantemente interromper suas falas enquanto falava e assim, fazer com que a médica parecesse estar errada, fazendo Arthur ser acusado de gaslighting. Mas isso não impediu Laís de ter suas falas criticadas por não serem coerentes com a realidade e a mesma foi acusada de espalhar muitas fofocas (sendo até alvo de piada pelos patrocinadores). Por fim, sua voz também era alvo de críticas e não era considerada agradável. 

Pedro Scooby

Fonte: Divulgação Globo

O surfista Pedro Scooby chegou com grande expectativa. Mais conhecido por seus relacionamentos conturbados com a atriz Luana Piovanni (do qual é pai de seus três filhos) e com a cantora Anitta do que pelo esporte (embora seja considerado um dos melhores surfistas de ondas gigantes do mundo), Scooby poderia causar mais no programa. Porém, o surfista tem sido criticado por sua postura pouco ativa no jogo e de estar apenas de férias no programa, causando em momentos como perguntado a Tadeu Schmidt se poderia votar em si mesmo ou se vetar de um prova. Porém ele vem crescendo no jogo, já que costuma ser forte nas provas e já ganhou a liderança algumas vezes, além de começar a se posicionar no jogo.
Mas a comunicação de Scooby é um tanto confusa e até é zoada pelos VTs da edição. O fato de parecer perdido e dar umas pausadas ao som de "Because I got high" de Afroman, já que muitos internautas acreditam que o surfista é usuário daquela droga lá. Tanto que as vezes fica difícil saber o que Scooby quer dizer e qual o sentido de sua estratégia. Mas pelo fato de ser visto como engraçado, até agora está no programa.

Bárbara

Fonte: Divulgação Globo


A gaúcha Bárbara Heck é modelo e formada em Relações Públicas. Mesmo sendo uma participante Pipoca, ou seja, supostamente não famosa, ela já era conhecida em participações do programa "Conexão Models" da RedeTV e ser seguida por Neymar (tendo sido apontada como affair do mesmo). No programa, aparentemente mostrava potencial por ter ganho a primeira prova de resistência da edição e mostrar inteligência nas primeiras semanas. Porém, ao longo da edição, a loira começou a fazer fofocas e não falar o que realmente pensava na cara dos outros participantes, apenas dizendo isso para as amigas Jade Picon e Laís Caldas, além de hipóteses de que ela sofre de transtornos alimentares. Por conta disso, saiu como uma das mais rejeitadas da edição.
Bárbara mostrava potencial, mas logo caiu. Muitos acreditam que além de suas péssimas escolhas, a falta de carisma e sua péssima dicção causaram sua repulsa pelo púlico. O fato de a modelo falar muito rápido e tendo um sotaque muito carregado, fez suas ideias não serem bem compreendidas e até mesmo a irmã da ex-sister disse em entrevista ao programa "Fora da Casa" no Multishow que ela deveria passar em um fonoaudiólogo e que era difícil assistir a irmã no BBB devido a dicção.

P.A

Fonte: Divulgação Globo

O atleta corredor dos 100 metros rasos, Paulo André Camilo foi um dos participantes "Camarote", sendo conhecido por ter grandes índices brasileiros da prova. Abrindo mão de competições como o Mundial do Atletismo, o atleta, apesar de ser considerado o grande galã do programa atual, pouco causou no programa apesar de ter ganhado várias provas do Líder ou do Anjo. Outro fator que o fez ficar popular foi o casal formado por ele e Jade Picon, sendo bastante shipado até hoje.
Apesar da popularidade, o atleta é bastante zoado e criticado por a sua dicção. O atleta muitas vezes não é bem compreendido pelos telespectadores, que até exigem uma legenda durante suas falas. O corredor acaba mostrando bastante ansiedade e gagueja em suas falas, atropleando-as. Isso faz com que suas falas pareçam não fazer nenhum sentido, especialmente nos jogos da discórdia, o que acaba fazendo com que a comunicação com quem vê o programa fique prejudicada.

Eslovênia

Fonte: Divulgação Globo

Por fim, temos a pernambucana Eslovênia Marques. A ex-miss Pernambuco chamou atenção antes do programa pelo seu nome, uma homenagem de seu pai ao país que foi integrante da antiga Iugoslávia. O mais engraçado da história de Eslo é que o pai daria o nome de Bósnia-Herzegovina. Além disso, Eslo foi muito comparada a Juliette, vencedora da edição passada, muito pelo fato de serem nordestinas e uma suposta semelhança física (nada a ver). Entretanto, a particpante foi uma das mais criticadas pelo fato de fazer parte do odiado quarto Lollilpop, além de ter sido criticada por uma fala racista ante Nathália Deodato. Por fim, o casal com Lucas não conquistou o público tal como Jade e P.A. Além dos memes comparado sua aparência ao humorista Marquito, outros memes surgiram pelo fato da morena estar sempre sentada do lado de quem era eliminado nos paredões.
Apesar dos pontos acima, boa parte da antipatia pela pernambucana (paraibana de nascimento) vem do fato da sua péssima dicção ao longo do programa. O jeito de falar rápido e acelarado, misturado com a voz rouca, fazia muitas vezes a ex-participante se tornar incompreensível e os discursos da participante foram detonados pelos fãs do programa por vícios de linguagem. Um fato curioso é que Eslovênia ganhou o prêmio de melhor oratória do Miss Brasil que participou, o que pode surpreender muita gente. Alguns podem dizer que o sotaque pode atrapalhar a dicção, porém a outra participante pernambucana da edição, Lairssa Tomássia, era perfeitamente compreensível (até demais). 


Não interessa se você gosta ou não do BBB. Só curta o Blog e aproveite as outras matérias. Até mais!







terça-feira, 2 de novembro de 2021

Episódios de Pica Pau que seriam cancelados hoje em dia

O Pica Pau (Woody Woodpecker no original) é uma animação estdadunidense que foi criada em 1940 por Walter Lantz. A animação teve entre 1940 e 1972 cerca de 172 episódios e fez muito sucesso pelo mundo, tendo ganhado uma estrela na calçada da fama de Hollywood. Mais ainda no Brasil. Sendo uma das primeiras animações que foram exibidas pela TV brasileira, o desenho começou a ser exibido na década de 60 peal TV Record. A animação continua sendo exibida até hoje no país, tendo passado pelas mais diversas emissoras, como o SBT e a Globo, voltando à TV Record em 2007 e até hoje está no ar. Além disso, o desenho está em um canal oficial do Youtube com mais de 6 milhões de inscritos apenas do Brasil, um número dez vezes maior do que a versão inglesa. Isso mostra o sucesso que a ave fez no Brasil, virando praticamente uma personagem brasileira e marcando diferentes gerações de adultos e crianças. A popularidade fez a Universal (dona dos direitos do Pica Pau) fazer uma nova animação em 1999 chamada "O Novo Pica Pau" e atualmente uma websérie.

A animação mostra as aventuras de um pica pau antropormófico nas mais diversas situações, sendo na maioria das vezes a ave tentando se dar bem acima de tudo. Outra marca da animação são as suas versões desenhadas, que mudaram bastante com o passar dos anos. Além disso, o Pica Pau também ficou marcado por sua dublagem marcante feita nos estúdios AIC e BKS, contando com alguns dos mais célebres dubladores da história brasileira, como por exemplo Garcia Júnior e Olney Cazarré (1945-1991) sendo as vozes da ave na animação clássica (Marco Antônio Costa e Sérgio Stern foram as vozes nas séries posteriores), além de outros grandes nomes nas personagens secundárias como Borges de Barros (1920-2007), Eleu Salvador (1932-2007), Garcia Neto (1931-1996), Jorge Barcellos, Antônio Moreno, dentro outros. Com uma excelente interpretação e diversos bordões que viram memes até hoje, a dublagem ajudou a imortalizar a animação e na popularidade do desenho.

Entretanto, todo o sucesso do desenho acabou ocultando algumas questões que se tornaram sensíveis hoje em dia. Nas décadas em que o desenho fora originalmente exibido, a animação exibia piadas e cenas que certamente hoje não seriam bem aceitos (tal como em diversas animações daquela época) e já é sabido que o próprio Pica Pau está longe de ser uma protagonista exemplar, especialmente para as crianças. Tentando se dar bem a qualquer custo, a ave emprega métodos nada limpos para conseguir o que quer na maioria das vezes. Mas além do comportamento da protagonista, a obra retrata preconceitos e comportamentos que hoje não seriam mais tolerados, mas que na época não causava grandes problemas com o público. Porém, os tempos mudaram e muito do que o desenho retratou certamente não seria mostrado e sofreria boicote do público ou de parte de alguns setores.

Hoje, o blog vai mostrar alguns episódios que possuem trechos ou temáticas que hoje em dia não cairiam muito bem e que certamente você não mostraria para seus filhos. O blog não tem inteção nenhuma de cancelar o Pica Pau (sou um grande fã da série), mas é necessário discutir algumas temáticas que os episódios passavam e que não éramos capazes de discernir. Bora lá!


Yellow-face




Episódio: O Biruta (1941)

Sinopse: Neste episódio, o Pica-Pau deixa um guarda maluco após oferecer sua ajuda para pegar um rachador (sendo ele mesmo um). No fim, o guarda fica biruta e vai para um hospício. O episódio é conhecido como aquele do rachador.

Por que seria cancelado? 

Enquanto estava fazendo o guarda pirar, o Pica Pau se disfarça de um transportador chinês e fala com um sotaque chinês no jeito de falar. Provavelmente seria cancelado nos dias de hoje acusado de Yellow Face, neste caso um ator ou personagem não oriental imitando a forma de falar ou se "montando" com a aparência de um oriental (olhos puxado, bigode fino, chapéu, etc.). Em um mundo hoje que está combatendo esteriótipos e abraçando todas as culturas, piadas como essas não seriam mais toleradas. Mas o tema entrou em voga novamente por conta da pandemia de coronavírus.

Touradas ilegais



Episódio: O matador de Hollywood (1942)

Sinopse: O Pica Pau participa de uma tourada, encarando Osnar, o Terrível. Entre as mil e uma loucuras que ele apronta com o Touro, no final o Pica Pau vence a tourada e transforma o Touro em lanche.

Por que seria cancelado? 

Embora façam parte da cultura do mundo hispânico, as touradas estão entre os eventos mais perigosos do mundo. Seja para os participantes, ainda mais para os próprios animais. Os touros, quando perdem na arena, costumamente são mortos. Fora os mau-tratos que sofrem antes das touradas para que fiquem nervosos e possam entreter o público. Por causa disso, muitos países estão proibindo touradas e atualmente elas só acontecem em poucos países. O episódio reforça os maus-tratos que os animais sofrem antes e durante os espetáculos, além do touro ter morrido no final do episódio, representando o que acontece com o touro que perde o evento. E ele ter virando hambúrguer do lanche revoltaria os vegetarianos também.

Um diabo no céu



Episódio: O afanador de gasolina (1943)

Sinopse: Num episódio que representa o Brasil atual, o Pica Pau não pode abastecer seu carro devido ao racionamento de combustível. Então, ele tem a brilhante ideia de roubar gasolina de outro carro, mas eis que era um carro de polícia. No fim, após muitas confusões com o guarda, eles batem as  botas.

Por que seria cancelado? 

Apesar do próprio roubo de gasolina ser um crime por si só, a situação do cancelamento deste episódio seria outra. No começo do episódio, ao ler uma placa que pedia para economizar gasolina e pneu, o Pica Pau simplesmente diz "Eu sou um Diabo necessário". Só esta frase faria religiosos do mundo inteiro pedirem que o desenho não fosse exibido por induzir as crianças ao satanismo. Mas por ironia do destino, o Pica Pau morreu e foi para...o ceú.

Quanto esteriótipo



Episódio: O Barbeiro de Sevilla (1944)

Sinopse: Em um dos mais clássico episódios da série, o Pica Pau vai ao salão cortar o cabelo. Mas ao ver que o barbeiro não está lá, ele resolve assumir o negócio e aprontar todas no salão. 

Por que seria cancelado? 

Em um episódio no contexto da Segunda Guerra Mundial, os vilões dos desenhos desta época eram dos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). Um dos clientes do salão aparentemente era um operário ítalo-estadunidense, que foi bastante zoado pelo Pica Pau. Antes disso, um índigena havia ido ao salão e foi representado com diversos esteriótipos pelo qual os nativos eram representados como ignorantes, falando errado e sendo sacaneado pela protagonista. Por conta deste preconceito histórico contra os índios, este episódio atualmente seria cancelado.

Essas mulheres seriam....



Episódio: O Pica Pau come fora (1945)

Sinopse: Quando não encontra nenhum restaurante aberto, o Pica Pau pensou que uma loja de taxidermia era um. Ao entrar e encher o saco do dono, o dono do estabelecimento descobre que o museu dará 100 mil dólares por um Pica Pau empalhado. O dono bem que tentou, mas não conseguiu empalhar o Pica Pau e perdeu 100 mil dólares.

Por que seria cancelado? 

Quando o dono da loja pensava o que fazer com o dinheiro, ele imaginou o que faria com o dinheiro. Carros, iates, mansões e...mulheres. Foi o que ele mais pensou e isso causaria problemas. As mulheres em questão pareciam que trabalhavam em uma casa de burlesco pelas roupas delas. Isso poderia levar a interpretação de que as mulheres eram prostitutas. Além disso, as mulheres são vistas como um troféu e longe de serem humanas. Era reflexo de uma época em que poucas mulheres tinham espaço. Hoje, já é diferente e bem diferente...

Drag Queen



Episódio: O Polka do Pica Pau (1951)

Sinopse: Em um episódio mudo, o Pica Pau tenta entrar em uma festa na qual ele não fora convidado. Então, para entrar, o pássaro se veste de mulher para encantar o porteiro (que era o Leôncio) e assim poder comer e dançar a noite toda.

Por que seria cancelado? 

Muitos conservadores iriam cancelar este episódio pelo simples fato de o Pica Pau se travestir de mulher. Ainda hoje, Drag Queens como Pablo Vittar sofrem com a homofobia e o preconceito. Então, muitos pais iriam falar para o filhos não assistirem o episódio por medo de se vestirem de mulher.

Doses seguras de narguilé



Episódio: Briga em Marrocos (1954)

Sinopse: Pica-Pau é incubido de proteger a Princesa Salame ante a ameaça do bandido Zeca Urubu.

Por que seria cancelado? 

Em uma cena do episódio, Pica Pau e Zeca Urubu brigam pela chave da cela onde a Princesa Salame está presa. A chave cai em uma vasilha de...narguilé. Pois é. Pica Pau e Zeca Urubu, para tirarem a chave de lá, resolvem "fumar" o narguilé para tirarem a chave de lá. Ambos ficam até "alterados", mas conseguem tirar a chave e continuam brigando por ela. Mas esse episódio seria cancelado nos dias de hoje por ter clara referências as drogas.

Maus tratos aos animais



Episódio: Os desabrigados (1955)

Sinopse: Ao ter sua casa destruída porum cachorro, Pica Pau resolve se vingar e destrói a casa do cachorro. Por causa da chuva forte, ambos se abrigam na casa de uma velhinha casada com um...homem bem "gentil". Por causa das brigas dos animais, o homem faz o possível para botar os dois para fora de casa.

Por que seria cancelado? 

O episódio em si não parece ter nada de grave, porém hoje em dia com as pessoas mais conscientes sobre a violência contra os animais, este episódio seria cancelado. O motivo é pelo fato do homem do episódio aparecer constantemente agredindo o cachorro, pior ainda quando ele bota o bicho para fora. Isso seria visto como maus tratos aos animais. 

Maus tratos aos animais 2



Episódio: Farejador vs. Pica Pau (1955)

Sinopse: Numa aula sobre taxidermia, Pica Pau e outros animais estão encarcerados com o objetivo de serem empalhados (ou recheados). Pica Pau consegue escapar e é perseguido por um cachorro. A ave apronta mil e uma com o pobre Sabujo (raça do cachorro) e causa o insucesso deste. Mas para salvar o bicho de ser sacrificado, eles se unem e botam para fora o "Professor".

Por que seria cancelado? 

Mais um episódio sobre maus tratos aos animais e este ainda mais cruel. Os animais estão presos e com o objetivo de servirem para experimentos para taxidermia. Os aniamis aparentemente estão mal alimentados e lamentam quando Pica Pau é levado pelo Professor para servir de experiência. Outra cena explícita que evidencia os maus tratos é quando o Professo diz que irá sacrificar o cachorro por não conseguir trazer o pássaro fujão,mas o mesmo é salvo após Pica Pau se deixar ser capturado e ambos se salvam. Mas as referências aos maus tratos fariam este episódio ser cancelado mais uma vez.

Maus tratos aos animais 3



Episódio: Pica Pau Ama Seca (1955)

Sinopse: Pica Pau é contratado para ser babá por uma noite. Porém, ele descobre que o bebê é um Gorila e o casal são caçadores. Após várias confusões para fazer o gorila dormir, Pica Pau descobre que o casal foi caçar por 20 anos. Ao "matar" o casal, ele resolve atordoar o gorila no final.

Por que seria cancelado? 

No terceiro episódio seguido sobre maus tratos aos animais, este episódio traz referências implícitas sobre maus tratos aos animais, como o fato do casal ser de caçadores e o gorila ser tratado como um bebê, sendo um animal exótico trazido da África para servir de pet. 

Nativos mal representados



Episódio: Chefe Charlie Cavalo (1956)

Sinopse: Terminando um índio de madeira, Pica Pau recebe a visita de um xerife que confude a escultura com um criminoso real. Há uma grande recompensa por ele, então Pica Pau descobre que o verdadeiro criminoso está em sua loja. Após conflitos, ele consegue levar o bandido à delegacia. Mas o delegado pensa ser um índio de madeira.

Por que seria cancelado? 

Não apenas esse, mas quase todos os episódios de Pica Pau que envolvem índigenas são bastante problemáticos. Este em especial coloca o índio como um criminoso por um crime que significa que ele falsificava fichas de apostas. Na maioria dos  episódios, os índios são reduzidos a selvagens que falam errado e antagonistas, tendo poucas qualidades. Sendo considerado um criminoso então, fica ainda pior. Esse é o reflexo dos desenhos mais antigos, nos quais as minorias eram retratadas como antagonistas ou como piadas.

Satanismo



Episódio: Seu melhor duende (1958)

Sinopse: Lotado de dívidas, o Pica Pau recebe a visita de um duende que promete resolver seus problemas. Mas ao pedir para ficar rico, o duende leva o Pica Pau ao cofre de um banco e ao sair de lá, a polícia corre atrás por pensar que ele assaltou o banco. Depois de conseguir sair da enrascada, Pica Pau pede ao duende para ir àquele lugar que não devo falar aqui.

Por que seria cancelado? 

A parte final do episódio é bastante polêmica por mostrar o dito cujo falando com o duende e dizendo que ele "voltou ao seu lugar antigo". Dado a interpretação, o duende veio daquele lugar e representaria o coisa ruim. Mais um episódio que seria cancelado por teóricos religiosos ultra-conservadores que diriam que o desenho possui pacto. Ainda há vídeos circulando na internet em que mostra o duende fazendo sinais satanistas. Difícil o episódio conseguir se manter no ar desse jeito.

Muitas e muitas armas



Episódio: O último Martin (1960)

Sinopse: Em uma paródia da contenta entre os Hatfields e McCoys, no caso entre os Martin e Coy, o Pica Pau acidentalmente ressucita a briga ao visitar o museu da família Coy que fora toda derrotada pelos Martin. O último Martin vivo, ao ver que o tiro fora disparado da antiga casa dos Coy, parte mais uma vez para a briga.

Por que seria cancelado? 

O episódio apresenta um grande excesso de armas, mesmo para um episódio de um desenho já considerado violento, tendo inclusive momentos em que as personagens atiram mesmo contra o outro desarmado. Por ser um desenho animado, as coisas acabam bem. Mas na vida real a coisa seria diferente. Por conter muitas referências e tiroteios, o episódio seria mal visto por pessoas que defendem o desarmamento. 

Preconceito religioso



Episódio: O Rei do Voo-Doo (1962)

Sinopse: Ao atrapalhar um programa de rádio dedicado ao vudu, Pica Pau se mete em problemas com Zé Jacaré, um praticante do vuduísmo, que acaba atraindo a ave para sua toca e desejando comê-lo. Mal sabia ele que seria o seu fim.

Por que seria cancelado? 

Claramente este episódio sofreria um boicote por pessoas que professam o vuduísmo e outras religiões de matriz afro. Quando o Pica Pau diz coisas como "Vudu é tapiação", "Vudu come angú" e "Vudu é pra jacú", as frases são bem explícitas ao tirar sarro com uma religião. E fora os outros preconceitos, como quando Zé Jacaré diz que faria "Magia Negra", ou seja, atribuindo a religião a coisas ruins. E reforçando mais ainda a visão de que o Vudu é uma religião feita de pessoas ruins e com práticas contestáveis, como hipnotismo ou o conhecido boneco de vudu. Em um mundo que avança no combate ao preconceito religioso (e consequentemente racial), este episódio seria com certeza um mal exemplo.

Experiência em animais



Episódio: Fricção Científica (1963)

Sinopse: Pica Pau cai em uma enrascada e acaba virando cobaia em um experimento que misturaria o seu cérebro com o de um macaco. O cientista admite que misturou muitas coisas no passado e este seria o melhor. No final, nada sai como planejado.

Por que seria cancelado? 

Em outro episódio que envolve maus tratos aos animais, este episódio vem a um debate moderno: o uso de animais em experimentos científicos. Muitas marcas, para melhorar suas imagens, estão certificando que seus produtos não utilizaram animais na sua concepção. Animais utilizados em experimentos são muitas vezes maltratados e morrem na maioria dos experimentos. E no episódio não é diferente, pois o macaco é mantido em cativeiro e parecia bastante ansioso em conseguir escapar. Ele consegue até mais que isso no episódio. Mas não saberíamos o que aconteceria na vida real, então episódio cancelado.

Carne polêmica



Episódio: Problema cavalr (1967)

Sinopse: Pica Pau tenta proteger Pé-de-Pano (seu cavalo) de um índio que quer se aliemntar do seu mascote. 

Por que seria cancelado? 

Em mais um episódio em que índios são antagonistas e motivos de chacota pela forma de falar, o episódio ainda traz a questão do índio querer comer carne de cavalo (hábito moralmente condenável no Ocidente). Apesar de ser já ridicularizado, o episódio ainda traz esta problemática e coloca o índio como agente de um hábito condenável. Mais um episódio cancelado, seja por quem defende as minorias ou por quem defende os animais. 

Violência doméstica



Episódio: Briga para ninguém botar defeito (1968)

Sinopse: Pica Pau trouba comida de um casal do interior e acaba botando lenha na fogueira na briga deste casal, pois a mulher pensa que o marido comeu tudo sem deixar nada para ela. 

Por que seria cancelado? 

Ainda que ambos os membros do casal se agridem, o episódio é uma representação de uma briga de casal com tons mais jocosos, ainda mais com o Pica Pau causando mais situações para colocar o casal em guerra. Ainda que não haja uma violência explicíta contra a mulher, ela sofre em algumas situações. Mais um episódio que seria cancelado por incentivar violência doméstica


E aí, tem mais algum episódio que possui alguma problemática que você não aceitaria ou não seria aceito nos dias de hoje? Comenta aí.

Até mais!