terça-feira, 29 de julho de 2014

#Somostodosaurora

Um dos fenômenos mais bonitos que a natureza pode nos proporcionar é a chamada Aurora Polar . A Aurora é formada por luzes de diversas cores(sendo as mais comuns as cores vermelho, verde e azul ), causada pelos gases da atmosfera, sendo cada gás um cor. Vermelho para o nitrogênio, verde para o oxigênio e azul para o hidrogênio. Ela é causada pelo contato do vento solar, que são partículas derivadas das erupções da superfície solar e que percorrem todo o Sistema Solar. Quando o vento solar entra em contato com a Terra, ele é barrado por meio do Campo Magnético Terrestre. Graças a ele, o vento solar não causa nenhum efeito destruidor na Terra, pois caso contrário, seríamos um planeta sem vida. Mas as tempestades solares interferem nos sistemas elétricos e magnéticos, porém isto é um outro assunto.
Aurora Boreal na Noruega (Fonte:  http://viajeaqui.abril.com.br/materias/noruega-aurora-boreal )
                     

Voltando à Aurora, a energia do vento solar no campo magnético terrestre é dissipada nos pólos magnéticos deste campo. Os pólos magnéticos terrestres, como um imã, se localizam no Sul e no Norte do planeta. Mas eles ficam próximos do Pólo Sul e Norte terrestre, em outras palavras, no meio da Antártida e do Ártico, respectivamente. Entretanto, o fenômeno ocorre mesmo em altitudes bem altas, entre 60 km até 100 km, entre a Mesosfera e a Termosfera. Daí outro motivo dele ocorrer em lugares com latitude muito altas.
Muitas pessoas conhecem o fenômeno como Aurora Boreal. O nome foi dado por Galileu Galilei no século XVII em homenagem a deusa romana do amanhecer, Aurora ( Eos em grego ), e de seu filho Bóreas, o vento norte. Aurora Boreal é o nome mais comum dado a este fenômeno belo e muita gente pensa que este é um fenômeno que ocorre no Hemisfério Norte, em países nórdicos ou no Alasca. Engana-se, pois o fenômeno pode ser visto mais perto do nosso país. Aonde, no Rio Grande do Sul? Não, mais longe. Existe a Aurora Austral que ocorre no sul do planeta, porém ele é mais comum na Antártida e para se entrar lá, ou você deve ser militar ou cientista. E o Brasil tem uma base na Antártida, embora ela tenha sido parcialmente destruída por um incêndio.
Aurora Austral na Nova Zelândia ( Fonte : http://www.explicatorium.com/quimica/Aurora-polar.php )
Quer dizer que nunca vou ver uma Aurora Austral? Claro que não! Embora menos frequente, ela pode ocorrer em países próximos do círculo polar antártico como Austrália, Argentina, Chile e Nova Zelândia. Como disse antes, elas não são frequentes. Então é bom ter uma dose de sorte ao viajar para estes países para se observar uma aurora. Mas vale a dica de estar em cidades mais ao sul destes países, como por exemplo, Ushuaia, localizado no extremo sul da Argentina. Por causa disso, para o viajante que quer ver uma aurora, compensa mais ir para países nórdicos, pois além das condições serem melhores para a ocorrência do fenômeno, estão acostumados a receber turistas só para isso. Mas é claro, vale a pena curtir a aurora na Argentina ou no Chile com uns pinguins no frio. Além disso, é bem mais barato.
A melhor época para se observar o fenômeno se dá nos meses de inverno, quando a noite parece durar 24 horas por dia. A Aurora começa no fim da tarde ou a noite. Os meses de ocorrência ou de melhor observação são entre março e abril ou entre setembro e outubro, independente da localização. Há um site que mostra a previsão para aurora e há uma escala nele. Quanto maior o número da escala, maior a chance do fenômeno ocorrer. E claro, para quem quer ver a aurora austral na Argentina, a chance é maior. No fim do post, deixarei o link. Mas deixo claro que para este mês e para o próximo, há previsão de baixa ocorrência.

Área de ocorrência da Aurora Austral ( Fonte: http://andarilhosdomundo.com.br/2013/03/como-ver-a-aurora-boreal/ )

Área de frequência da Aurora Boreal. Pode se notar que há mais possibilidades dela ser observada ( Fonte: http://andarilhosdomundo.com.br/2013/03/como-ver-a-aurora-boreal/)








Antes de encerrar, irei mais além. Não há auroras somente no planeta Terra. Em planetas como Saturno, Júpiter e Marte, elas ocorrem também e são até mais intensas que as da Terra, especialmente em Júpiter. Netuno, Urano e Mercúrio também há existência do fenômeno. Até mesmo em Io, uma das quatro luas de Galileu em Júpiter. Pena que não possamos acompanhar os fenômenos destes planetas. Sem contar que nós mesmos podemos fazer nossa própria aurora, por meio de explosões nucleares. Ou em laboratório. Mas claro, exige um baita esforço e um baita dinheirão. Melhor viajar e ver o que a natureza nos reservou.
Aurora Jupteriana ( Fonte:  http://www.explicatorium.com/quimica/Aurora-polar.php )


Portanto, não se esqueçam. A Aurora não é só boreal e não ocorre somente no Norte. Mas independentemente de onde observar este fenômeno, certamente será uma experiência inesquecível. Quem sabe quando for engenheiro eu não trabalhe perto de uma delas...
Alguma diferença entre as auroras? Se não existir, o título do meu post está certo. Somo todo aurora, então!




Fontes: 
http://gabrielquerviajar.com.br/a-outra-aurora/
http://scienceblogs.com.br/xisxis/2013/09/voce-sabia-que-existe-a-aurora-austral/
http://andarilhosdomundo.com.br/2013/03/como-ver-a-aurora-boreal/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aurora_polar

Para a previsão sobre as auroras e planejar sua viagem se quiser vê-la, acessem:
http://www.gi.alaska.edu/AuroraForecast
           

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A real sobre o Tomorrowland

Muitos amigos meus do face estão muito, mas muito felizes. O Brasil ganhou a copa? Não. Silvio Santos vai dar um milhão pra todo mundo? Não. A Dilma foi assassinada? Também não. O motivo é mais simples: a Tomorrowland vem para o Brasil em 2015. Mas o que é Tomorrowland? Mais um filme da Disney, com bonequinhos fofos e princesas com um novo padrão de beleza? Não.
Tomorrowland é o mais famoso festival de música eletrônica do mundo, que ocorre anualmente, desde 2005 na cidade de Boom, região da Antuérpia, na Bélgica. Bélgica é aquele país famoso por seus chocolates, Tintin e por terem colonizado o Congo. E este festival é segundo quem vê o melhor em todos os sentidos. Ótima organização, gente bonita de todos os lugares possíveis, bons músicos com batidas espetaculares e enfeitada com castelos de fantasia e fontes de água. Recebeu na sua última edição mais de 180 mil pessoas, das mais diversas partes do mundo.
Todo ano vejo matérias do Pânico sobre este festival, sempre zuando os gringos. E mostrando as belas mulheres, alcoolizadas e sempre a mercê de marmanjões espertos. Só um aperitivo do que irá ocorrer ano que vem em Itu, interior de São Paulo. Itu, aquela cidade conhecida por tudo ser grande e cidade que ganhou com seu time, o Ituano, o último campeonato paulista de futebol. Sem contar que a cidade é sede do Reality Show A Fazenda, da Rede Record.
São esperadas mais de 60 mil pessoas no evento durante os três dias. Ocorrerá entre 1, 2 e 3 de maio. Normalmente na Bélgica, ocorre em Julho. Li em outros sites que este festival tem o significado de abrir a Primavera na Europa. Como se em julho na Europa é verão. Vai saber o que os organizadores tomaram quando tiveram a ideia de criar um mega festival como este...
Muito expectativa em menos de um ano. Muita gente ansiosa querendo ir. Querem ter tudo o que o festival belga tem e mais um pouco. E nas redes sociais, o pessoal já comenta o que espera. Deem só uma olhada no que alguns amigos meus já compartilharam :



E daí muita gente vai desistir por causa que os "rolezeiros" que " invadiram " os Shoppings Centers em 2014. E lá vem as justificativas: povo feio, péssimo gosto, péssimas roupas, péssimo estilo e aparelhos ridículos. Mal começou a pré-venda dos ingressos e o festival já tem um público pré-determinado. Tem que ser que nem o da Bélgica, gente branca, de olho azul, de preferência mais mina que homem e com pouca roupa. Mas pouca roupa não são o que rola nos baile funks da vida, que este mesmo povo critica? Se for pra ver galera com pouca roupa é melhor pagar 20 reais no baile funk do que 300 reais para um só dia no Tomorrowland. Trezentos contos por um só dia no interior de São Paulo, longe da minha casa e pegando trânsito na Raposo? Sim. Itu não é tão longe, fica a 70 Km da Capital e tem ótimos acessos. Mas vai ter muito trânsito pra chegar lá, mas sinceramente torço pra que não ocorra.
Mas pra galera que já determinou que tipo de gente deve vir pro festival, vou dar uma boa notícia: eles não vão vir. Mas não soltem fogos de artifício para comemorarem. Pois a maioria de vocês também não vai, infelizmente. Sempre quis ir no Rock in Rio, mas com que dinheiro? Não só o ingresso, mas o transporte, alimentação e outros gastos elementares. Tudo isso custa caro. Só um dia custa exatos R$299 reais. E três dias de farra serão R$799 reais. Estes valores são maiores do que os " rolezeiros " da periferia ganham em um mês. E não iam torrar isso em um ingresso. Tá, mas eu vi que eles gastam 1000 reais num tênis original? Existe parcelamento. Já viu isso em ingresso de festival, é tudo à vista. Ou seja, eles só irão se juntarem uma grana. Mas esqueci de dizer que muitos, embora extravagantes, ajudam seus pais em casa com o dinheiro que ganham em serviços não tão nobres do que querem ostentar. E o público que vai nestes grandes festivais, Rock in Rio, Tomorrowland, Lollapalloza e afins, em sua grande maioria não trabalha. Ganham de presente de seus pais empresários, advogados, atores da globo e derivados e outras posições de classe média alta. Quem trabalha pra pagar os estudos e sustentar a família teria que juntar um bom dinheiro ou ganhar um bom dinheiro pra ir. E por fim, pra que querem ostentar num festival de música eletrônica? Eles gostam de funk e no baile funk eles são alguma coisa. Já num festival onde o público com certeza vai vaiar a Dilma ( se ela for a presidente em 2015 ) , dominada por galera da classe média e com músicas que mal entendem, por que iriam? Ostentar? Talvez, mas tem um preço bem caro a pagar. E pra pensar numa situações dessa, eles teriam cabeça sim.
Pra você que não quer ver estes funkeiros vindos do inferno no seu festival de conto de fadas, comemorem. Eles não irão. Você vai ver que a mesma micareta eletrônica que ocorre na terra do Tintin, com gente bonita nos padrões Tomorrowand vai ser igual aqui no Brasil. Uso de drogas sintéticas, além da já famosa cannabis, muita azaração, muitas tretas e muitas coisas que nem vou mencionar aqui. Tudo como qualquer baile funk que os " rolezeiros" vão, com a vital diferença de que a polícia vai bater porta em um e vai deixar tudo liberado em outro. Tem sim umas diferenças, que o baile funk atrapalha os vizinhos e tal. Mas no Morumbi, estádio de futebol e que ocorre show todo ano, os nobres do Morumbi reclamam também. Barulhos depois das 22 hrs? Chama a polícia. Só que não. Tudo autorizado. E o baile funk não, assim como o samba era no começo do século XX. Virou arte. Assim como a Capoeira era na mesma época. Virou patrimônio. Não desmerecendo estes dois, mas só para fazer uma comparação. O funk, o samba e a capoeira tem origens populares. E como tudo que é popular, tem seus preconceitos. E tudo que é bonito, de fora, com gente nada obscena e que a mídia mostra como a oitava maravilha do mundo, ninguém pode falar mal. Sério? Sim. Mas quem realmente vai nestes festivais? Os filhos da classe média alta, moradora dos bairros nobres ou dos condomínios fechados de Cotia, Alphaville ou de qualquer lançamento novo por aí. E sei que nas baladas normais que vão gostam de ouvir funk. Mas dividir o mesmo espaço com alguém da classe social que o MC Zikão era antes da fama? Nem pensar! Só pra me diferenciar vou pro Tomorrowland e mostrar que sou foda. Em suma, mostrar pra cambada que eu posso ostentar. Ok, fui
longe demais...
Então galera da Tomorrowland, fiquem tranquilos! Esses funkeiros do inferno não vão te incomodar no seu festival. O preço está nas alturas. O público é este e eles não se encaixam. E depois vamos dizer ao mundo que somos tolerantes com todas as etnias. Que venham os europeus, americanos e demais gringos, menos estes aí de baixo. Aí a festa vai tá legal. Três dias de muita curtição e de muita farra. Só não se esqueçam de não dirigir após a festa. Mas e aí, qual a diferença de um Tomorrowland para um baile funk ou balada mesmo? Nenhuma, a não ser a decoração

Nota: Desejo que o festival ocorra normalmente, assim como foi a copa e outros. Nada de #nãovaitertomorrow . Não foi isto que disse e sim dizer quem é que vai pra lá. E quem não queremos que vá. E mostrar a hipocrisia de muitos que gostam de funk, mas desprezam os fãs do gênero mais fanáticos. Não gosto de funk para deixar claro, curto meu bom e velho Rock N' Roll e Rap. Mas respeito quem gosta dentro do legal. A análise não significa que eu desprezo música eletrônica. Porém é preciso abrir o olho para isto. O preconceito, infelizmente. Cuidado com o que compartilham. E se tocar Funk la, não taquem pedra.

http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2014/07/festival-de-eletronica-tomorrowland-sera-em-itu-sp-com-150-djs.html
http://omelete.uol.com.br/musica/tomorrowland-brasil-2015-maio/#.U81I3uNdWOk


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Menos nas rodas e mais nos trilhos e nas águas

Todos os dias na televisão, na internet ou qualquer noticiário, aparecem acidentes de trânsito. Desde motoristas bêbados a acidentes provocados por tragédias naturais, chama minha atenção como futuro Engenheiro Civil o grande número de acidentes causados por caminhões. Aqui mesmo em São Paulo, a maioria dos congestionamentos são causados por caminhões quebrados, caminhões acidentados e por aí vai. O governo paulista criou o Rodoanel para permitir que os caminhões circulem fora das grandes avenidas. Mas o pedágio custa mais, mesmo no Rodoanel que cobra baratinho ( 1,60 cada praça ). Não seria hora de repensar o transporte de cargas no Brasil?
Olha, difícil! Desde o governo de Juscelino Kubitschek, o transporte rodoviário se transformou no principal modal de transporte de cargas e passageiros no país. Mais de 61%  de todo o transporte brasileiro é rodoviário. Quem ganha com isso? Empresas petrolíferas e automobilísticas, principalmente. O Estado pouco fez por outros modais com medo destas empresas. Pouco fez mesmo, pois depois de Dom Pedro II, muito pouco foi feito pelo transporte ferroviário. E pouco foi feito pelo aquaviário, embora nosso país tenha um potencial gigante neste tipo de transporte. E o transporte rodoviário mostrou-se obsoleto para um país continental como o Brasil. Com estradas em péssimo estado de conservação, longas distâncias e o custo supostamente barato tornando-se caro, fez com que devêssemos repensar os transportes no Brasil. O alto número de acidentes com caminhões, um a cada cinco minutos, só aumenta nossa necessidade por uma mudança nos modais de transporte.



O transporte ferroviário tem suas desvantagens. Alto custo de investimento inicial, pouca integração com outros modais e sua velocidade lenta. Entretanto, países grande e continentais como o Brasil tem como modal majoritário o transporte ferroviário, como Rússia, EUA e China. Países menores como o Japão e a Argentina tem muito mais trilhos que nós. Embora lento, este tipo de transporte é eficiente em grandes distâncias e pode levar muito mais carga. Um caminhão carrega consigo umas 5 toneladas. Um trem carrega 3.000 toneladas. Seiscentas vezes mais. Sem contar que o gasto com frete e manutenção é menor que o rodoviário. Embora a ferrovia Norte-Sul seja expandida e concebida, sozinha ela não resolve nossos problemas. Nossas ferrovias existentes só transportam produtos primários ( minérios e produtos agropecuários ). E os passageiros? Infelizmente só existe uma linha de passageiros que opera regularmente, a Estrada de Ferro Vitória a Minas. Não há interesse em construção de linhas de trens de passageiros de longas distâncias. O trem bala, pouco se fala. Mas já compensaria resolver os problemas logísticos com produtos com os trens. Mas até lá, muito deve ser investido para modernizar e interligar as várias linhas existentes


Fora o ferroviário, existe outro transporte de longa distância no Brasil. As hidrovias valem tanto para os mares quanto para os rios. Em vários países a fora, os lagos também são aproveitados, mas não apresentamos grandes lagos por aqui. Já rios navegáveis no Brasil não faltam. Nossos rios são perenes, de grande volume de água e de grande largura. Desperdiçar tamanho potencial é muita falta de competência, sendo que grande parte destes rios alcançam regiões agrícolas, tais como o Rio Paraguai, São Francisco e Paraná, minerais como o Amazonas e até industriais. Nossas hidrovias existem, mas operam com uma capacidade ínfima para seu potencial. Com as vantagens semelhantes das do trem, as hidrovias seriam fundamentais para o escoamento da produção agrícola e mineral do país. Porém, pouco nela é investido. Os portos estão em péssimas condições apesar de alguns deles melhorarem, sobretudo os fluviais. Por meio das hidrovias fluviais, é possível exportar mais e com menor custo para nossos vizinhos, em especial a Argentina banhada pelos rios Paraná e Uruguai. Mas um problema frequente deste tipo de transporte são os congestionamentos nos portos. São necessários investimentos e estudos para otimizar o tempo e evitar congestionamentos. Sem contar que fora a Região Norte, o transporte de passageiros pelos rios é quase inexistente.


Existem outros modais, como o dutoviário e o aeroviário, porém estes apresentam pouca capacidade de transporte, mas o dutoviário é mais bem utilizados para o transporte de petróleo e gás. Os três já citados são os que mais interessam. E elas devem coexistir. É essencial que ambos os modais se conectem entre si e juntos consigam realizar o transporte de cargas e passageiros. Os trens e as embarcações trariam os produtos da regiões mais distantes para certo ponto. Deste ponto, aí sim os caminhões agiriam e levariam os produtos para os portos e cidades. Estes pontos deverão ser em cidades não muito distante dos portos e das cidades em questão. E claro, ambos devem coexistir em igualdade. O transporte rodoviário deveria ser menor que os outros dois citados, mas não com a diferença que existe atualmente no país para os outros. Hoje, os modais ferroviários e aquaviários são pouco mais da metade do rodoviário. Um grande erro que demorará anos para ser corrigido. Mais ferrovias e hidrovias no nosso país. E um melhor uso do rodoviário. O prejuízo com os acidentes diminuiria substancialmente. Depende claro, da conservação dos modais e de seus ramais.
Por fim, criar linhas de ferro e hidrovias também para passageiros. Não dá para depender apenas de ônibus de viagem, carros ou até mesmo aviões. Mas tudo fica para um próximo post. Até lá, vou esperar o trem de ferro cruzar a rua de cima. Só sei que vai demorar, mas é paciência até eu me formar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Seria esta história loucura ???

- Ah, menino! Não sei como começar a te contar esta história. Não sei como eu estou viva. Aliás, nem sei qual o sentido de estar viva uma hora destas. Perdi tudo o que era de mais valioso para mim. Acho que quem vai ler isto aqui, vai pensar que sou uma daquelas " peruas " que perderam a pensão do marido, os "colar ", as riquezas e tudo mais. Mas perdi as minhas únicas companhias. Perdi meus filhos. Meus quatro filhos. Cada um de uma maneira. Mas o mesmo homem tava lá para causar as " morte ". Desgraçado! Agora, ele deve tá lá no bem bom, fora do Brasil, com uma mulher linda e que não pagou pelo crime que cometeu. Enquanto isso, meu vizinho Cláudio tá na cadeia acusado dum roubo que não cometeu. Saco, umas porcarias dessa tratar pobre dessa maneira. Mas é melhor falar o que tenho que falar contigo, senão saio do rumo.


Criava meus meninos sozinha. Os dois primeiros foi de um cabra que conheci no serviço. Trabalhava na limpeza de um hospital. Moramos junto e tive dois filhos, o Tiago e a Angélica. Me separei dele após muitas brigas, ele me espancava após chegar bêbado em casa. Todo fim de semana, era uma agonia meus filhos verem a mãe assim. Depois disso, conheci um outro homem num bar. Tive mais dois filhos com ele, o Jonas e o Miguel. Mas depois que o Miguel nasceu, ele já tinha me largado e fugido com outra. Se não tivesse tido Angélica, seria impossível criar o meu filho mais novo. Era novinha, mas era muito cuidadosa. O Tiago já trabalhava na época, tinha uns 13 anos e fazia uns bicos de pedreiro ali por perto. Daí então, criei meus filhos sozinha. Nunca mais quero depender de homem pra criar, nem me apaixonar de novo. Só conheci homem ruim na minha vida, nenhum era como meu pai que deixei lá no Norte antes de rumar pra cá. Meu barraco apertado era uma pequena casa do amor, eu e meus filhos. Trabalhava segunda à segunda, janeiro à janeiro.Não parava em casa. Só no Natal, Ano Novo e Carnaval é que eu parava. Faxina não me faltava. Mas o dinheiro sim. Era pouco, mas economizava para cada um sobreviver. Tiago ganhava pouco também, nem 100 conto por mês. Mas já ajudava como podia, era tão bom esse menino.
Mas daí veio a disgrama. Tiago tinha uns 17, 18 anos eu acho. Já tinha largado a escola e trampava numa obra no centro, bem longe daqui. Era um prédio bem grande, que seria um hotel chique, de uma ator que era meu galã da TV. Era o Adriano Bueno, o homem mais lindo que já vi. Era lindo, gostoso, bom caráter e fazia vários trabalhos, ajudava até a comunidade. Tenho foto com ele até hoje, mas é só passado. Ele ia ser o dono do Hotel também, mas contratou a pior empreiteira que existe. Não pagava bem, não tinha plano de saúde, não tinha onde cair morto. Mas caiu. Uns colega dele me falou, que o Tiago foi subir mais alto pra colocar um bloco pesado no andar de cima. Tava sem corda e sem aqueles negócio pra subir se cair, mas nem isso tinha. Empreiteira vagabunda. Pois é, aí ele caiu morto. Não acreditei quando vi na TV. Tava lá, " Tiago Batista Rodrigues morreu após cair 20 metros ". Não acreditava que era meu Tiago, era um menino tão forte. Caiu de laje atrás de pipa, machucou jogando bola e até levou bala perdida. Sobreviveu, graças a Deus! Mas nesta, não tinha jeito. Meu filho mais forte, mais batalhador e que queria ser eletricista, faleceu. Chorei, chorei, chorei. Mas lá ninguém se importou, no enterro não tava ninguém dos patrão dele. Só os colegas dele,alguns gari e o pessoal da favela. Nem namorada tinha de tanto que trabalhava. O pai dele foi, mas nem olhei direito pra ele. Nem pensão pagava, mas pelo menos deu adeus ao filho, triste como eu. Mas a vida segue, o prédio hoje tá pronto, mas ninguém se lembra dessa história. Meu filho foi mais um pros outros, menos pra mim e pros irmão dele. Os mais novos, coitados, perderam a principal referência depois de mim.
Passou um tempo, acho que um ano mais ou menos. Encontraram um corpo baleado na comunidade. Fui lá, curiosa para saber. Quando vi o corpo, desabei em choro. Era o pobre do meu Jonas. Todo furado, sangue jorrado no chão e parecia que estava sorrindo. Cansado de viver, bem longe disso. Tinha uns 13 anos, tinha vida pela frente. Jogava bola num clube aqui por perto, tinha esperança de ser chamado por um clube daqueles da televisão. Falavam bem dele na escola, sempre esforçado, sempre tirando nota boa. Jogava bem, dizia o professor da escolinha de futebol. Não tinha condição de pagar, mas o menino tinha talento, não era de ser jogado fora e logo, podia ir pra Europa, ganhar dinheiro e tirar ele e os irmão dele da miséria. Eu não teria que me matar fazendo faxina por aí, ficando tanto empo fora de casa. Só tava em casa pois era Natal e eu dormi até um pouco mais tarde. Agora entendi, sou culpada! Não podia deixar meu menino sair naquela noite. Não mesmo. Ele saiu, dizendo que ia pruma festa de um amigo dele, aqui perto. Deixei ele se divertir um pouco, afinal, era tão bom menino, nunca me dava trabalho. Era meu orgulho, meu xodó. Ao ver o corpo dele daquela maneira, chorei, chorei e desmaiei. Nem tinha médico naquele dia, me levaram na casa de uma agente de saúde que morava perto. Me medicou e ajudou eu a superar a pressão baixa. Mas não a perda de mais um filho meu. Nem me recuperei da morte do meu Tiago, agora falece o Jonas. Mas até hoje não sei direito o porquê disso, dessa barbaridade que fizeram com meu Jonas. Inveja? Pode ser, pois muitos desse mundo gostam, mas outros querem te derrubar. Tem mais pra derrubar do que pra te ajudar, infelizmente. Mas pra ser tão cruel, acho que não foi inveja. Pelo que um amigo dele contou, parece que ele mexeu com onça. Com o tal do carcará, um procurado pela polícia. Não com ele e sim com a menina dele. Sim, menina! O homem tinha uns 30 anos e saia se exibindo com uma aí de 14. Pedófilo não sei, a menina queria o poder dele. Comandava o tráfico, matava quem ele bem queria e mandava e desmandava na favela. Pagava policial pra evitar de ser preso. Disseram que Jonas tava de amasso com ela já era tempo e foi uma emboscada. Se isso for verdade, eu não sei. Sei que a menina nunca mais apareceu por aqui. Carcará já tava com outro, uma morenona alta e bem mais velha que aquela menina. Sabia que Jonas era namorador, mas ele nunca se envolveria com a menina do traficante. Não era tão burro pra fazer isso. Tinha namorado a filha do vizinho, uma menina tão boazinha. Não aquela novinha loira do traficante, que tinha uns casos aí, eu fiquei sabendo. Mas enfim, não se direito que fim levou Jonas pra ter morrido assim. A polícia bateu na festa de madrugada, quem sabe não foram eles também? Confundiram meu filho, só por ser preto, filho de preto e da favela com um marginal como Carcará, que nem pego foi naquela noite. Sei que ele tá preso, mas ainda manda por lá. Sim, sai daquela quebrada depois do enterro de Jonas. Disseram pra eu que também ia morrê, como Jonas. Como Tiago. E até meus filhos. Pro bem deles, fui pra onde tô hoje, falando com você. Mas mesmo assim, os problemas continuaram. e... pioraram.
Passaram mais uns dois, três anos eu acho. Só morava eu e meu filho caçula, Miguel. Angélica tinha arranjado um homem e engravidado deste. Me deu dois netos, gêmeos aliás. Kauan e Kauê eram seus nomes. Talvez os dois meninos tapassem o buraco da perda de Tiago e de Jonas. Era tão lindos meus netinhos, embora fosse jovem pra ser vovó, não era má ideia. Embora parecesse mais com o pai, o Everaldo, branquinho, zóios claro e o cabelo bem pretinho. Mas o rosto era da minha Angélica. Eram tão bonzinhos e faziam sucesso por onde iam. Mas era a única alegria que tinha em meses. Em casa, era eu sozinha sempre. Mas eu te disse que Miguel morava comigo. Só dormia lá, pois de dia só me aprontava. Problema na escola, problema na rua e na delegacia. Sim, o menino nem 12 anos tinha e já vinha roubando os mercadinhos da região. Foi preso sei lá quantas vez. E na favela, começaram a me ameaçar caso eu não tomasse conta do moleque. Fazia de tudo pra deixar ele em casa, botei ele pra jogar bola na escolinha aonde Jonas jogava, em projeto educacional de fim de semana e por aí vai. Mas não queria nem saber de jogar bola, nem de fazer capoeira no fim de semana. Quase nunca ia pra lá. E eu nem sabia pra onde ele andava, com que "amigos" ele andava e o que ele fazia. Até o dia em que sai do prédio de uma patroa minha no bairro chique e vi ele num beco com um cachimbo. Meu Deus! Oh, meu Deus! Tava com droga na cabeça. Roubava pra manter o vício. E eu, idiota, nunca percebi. Fui lá na mesma hora, puxei-lho pelas orelhas. Saiu gritando que nem criança mimada. O povo do lado nem parecia se importar, afinal era só mais um pretinho lá. Cheguei em casa e dei uma surra naquele infeliz. E gritei com ele o motivo dele tá naquele lugar, com aquele cachimbo de pedra na mão. Ele disse que tava só experimentando, que nunca fumou ou cheirou na vida. Admitiu que já tomou umas cachaças. E que roubava não só pra se divertir, era pra ele ter dinheiro sozinho, comprar as roupa dele, os tênis que inveja na escola e que não podia dar e impressionar umas menina. Nestas horas chamei ele de vagabundo e de trouxa. Se quisesse ter tudo isso, por quê não trabalhava que nem o falecido irmão Tiago? Aos 12 anos pegava qualquer pedra por aí e já transformava em tijolo e ganhava uns trocados. Miguel foi grosso comigo e disse que o irmão falecido era um trouxa, que nunca cresceria na vida. Disse também que eu também era, que trabalhar pra que, ganhar uma miséria que nem eu ganho. Era melhor ele roubar mesmo, pra ter tudo que quisesse e que ninguém ia pegar ele nunca. Mesmo detido umas cem vezes, ele não desistia. Pra reformatório ou pra Febem, nada ia impedir que ele continuasse até ter uma boa vida. Ameacei de bater nele de novo, mas o danado fugiu. Procurei a noite inteira pelo bairro, mas ele já tinha ido pra outras quebradas. Ficou uma semana nas ruas. Eu trabalhava angustiada, pedindo a Deus que ele estivesse bem e que mudasse a cabeça dele, que trabalhador não era otário. Sai mais um dia do trabalho, desta vez de uma empresa em outro bairro chique. Aí vi um cerco da polícia numa rua. E o corpo de um menino baleado caído no chão. Não podia ser. Era o Miguel! O desgraçado tava todo cheio de sangue e bala no pescoço. O polícia tava lá sorrindo e dando entrevista prum jornal dizendo que era mais um "marginal" fora das ruas. E do lado dele tava lá um rapaz branco, bonito e bem jovenzinho. Era o filho do Adriano Bueno, o Ricardo. Pelo que via nas revistas de fofoca da minha patroa, ele estudava por perto. Na entrevista, ele disse que o meu menino roubou ele. Aí chegou o povo da rua e pegou ele. Começaram a bater no meu Miguel e arrastaram ele pela rua. Por fim, ele ainda sobreviveu. Mas o Ricardo chamou a Polícia que veio atirando. Vi no corpo do infeliz, dois no pescoço e um na perna. Ele não aguentou a dor e caiu. Assisti toda aquela entrevista  do Ricardo e comecei a chorar. Ele olhou pra mim e perguntou se conhecia o menino. Disse que sim, era mãe dele. Ele até começou a chorar, mas disse que era necessário o fim do menino pra ele parar de roubar. Não havia nada que pudesse fazer por ele. Era triste, mas disse que vagabundo tinha que morrer. Mesmo sendo uma criança. Xinguei ele por um palavrão e comecei a xingar ele, a polícia, o governo e todo mundo. Aí sem mais, sem menos fui presa por desacato. Chorei demais na viatura, era mais um filho morto. E pra piorar era presa. Fui solta apenas pra enterrar meu menino e dar adeus. Chorei muito e culpei minha condição pela morte dele. Se ele tivesse uma vida melhor, não iria pra esse caminho. Após a despedida de mais um filho meu, voltei pra cadeia. Até que Angélica foi lá e pagou minha fiança. Fui solta e inocentada do processo. Mas a fiança deixou eu e minha filha desempregada. E a notícia de que fui presa caiu na boca do povo. Além de ser mãe de bandido, virei uma também. Mudei de lar mais uma vez. Fui pra outra favela, bem longe daquela. E Angélica foi junto com meus netos. O marido separou dela e voltou pra terra dele. Queria eu voltar pra minha, mas tudo que tenho agora são três filhos mortos, uma dívida com o banco impagável até hoje e uma tristeza pela falta dos filhos e de serviço, já que até as patroas souberam disso. E contaram para as outras fofocas. A TV me julgava como mãe de um futuro diabo. Achava que defendia ele apenas por chorar com sua morte. Mal sabiam o quanto surrei o menino pra tentar educa-lo. Mas nada deu certo.
Mudei também pro meu bem. Era tanta gente da TV que queria uma entrevista comigo. Mas não estava aguentando mais, era programa disto, daquilo, jornal e até programa de mulher. Aí quando eu via meu rosto na TV, não tinha nenhum trecho de eu falando bem de meu filho. Só pegaram as partes que eu chorava e lamentava o roubo. Ah, bando de abestados!!! Essa TV nunca fala da gente quando a gente faz algo de bom, mas quando é de ruim, pedem até pra bater em quem fez. Eu pensava assim também, mas depois que vi o Miguel morrer, vi como é sofrer por caso disso. Meu filho ia pra FEBEM e talvez nunca mais sairia desta vida, infelizmente. E se Miguel tivesse apenas pegado a carteira do Ricardo Bueno e queria devolver, só por ser pobre já iam achar que era desonesto. Não, toda hora não. Mas talvez teria o trágico fim que levou pra minha tristeza.
Passou um tempo e Angélica deu pra mim a maior graça da vida dela. Ela entrou na faculdade mais rica da cidade sem pagar nada. Entrou lá pelo fato dela não poder pagar e se não me engano, era um negócio de cotas, que o povo que é da minha cor entra também. Ia mexer com a cabeça dos povo ( ela quis dizer Psicologia ) e talvez ia ganhar bem mais que ela ganhava quando trabalhava numa gráfica. Ela passou a trabalhar de dia e estudar de noite. Ganhava até bem, mesmo trabalhando menos que eu. Mas pelo menos compensava o meu desemprego, já que resolvi ficar em casa cuidando dos meninos dela. Como ela não encontrava creche neste bairro, ela pediu pra eu não trabalhar até ela encontrar um creche pro Kauan e pro Kauê. Apesar disso, tava tudo muito bem, trabalhando, indo bem na faculdade e fazendo novas amizades com aquelas meninas ricas e bonitas, que até me deram uns presentinhos, umas lembrancinhas. Até que um dia, Angélica resolveu ir pruma festa da faculdade. Se arrumou, se penteou e se perfumou ficou bem bonita aquela minha morena. Parecia uma princesa de tão linda que tava com um vestido novo que ela comprou. Deu um beijo em mim, nos meninos e disse assim: " Mamãe vai voltar, meus amores. Já, já. " Se soubesse antes que seriam suas últimas palavras, nunca ia deixar ela ir nesta festa. Por mais que ela fosse mãe, de maior e que cuida do seu próprio corpo, eu sou mãe dela. Noutro dia, a notícia que ela tinha sido morta. Por quem? O filho do bonitão Adriano, o tal Ricardo Bueno. Mas que o danado não tinha sido preso ainda, que tinha sumido. Mas depois de tanta coisa ruim que sucedeu com meus meninos, nem tinha força mais pra chorar mais uma morte de filho meu. Porém chorava pelos meus netinhos que mal sabiam que tinham acontecido com a mãe deles. Brincavam enquanto eu via tudo na TV. Eu fiquei chorando e me perguntado, por quê Deus me deu tanto castigo na vida? Nunca roubei, matei, trabalhei direitinho e criava com tanto amor meus filhos e ele tomou de mim todos eles. E todos de maneira trágica, um pior que o outro. E tudo tinha relação com este menino Ricardo. O Hotel onde o Tiago caiu era do pai dele. Carcará dava droga pras festas dele. Miguel morreu depois de tentar roubar ele. E Angélica pelas mãos dele. Foi tudo subindo pra piorar. E quando este pivete mimado de rico alemão foi preso, fui até a delegacia tirar umas satisfações com ele. Ele tava algemado, cabeça baixa e chorando. Mas que pobre Diabo! Fui lá e meti a porrada naquela cabeça oca de rico dele. Bati na cabecinha real dele e um povo disse pra eu parar. Ah, palhaços! Ninguém parou quando era meu Miguel, mas em um sem vergonha, safado e canalha destes, pra não dizer outro nome aqui, pediam pra parar porque merecia ser perdoado. Miguel não teve perdão por roubar uma mísera carteira. Pro Tiago não tinha nem segurança daquela empresa vagabunda que o pai dele contratou. E o mandante do assassinato do meu Jonas era amiguinho de infância deste aí. Estudava na mesma faculdade que minha filha e tendo todo o dinheiro pra pagar, achava que podia fazer isso com ela. E coisa bem pior. Depois de dar uns sopapos na cabeça dele, me seguraram e fui presa também. Falaram que era agressão, coisa assim. E quando o delegado pediu pra eu dar um depoimento e o motivo daquela agressão, peguei as coisas dele e quebrei tudinho. Gritei, choraminguei e fiz o maior drama. Falei umas boas e poucas pra ele, revoltada. Mas eu sabia que tava fazendo. Porém eles acharam que não. Me mandariam pro hospício, pois não tinha condição de dar depoimento e nem de cuidar dos meus netos. Perdi a guarda deles e foram pro Norte pro pai deles. Fui prum hospício sabendo quem era eu até chegar lá. Fiquei louca só de term me ponhado lá sem justificativa. Usaram o nome de não sei quem pra autorizar eu estar lá, acho que foi do meu ex-genro que não gostava muito de mim antes de separar da Angélica. Achava ele que a sogrinha dele era uma louca.
( Risos ) Não sabe de nada, inocente! Meu Deus! Eu ri de novo depois de 15 anos nesta desgraceira. Obrigado menino por me ouvir depois de 15 anos, precisava de alguém pra isso. Descarregar minhas tristezas de uma vida tão sofrida de uma preta como eu, que trabalhou desde os 10 anos até ficar aqui nessa disgrama sozinha e seu meus filhos e sem meus netinhos. Queria saber como eles estão, se estão trabalhando, estudando ou sei lá, tendo um destino melhor que o da avó deles, dos tios deles e da mãe deles, que nem devem se lembrar. Mas a vida é fogo pra gente como eu! Se um dia sair daqui, nem sei o que fazer. Aposentar até poderia, já trabalhei mais de 30 anos, porém nem carteira assinada tive destes meus patrões. Teria que trabalhar até os meus 70 agora, mas quem daria emprego a uma senhora preta, favelada, que já foi presa e internada num hospício até hoje sem nenhuma comprovação de que sou louca? Pois é, meu filho, tá fácil pra ninguém. Só pro canalha daquele Ricardo, pelo que fiquei sabendo tá no bem bom fora do Brasil. Casou, ficou mais rico que já era e teve uns três galeguinhos pra chamar de seu com uma loira magrela da revista. Mas até hoje não sei do porquê dele matar minha Angélica, talvez eu faça isso quando sair daqui, já que ninguém quis me responder sobre isso até hoje. Pobrezinha! Podia ser doutora hoje, com um dinheiro e me ajudando a ter uma morte tranquila. Mas nunca mais vou sair daqui ( choros ). Nunca mesmo! Meu cadáver deve ficar aqui enterrado. Aproveite a vida menino, aproveite! Eu falei sobre tudo isso depois de 15 anos refletindo nessa droga sobre a morte dos meus filhos. Agora que sabe de tudo isso, pode usar isso no seu trabalho de faculdade. Use isso e fala isso pro mundo todo ouvir esta mãe que sofreu desde que veio ao mundo até hoje. Até hoje! Vai com Deus menino, que os anjos te protejam! obrigado por me ouvir por horas e horas. Volte mais aqui! - encerrou a sua fala, minha avó Edinancir Batista Silva.
Antes de tudo isso, ela perguntou meu nome. Disse que me chamava Artur. Ela não me reconheceu pelos 15 anos de diferença do Kauan que era no passado. Carrego uma foto minha com minha mãe e meu irmão Kauê. Kauê ficou lá no Norte mesmo com meu pai e com minha madrasta. Nesse tempo todo tive mais dois irmãos, Wesley e Raquel. Vim pra cá estudar e estou na casa de um primo de meu pai. Graças a ele, descobri sobre a existência de minha avó que jurava estar morta como meus tios e minha mãe. Meu pai nunca me falou de minha avó aqui de São Paulo, talvez por não terem uma boa relação desde que meu pai se separou de minha mãe. Por ela ter ficado "louca " negou ao máximo minhas lembranças. Sempre soube pouco da família por parte de minha mãe. Soube um pouco graças ao Glauco, como já disse antes, primo de pai. Glauco trabalhou com minha mãe na gráfica e foi ele quem me contou os detalhes da morte de minha falecida mãe. Segundo ele, minha mãe e Ricardo estavam na mesma festa naquela noite. Ricardo quis dar em cima daquela " nega gostosa " segundo as palavras dele. Minha mãe não aceitou as investidas dele. Até lhe deu um tapa para parar, mas como estava bêbado, o playboy não parou. Quando minha mãe saiu da festa, ele a pegou. Levou-a à força para um apartamento de um amigo. Bêbado, tentou estuprá-la. Minha mãe se defendeu e deu-lhe uma garrafada. Porém, o "bonitão" estava com um canivete e meteu-na vários golpes. Ela desmaiou. Ele se aproveitou de seu cadáver. Quando acordou e viu o que fez, tentou esconder o corpo, mas uma empregada viu tudo e denunciou para a polícia. Ele foi preso e ficou um mês. Foi solto e julgado três anos depois. Foi condenado a 30 anos de cadeia. Porém não ficou nem 3 anos. Foi solto sob justificativa de " bom comportamento " e desde então, mora fora do Brasil. Pouco se fala deste crime. Adriano Bueno, seu pai, ao ser perguntado sobre isso se cala. Sempre dá um jeito de censurar quem fala do crime que seu filho cometeu. A mídia, seja jornal, TV ou rádio nunca falou sobre este crime. Claro, não foi Ricardo quem morreu. Se talvez fosse minha mãe ou um dos meus tios, seriam julgados até hoje a morte. Aquela mulher da TV mandaria linchar todo alguém como eu, como minha mãe, minha avó, meus tios e meu irmão. Agora Ricardo, um homem fino, branco, rico e filho de papai ela diria: faz parte, foi um acidente. Acidente? Ele era usuário da droga de Carcará, tanto ele quanto seus amigos famosos. Carcará ia nas festas deles. Podia falar umas verdades sobre esta gente. Falou? Nada, soube que morreu há uns dois anos. Sua morte nunca foi  investigada ou sequer deram a causa da morte. E depois, o drogado era meu tio Miguel. Ou mesmo meus tios Jonas e Tiago. Ou minha mãe, que não serviria pra nada além de dar prazer pra gente da laia de Ricardo.
E minha avó. Coitada! Foi considerada louca por saber a verdade desta sociedade. Uns marcados pra morrer sempre, sem assistência de ninguém. Outros devem ser protegidos ao máximo, por pior que façam para o mundo. Ou seja, alguém como meu Tio Miguel merecia sempre a cadeia, pra depois sair de lá morto ou pior do que era. Já um Ricardo não merece isso e ninguém diria isto para ele. Cadeia! Assassino! Ladrão! Isto serve pra quem vem de baixo. Pros de cima, todas as glórias. Pobre avó, pode morrer sem ver os netos novamente, os únicos que sobraram. Pelo menos deixei-na feliz, mesmo se passando por outra pessoa. Um dia, quem sabe amanhã, não a visito de novo e conto a verdade. Ela não é louca como julgam o mundo. Ela foi mais consciente que um jornal da manhã. Podia morrer agora por não ter ninguém ao seu lado. Mas consegue forças pra viver e quem sabe, ver este mundo mudar. Mas espere eu me formar vovó, quero você lá para ver. E ser feliz uma vez na vida, depois de tanta desgraça. Por ti também, mãe.


* Kauan Batista Pereira da Silva, 18 de novembro de 2007


sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Palestina sofre mais uma vez. Quando isso irá acabar?

Este blog não é sobre um tipo de Engenharia específica de mercado. Até fala dela em determinados momentos, porém este blog fala sobre uma " Engenharia de Vida ". Ser engenheiro é ter um senso crítico e saber usá-lo para o bem da economia, da construção e da vida humana. Geralmente a terceira parte não nos é contada direito na hora de trabalharmos. Porém, nessas horas tristes o lado humano entra em ação. E não é pelo 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil ( já disse isso em outro post ) ou a Argentina na final. Falarei aqui sobre a triste situação da Palestina, que neste exato momento é atacada covardemente, disse covardemente por Israel.
Essa situação não é nova, já vem desde 1948 quando foi criado o Estado de Israel pela recém nascida ONU, logo após a II Guerra Mundial e também do Holocausto que assassinou 6 milhões de judeus. Judeus estes que queriam um territória após tamanho genocídio. Conseguiram aonde viviam os árabes há séculos. Antes dos árabes, viviam ali os judeus que foram expulsos pelos romanos no ano 70 D.C. Após isso, os judeus se espalharam por diversos territórios pelo mundo, sofreram preconceito, foram forçados a virarem cristãos e também sofreram com a morte por serem judeus. No século XIX, surgiu na Europa o Sionismo, movimento judaico que queria a volta dos judeus ao território Palestino atual, que julgavam pertencer somente aos judeus. Após o Holocausto, o lobby por um território judeu aumentou. E ele foi criado. E como ficou os árabes que lá viviam? Ganharam um território também no local, mas ele era menor que o dado aos judeus. Funciona assim: você tem uma família que vive em uma casa. Chega a família de um primo seu para ficar com vocês. Ela é menor e quer ficar com todos os quartos. E você tem que dar um jeito de dormir com sua família na sala, na cozinha e se possível fora da casa. Foi isso que aconteceu, guardadas as proporções, naquela região.
Os árabes partiram pra guerra contra os recém chegados. Tiveram ajuda dos Estados vizinhos, Jordânia, Síria e Egito. Mas apesar disso, perderam para o Estado recém-criado. Ele já nasceu rico, financiado por judeus ricos americanos e europeus, com apoio militar ianque e seu exército ( de Israel ) bem equipado, ganharam da Palestina e seus aliados. Após isso, houve vários confrontos e Israel ganhou todos com facilidade. E tomou territórios da Palestina, do Líbano da Síria e até do Egito. Isso tudo em seis dias de 1967. Teve a guerra do Yom Kippur em 1973 que Israel estava quase sendo derrotado em um ataque surpresa dos países vizinhos. Virou o confronto em menos de duas semanas e tomou mais territórios. Devolveu territórios para os egípcios nos anos 80. Negociou a paz com a Palestina nos anos 90 e todos pensavam que todo o horror que vinha se arrastando a décadas acabaria. Se enganou. Nada de efetivo desses acordos foram feitos e radicais dos dois lados passaram a se atacar. Mas enquanto os Palestino contam com mísseis caseiros, fuzis e até pedras ( visto na Intifada no começo do milênio ) , o arsenal israelense tem desde Krav Maga até armas modernos tanques e armas nucleares. Se reclamam do Irã que nem tem nada, e Israel que não nega e nem afirma.
















Mas o pior sobra para o povo. Sim, famílias destruídas pelos tiros, pela fome e pelas restrições a sua liberdade. A Palestina como Estado nunca aconteceu, pois na prática Israel controla as áreas. As colônias judaicas na Cisjordânia mostram que o impasse permanece. Israel não abre mão delas. E a paz fica difícil na área. Os bombardeios israelenses que visam matar terroristas, porém muitos civis são atingidos. Ou seja, na mentalidade do governo israelense, crianças, mulheres gestantes e idosos podem ser potenciais terroristas. Ou homens-bomba, homens que dão a vida pelo sonho de se verem livres das garras de Israel e serem livres. São criminosos, sim. Mas os extremistas do governo de Israel não são também?
Os embates entre palestinos e israelenses são muito violentos. Morrem dos dois lado, infelizmente. Mas para cada israelense morto em combate, morrem 100 palestinos. Morrem famílias inteiras, crianças, idosos, mulheres, jovens e muito mais. Os ataques seguem na Terra Santa. Começou quando radicais islâmicos sequestraram e mataram três jovens israelenses. Logo após isso, extremistas israelenses mataram um jovem palestino. Daí começou os bombardeios. Os mísseis do Hamas nem chegam a cair em Israel por causa de seu escudo antimíssil. Já na Palestina, os mísseis israelenses ferem e matam quem encontram. Os extremos existem nos dois lados. Mas quem sofre mais são os árabes palestinos. Já Israel diz que se defende, até com certa razão, porém justificam com o Holocausto, os campos de concentração e o nazismo. Mas um genocídio ocorre na Palestina, diariamente. Quem atreve-se a atravessar os muros que separam as duas nações para ir à Israel e morto pelos soldados israelenses. Sem contar os abusos a prisioneiros palestinos e os campos de concentração, literalmente que existem. Até menores de idade estão lá. Estes campos de concentração estão na Faixa de Gaza, uma verdadeira zona de refugiados em um pequeno pedaço com vista para o Mar Mediterrâneo. Holocausto na região, existe. Campos de concentração, existem. Só falta a ideologia nazista, mas nem é preciso ser para realizar tudo isso. Os filhos e netos dos judeus mortos nos campos de concentração repetem o mesmo sofrimento que seus pais e avós. Porém são os outros que sofrem. Não adianta negar o holocausto que sofreram, tampouco no holocausto que fazem agora contra um povo que nem exército tem. Apenas milícias que fazem cócegas no estado judeu.


Apesar de tudo isso, há muitas pessoas boas no meio. Há judeus e árabes que querem que as cenas que ocorrem desde 1948 e pioram a cada embate entre os dos lados, acabem. Dão esperança que é possível cada um viver pacificamente. A mídia quer tanto a paz, porém ainda emite mensagens de ódio aos árabes, indiretamente. Acabando-se com a imagem deles de fundamentalistas, terroristas e que odeiam o Ocidente é um passo para compreendê-los melhor. Nem todos eles são assim, pois fundamentalismo existe em todas as religiões, vide Marco Feliciano e extremistas hindus que mataram Gandhi. O fim da ocupação da Palestina, da sua liberdade e o fim de grupos extremistas dos dois lados poderá contribuir para paz. Para isso, deve-se criar a tolerância, o respeito e a harmonia. Difícil em uma terra desértica em que briga-se pela água também. Mas reconhecer ser humano antes de religião é essencial. Israel deve deixar de ser intolerante, antes de tudo e acabar com este nacionalismo que já matou inocentes demais, seja na Palestina ou até mesmo em Israel. Este mesmo nacionalismo originou grupos terroristas como o Fatah ( não mais grupo terrorista ), Hamas e o Jihad Islâmica. Mesmo não tendo origem por causa da política israelense, o Setembro Negro provocou o Massacre de Munique, a maior tragédia da história das Olimpíadas.
Irá demorar muitos anos para as coisas se acertarem e a Palestina independente e livre de Israel. Mas não custa sonhar e lutar. Mas enquanto isso, cena de feridos e mortos por Israel continuarão a nos comover. Mas não basta comoção e pena. E sim ajudar seres humanos como nós, que sofrem dia e noite por décadas. Para que a noite longa que vivem as populações de Gaza e Cisjordânia acabe. E que todos os palestinos expulsos voltem para casa.