domingo, 3 de maio de 2026

Ditaduras Discretas

O mundo, até pouco tempo atrás, vivia um surto de utopia democrática. Com a queda da União Soviética, o fim das ditaduras na Europa Oriental e a redemocratização da América Latina, os anos 90 e o início dos anos 2000 foram marcados por uma onda otimista. Parecia que a liberdade de expressão, os direitos humanos e a alternância de poder seriam, finalmente, o padrão global. O sonho da globalização que derrubaria as fronteiras e criaria um mundo "livre". Mas a euforia durou pouco. Muito pouco.

A partir do século XXI, o cenário mudou. Primeiro, os atentados de 11 de setembro de 2001 desencadearam uma resposta militar global liderada pelos EUA que, muitas vezes, sacrificou liberdades em nome da segurança. Depois, a crise econômica de 2008 abalou a confiança nas instituições tradicionais, abrindo caminho para líderes extremistas.

Seja nos EUA e na Europa, onde o foco recai sobre a imigração, ou em países como o Brasil, onde pautas como o negacionismo e a chamada "guerra cultural" ganharam força, a polarização virou regra. Líderes como Donald Trump, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán e Vladimir Putin tornaram-se símbolos de uma era onde a repressão e o autoritarismo voltaram a ganhar terreno em nações antes consideradas democracias sólidas.

O Raio-X do Autoritarismo Moderno

Dados da Human Rights Watch e do Instituto V-Dem mostram uma realidade preocupante: cerca de 72% da população mundial vive hoje sob regimes autoritários. Mais de 100 países apresentam retrocessos democráticos. O roteiro é quase sempre o mesmo:

  • Ataques à imprensa livre;
  • Uso de tortura e perseguição política;
  • Leis que limitam a liberdade de expressão;
  • Fraudes eleitorais ou ameaças a minorias.
Segundo o Instituto V-Dem de democracia, países como EUA já deixaram de ser classificados como "Democracia Liberal" para ser considerada uma "Democracia Eleitoral", estando na 47° posição e pela primeira vez na história, ficando abaixo do Brasil, que está na 32° posição no geral e sendo considerado nos últimos dois anos um país que se "redemocratizou" após anos de governos com tendências autoritárias. Outros países que estão na contramão foram a Argentina, Hungria, El Salvador e Nicarágua. O Instituto criou as classificações dos regimes políticos pelo mundo inspirado pelo modelo de poliarquia desenvolvido cientista político Robert Dahl (1915-2014), que se baseia em seis garantias institucionais para classificar um regime: representantes eleitos, eleições livres e justas, liberdade de expressão, fontes alternativas de informação, autonomia de associação e cidadania inclusiva. O modelo desenvolvido por Dahl, quanto mais candidatos em uma eleição representando diversos fragmentos na sociedade, mais democrática será uma eleição. Uma eleição com poucos candidatos, mesmo com muita participação popular, para Dahl, tenderia para o autoritarismo. Dentro desta lógica, Dahl era um grande crítico do modelo bipartidário dos EUA devido a falta de diversidade em seus candidatos. 

A grande maioria dos regimes considerados "Autocracia Eleitoral", que são países cujo há eleições para o executivo, porém com restrições a liberdade de expressão e com processos eleitorais pouco transparentes, com os governantes no poder sempre ganhando com altos percentuais ou "Autocracias Fechadas", onde não há eleições para o executivo e com restrições aos direitos humanos, falta de liberdade de expressão e sem liberdade de associação, estão em países dos continente africano e asiático, onde vivem a maior parte da população global. 

Mapa de classificação dos países, segundo seu regime eleitoral e política para o Instituto V-Dem em 2025 

Além do "Eixo do Mal" Tradicional

Quando falamos em ditadura, o senso comum aponta logo para os suspeitos de sempre: a Rússia de Putin, a China de Xi Jinping, a fechada Coreia do Norte, o Irã dos Aiatolás, o Afeganistão sob controle do Talebã ou a Venezuela. Esses regimes estão constantemente sob os holofotes da mídia e das redes sociais. Ou não são classificados como um "Eixo do Mal, que ficou famoso em discurso do ex-presidente dos EUA George W. Bush, que designou assim países autoritários que teriam supostamente "Armas de destruição em massa" e acusou diretamente os regimes do Irã, Iraque e Coreia do Norte e segundo o ex-diplomata estadunidense John Bolton, em sua obra "Além do Eixo do Mal", inclui países como Cuba, Líbia e Síria. Em comum, são regimes que possuem ou possuíam algum tipo de oposição a influência dos EUA e seus aliados em seus países. Este discurso foi o pontapé inicial para a invasão de países como Iraque e Afeganistão.

No entanto, longe das manchetes principais, existe um grupo de países com tiranias que duram décadas, mas que são toleradas pelo sistema internacional. São as "ditaduras discretos". Seja por possuírem recursos naturais estratégicos ou por serem aliados úteis para as grandes potências, esses Estados parecem ter um "passe livre" para oprimir suas populações sem sofrer sanções ou críticas pesadas.

Enquanto o mundo discute intervenções em países "incômodos" como Irã ou Venezuela, cujos territórios foram alvos de ações de Trump este ano, tendo sucesso total na Venezuela com a prisão de Madura e em guerra com o Irã, que não se desmontou após a morte do então líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, esses regimes invisíveis permanecem estáveis, protegidos por uma rede de interesses econômicos e geopolíticos que pouca gente entende. E todos estes países viveram, desde a sua criação como Estado-Nações modernos como regimes autoritários e tiveram pouca abertura desde então. 

Quem são esses "ditadores de estimação" do mundo moderno? Vamos viajar por esses regimes pouco conhecidos para entender por que, afinal, eles nunca caem. Para isso, utilizaremos como referências as seguintes fontes de classificação para rankings do tipo, sendo:

  • Índice de Democracia pelo Instituto V-Dem do ano de 2026
  • Ranking da Reporteres Sem Fronteiras (2026)
  • Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional (2026)
  • Índice de Democracia pela The Economist (2025)

Eritreia: a "Coreia do Norte da África"

Localização do país no Chifre da África, próximo ao Oriente Médio
     
Localização da Eritreia (acima) e bandeira do país
Localizada no Chifre da África, a Eritreia é um pequeno país que faz fronteira com Sudão, Etiópia e Djibouti, além de ter acesso estratégico ao Mar Vermelho. Com pouco mais de 117.000 km² e população estimada entre 4 e 6 milhões de habitantes, o país é pobre, agrário e situado em uma das zonas mais críticas do mundo — o estreito de Bab al-Mandab, passagem vital entre o Mar Vermelho e o Oceano Índico. Apesar da instabilidade de vizinhos como Somália e Iêmen, a Eritreia mantém uma aparente tranquilidade sustentada por um dos regimes mais repressivos do planeta. Conhecida como a "Coreia do Norte da África" devido as poucas informações que se tem do lugar, ocupa a antepenúltima posição no índice de Democracia Liberal do Instituto V-DEM, é o país mais hostil para jornalistas segundo a Repórteres sem Fronteiras e aparece na 150ª posição no ranking de democracia da The Economist (2025). Por fim, aparece na posição 177 de 180 países na lista de países mais corruptos do mundo pela Transparência Internacional (quanto maior a posição, mais corrupto é o país). Como um regime tão autoritário passa tão despercebido?

Indo para a história, a região da atual Eritreia está entre as mais antigas ocupadas por ancestrais humanos, com fósseis de mais de 1 milhão de anos. Ao longo da história, foi dominada por reinos e impérios locais, como o de Axum e o de Medri Bahri, sendo este último fortemente influenciado pelo Império Etiope e pelo Império Otomano. No fim do século XIX, a Itália colonizou a região mesmo após ter perdido a primeira guerra contra a Etiópia. Com a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido assumiu o controle e, em 1952, por decisão da ONU, entregou o território à Etiópia como federação — uma forma de compensar o imperador Haile Selassie pelo apoio contra os italianos e garantir à Etiópia acesso ao mar. A população da região era contra a autoridade etiope, porém a autonomia foi aceita. Esta, no entanto, durou pouco: em 1962, a Etiópia dissolveu o parlamento local e anexou o país, deflagrando a Guerra de Independência da Eritreia (1962–1991). A independência foi reconhecida em 1993, deixando a Etiópia sem saída para o mar desde então. 

Desde então, a Eritreia nunca conheceu outro governante: Isaias Afewerki, então líder pela independência eritreia,  está no poder desde 1993. Embora uma constituição multipartidária tenha sido aprovada em 1997, nunca foi implementada e o país é governado por decretos diretos. O regime impõe serviço militar obrigatório de 18 meses, mas na prática ele pode se estender por décadas, configurando trabalho forçado. A deserção leva à prisão do fugitivo e de seus familiares. A imprensa é totalmente controlada, jornalistas independentes estão presos ou desaparecidos, e a tortura é sistemática. O país é fechado ao turismo e à imprensa estrangeira. Raras notícias surgem em competições esportivas, quando atletas aproveitam para desertar — como ocorreu em abril deste ano com sete jogadores da seleção de futebol, que fugiram após um jogo fora de casa contra Essuatini. Por conta deste fato, o país é conhecido por pouco participar de competições internacionais. 

Imagem da capital Asmara

  
Imagem recente do ditador Isaias Afwerki. Fonte: Ministério da Informação da Eritreia

 
Por que o regime eritreu não recebe a mesma atenção internacional que outros regimes autoritários? A resposta envolve múltiplos fatores. Primeiro, a Eritreia não possui recursos minerais ou petrolíferos que despertem a cobiça das grandes potências, sendo um país pobre e agrícola. Segundo, uma eventual queda do regime poderia gerar instabilidade regional semelhante à da Somália (após a queda de Siad Barre, em 1991) ou do Iêmen (após a saída de Saleh, em 2011) — um risco impensável em uma zona crítica para o comércio global, com consequências vistas até hoje com terrorismo e pirataria na região. Além disso, a Eritreia é um país multiétnico, e um vácuo de poder poderia desencadear conflitos entre grupos rivais e arrastar alguns dos vizinhos. Por fim, o regime de Asmara soube se reposicionar: em 2018, assinou a paz com a Etiópia e se aproximou de atores regionais como Egito, Arábia Saudita e Israel — este último mantém, segundo relatos, uma base secreta no país para conter a influência iraniana. Isaias Afewerki é visto como um aliado incômodo, paranoico e recluso, mas útil para a frágil estabilidade local. Por isso, seu regime é tolerado de uma forma que Coreia do Norte, Venezuela ou Irã dificilmente seriam.

Laos: discrição entre vizinhos famosos

Localização do Laos (acima) e bandeira do país (abaixo)


Bandeira do país






















O Sudeste Asiático abriga alguns dos países mais populosos e visitados do mundo, como Indonésia, Vietnã e Tailândia — nações acolhedoras e destinos turísticos consagrados. Mas entre a Tailândia, Vietnã e China, um país montanhoso, sem acesso ao mar e com menos de 8 milhões de habitantes e um território de 236.800 km² passa quase despercebido: o Laos. Ao contrário dos vizinhos badalados e cheios de praias, o Laos é coberto por florestas e montanhas, e esconde um dos regimes mais autoritários do planeta. Sem quase ninguém saber, ocupa posições críticas nos rankings internacionais: é o 153º em liberdade de imprensa pela Repórteres sem Fronteiras, o 159º no índice de democracia da The Economist e o 164º no ranking V-DEM. Seu silêncio, porém, é fruto de uma longa história de reinos, colonização e guerras.

Entre os séculos XII e XVIII, o território pertenceu ao reino de Lan Xang, que depois se fragmentou em três reinos: Luang Prabang, Vientiane e Champasak. No fim do século XIX, o Laos tornou-se colônia francesa como parte da Indochina Francesa, ao lado do Vietnã e do Camboja. Ocupado brevemente pelo Japão na Segunda Guerra Mundial, conquistou autonomia e, em 1953, a independência como monarquia. Mas, assim como o vizinho Vietnã, logo mergulhou em uma guerra civil entre forças apoiadas pelos Estados Unidos e pelos socialistas (apoiados por União Soviética, China e Coreia do Norte). Embora pouco lembrado, o Laos foi intensamente atingido pela Guerra do Vietnã: tropas norte-vietnamitas ocuparam partes do país, e os EUA despejaram cerca de 2 milhões de toneladas de explosivos — a mesma quantidade usada em toda a Segunda Guerra Mundial — tornando-o o território mais bombardeado da história por quilômetro quadrado. Até hoje, milhões de bombas não detonadas permanecem no solo, representando perigo constante e, paradoxalmente, viraram fonte de renda para famílias que coletam sucata, além de ter virado matéria-prima para a reconstrução do país. Em 1975, os socialistas venceram e instauraram a República Democrática Popular do Laos, regime unipartidário que persiste como um dos últimos Estados socialistas do mundo, ao lado de Cuba, China, Coreia do Norte e Vietnã.

Diferentemente de seus vizinhos socialistas maiores, que se abriram economicamente e se desenvolveram, o Laos continua entre as nações mais pobres da região, com PIB per capita de cerca de 2.100 dólares , dependente da agricultura e da nascente mineração e turismo sob um regime autoritário. O poder não se concentra em uma única figura, mas é exercido de forma centralizada pelo Partido Popular Revolucionário do Laos há mais de 50 anos. Desde 2021, o líder do regime é Thongloun Sisoulith, o primeiro civil a ocupar o cargo. O partido controla toda a imprensa, o parlamento (onde os "cinco opositores independentes" são, na prática, controlados pelo regime) e a população, por meio de um sistema de vigilância chamado "comitês de bairro" — colaboradores que monitoram e denunciam cidadãos, algo como uma "vizinhança delatora". Esse método antecede o regime atual e segue como ferramenta de controle. Críticos do governo recebem penas superiores a dez anos de prisão, mesmo quando se manifestam no exterior. A intolerância religiosa é outro pilar do regime: o Laos é um dos países mais intolerantes a religião do mundo, permitindo apenas o budismo (religião majoritária) e perseguindo cristãos e outras confissões. Constitucionalmente, as religiões são protegidas, mas na prática há uma perseguição a maioria delas. 

Imagem da capital do país, Vientiane, localizada próxima a fronteira da Tailândia

Atual líder do país, Thongloun Sisoulith 
O que mantém esse regime autoritário tão discreto internacionalmente? Primeiro, a pobreza do país e a ausência de recursos naturais estratégicos não despertam a cobiça das grandes potências. Segundo, o regime conta com a conivência do Vietnã — que ainda exerce forte influência no Laos — e, sobretudo, da China. Pequim integrou o Laos à Nova Rota da Seda, conectando o país à sua economia e tendo todo interesse na estabilidade do regime para proteger suas fronteiras e negócios. Além disso, ao contrário da Coreia do Norte, o Laos não adota postura militar ou ideológica de confronto internacional, o que reduz a atenção global. Em 2009, o governo Obama considerou que o país não era mais um regime comunista e tirou as sanções que a nação tinha. Por fim, mesmo sendo parte do chamado "Triângulo Dourado" — importante fonte de heroína — e palco de tráfico sexual e de drogas, sua discrição política faz com que quase ninguém se importe com a situação interna do país.

Myanmar: o regime que nem o Nobel da Paz conseguiu mudar

Localização de Myanmar, entre a Índia, China e o Sudeste Asiático

Bandeira do país
Vizinho do Laos, Myanmar tem um tamanho que não permite passar totalmente despercebido: são mais de 676.000 km² e mais de 55 milhões de habitantes. Entre os países desta lista, talvez seja o que mais chamou a atenção do mundo — inclusive rendendo um Prêmio Nobel da Paz a uma de suas figuras centrais. No entanto, sua história complexa, marcada por golpes, trocas de nome e de capital, revela um dos regimes mais autoritários e brutais do planeta. E todas as tentativas de saída do autoritarismo resultaram, até agora, em fracasso.

A história milenar de Myanmar começa com povos sino-tibetanos e viu surgir, no século XI, o Reino de Pagan — um reino budista que durou até o século XIII, quando caiu durante a expansão do Império Mongol. Após a saída dos mongóis, a região fragmentou-se em diversos Estados até ser unificada pelo Império Toungoo (Segundo Império de Burma) e, depois, pela dinastia Konbaung, que governou até o século XIX. Em 1885, após décadas de conflitos, o Reino Unido anexou o país ao Raj Britânico, ao lado de Índia, Paquistão e Bangladesh. A colonização foi brevemente interrompida pela ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial, e a independência veio em 1948, ainda sob o nome de Birmânia.

A grande virada ocorreu em 1962, quando um golpe de Estado levou o Partido do Programa Socialista da Birmânia ao poder, sob o comando do general Ne Win. Nos 12 anos seguintes, o país foi governado sob lei marcial. Em 1974, uma nova constituição instituiu o regime de partido único, com os militares controlando todas as esferas do Estado. Em 1988, a Revolta 8888 — uma série de protestos liderados por monges budistas — forçou o regime a se abrir e permitir eleições em 1990. Foi quando surgiu a figura da líder democrática Aung San Suu Kyi, cujo partido obteve uma vitória esmagadora. A alegria durou pouco: os militares recusaram-se a ceder o poder e, em 1992, um novo golpe a colocou em prisão domiciliar, mesmo após receber o Nobel da Paz em 1991.

O país mudou de nome para Myanmar — mudança não reconhecida até hoje por EUA e Reino Unido, além da própria oposição. Entre 1992 e 2011, o regime foi comandado por Than Shwe, que isolou ainda mais o país, manteve Suu Kyi presa e transferiu a capital de Yangon (a maior cidade) para Naypyidaw, uma cidade planejada no interior e construída em segredo, com avenidas enormes para pouco mais de 100 mil habitantes. A mudança visava evitar novos protestos como os de 1988, saindo de uma grande cidade para o interior. Mas em 2008, o país sofreu sua maior tragédia natural: o ciclone Nargis matou mais de 200 mil pessoas, e o governo foi acusado de dificultar a chegada de ajuda internacional.

   

Acima, a antiga capital e maior cidade do país Yagon; abaixo, a novíssima capital Naypyidaw

              
               Ex-líder do país e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi
Pressões internas — incluindo conflitos com minorias étnicas — levaram a novas eleições em 2011, vencidas pelos militares após boicote dos aliados de Suu Kyi. O país foi renomeado como República da União de Myanmar. Após reformas democráticas, o partido de Suu Kyi (libertada da prisão neste momento) venceu as eleições de 2015 e ela tornou-se Conselheira de Estado (não podia concorrer à presidência). Era o primeiro governo não militar em 50 anos, mas o sonho democrático logo se desfez. Seu mandato foi marcado pela opressão brutal contra a minoria muçulmana Rohingya, no oeste do país: mais de 24 mil mortos e 1,5 milhão de refugiados foram para o Bangladesh. Suu Kyi foi criticada internacionalmente por fechar os olhos ao que foi classificado como genocídio e chegou a defender os militares responsáveis pelo massacre. Apesar da instabilidade, seu partido venceu as eleições de 2020 — mas, em 2021, os militares aplicaram um novo golpe. O general Min Aung Hlaing assumiu o poder e Suu Kyi foi presa novamente, condenada por corrupção, e o país mergulhou em uma guerra civil. Hoje, o regime militar controla apenas cerca de 20% do território; o restante está sob domínio de milícias étnicas. E a corrupção segue solta com o novo regime, com Ming Aung sendo acusado de favorecer empresas que possui. 

Redes sociais bloqueadas, oposição desmantelada e repressão violenta a protestos. Myanmar ocupa a posição 174 no índice de democracia do V-DEM e a 169 em liberdade de imprensa (de 180 países), além de ser classificado pela Transparência Internacional como um dos regimes mais corruptos do mundo (posição 169). O genocídio Rohingya continua sem solução e este povo é considerado apátrida pois não é reconhecido pelo governo, além do crime dominar com tráfico humano e tráfico de drogas na região do Triângulo Dourado. Apesar de tanta informação disponível, o país segue fora dos holofotes globais. Por quê?

Atual ditador do país Min Aung Hlaing
Embora o Ocidente imponha sanções, elas são pouco eficazes e não mudaram  a realidade nos últimos anos. O principal interessado na estabilidade do regime é a China. O território birmanês possui riquezas minerais e petróleo pouco explorados, mas o maior interesse chinês é estratégico: com uma longa fronteira com Myanmar, a China utiliza portos birmaneses para escoar produtos e receber mercadorias, contornando o Estreito de Malaca — passagem vital entre os oceanos Índico e Pacífico, controlada por EUA e aliados com o Singapura, Malásia e Indonésia, que poderiam bloquear o acesso chinês em caso de conflito. Myanmar é, portanto, uma rota alternativa indispensável, e Pequim apoia o regime para manter esse corredor estável, independentemente da forma de governo. A Índia, outra potência regional, também apoia o regime militar para conter a instabilidade na fronteira comum, já que Myanmar abriga grupos que conflitam com Nova Déli. 

Útil a interesses regionais, Myanmar permanece presa nesse ciclo. Dificilmente sua situação mudará enquanto for conveniente para seus vizinhos poderosos.

Azerbaijão: dinastia do petróleo

Localização do país, entre a Europa e a Ásia

Bandeira do país
Entre a Europa e o Oriente Médio, na região do Cáucaso, banhada pelo Mar Cáspio e cercada por montanhas, há países que desafiam classificações: ora considerados asiáticos, ora europeus. Um deles, um pequeno país de 86.600 km² se destaca por ser o único de maioria muçulmana xiita e etnia túrquica, além de ostentar a economia mais rica da região. Esse país é o Azerbaijão — um regime autoritário que a Europa tolera graças ao gás e ao petróleo que dele importa. Embora xiita, poderia ser um aliado natural do vizinho Irã, mas mantém relações estreitas com Israel.

O nome do país vem dos azeris, povo túrquico que migrou da Ásia Central a partir do século XI. Antes disso, a região integrou sucessivos impérios persas, como o Sassânida e o Seljúcida. No século XIX, após as Guerras Russo-Persas, o Império Russo anexou parte do território azeri no Cáucaso, dividindo a região com a Pérsia usando o rio Araz como fronteira. Essa divisão perdura: hoje há mais azeris vivendo no Irã (de 15 a 20 milhões) do que no próprio Azerbaijão (cerca de 10 milhões). Com o colapso do Império Russo em 1917, formou-se a efêmera República da Transcaucásia, que durou apenas quatro meses, e o Azerbaijão tornou-se independente por menos de dois anos, até ser conquistado pelos soviéticos. Como República Socialista Soviética do Azerbaijão, o país tornou-se responsável por 80% do petróleo soviético — alvo estratégico que o Eixo tentou alcançar na Segunda Guerra Mundial. Com a independência em 1991, mergulhou em guerra com a vizinha Armênia pelo controle de Nagorno-Karabakh, região de maioria armênia dentro do Azerbaijão. O conflito cessou em 1994, e o país entrou em uma escalada autoritária que perdura até os dias de hoje.

 Após dois governos curtos pós-independência, Heydar Aliyev — ex-dirigente soviético que governara o Azerbaijão entre 1969 e 1982 — assumiu o poder em 1993. Seu regime intensificou a repressão e o culto à personalidade. Com sua morte em 2003, o filho Ilham Aliyev assumiu em uma eleição fraudulenta e governa até hoje. Não satisfeito de ter herdado o poder se seu pai, Aliyev ainda resolveu envolver a família: sua esposa, Mehrabi Aliyeva, assumiu a vice-presidência do país em 2017 e segue até então; suas filhas Leyla e Arzu são proprietárias de uma das maiores empresas de comunicação do país; e seu filho mais novo, Heydar Aliyev Jr, é apontado como o próximo presidente. 

Sob Ilham Aliyev, o país se notabilizou pela repressão à imprensa: ocupa a 167ª posição no ranking da Repórteres sem Fronteiras (de 180 países) e a 164ª no índice de democracia do V-DEM. As eleições são farsas eleitorais com percentuais altíssimos — em 2024, Aliyev venceu com 92% dos votos. Esse índice inflado foi impulsionado pela vitória na Segunda Guerra de Nagorno-Karabakh, travada durante a pandemia contra a Armênia, com acusações de genocídio contra armênios e que fez o regime de Baku tomar controle do então ênclave armênio. Desde então, a repressão aumentou: nova lei de censura em 2022, prisões arbitrárias de ativistas pela liberdade de expressão e anticorrupção (posição 130 da lista da Transparência Internacional). Tudo tolerado pelo Ocidente, pela Rússia e por outros atores regionais. As denúncias do regime de  Aliyev sediar eventos de prestígio internacional, como o Festival Eurovisão (2012), o GP de Fórmula 1 (desde 2017), jogos da Eurocopa (2021) e, mais recentemente, a COP-29 em Baku — onde exerceu sua influência defendendo os combustíveis fósseis. 

Vista da capital do país, Baku. Fonte: Eurasia.travel

Imagem de Ilham Aliyev
Com esse histórico, como o regime nunca é criticado publicamente e mantém boas relações com quase todos? A resposta está no discurso de abertura da COP-29: petróleo e gás são "dádivas de Deus", segundo Aliyev. O setor representa entre 30% e 50% do PIB e 90% das exportações do país. Após a Guerra da Ucrânia e o boicote europeu à energia russa, o Azerbaijão tornou-se a principal fonte alternativa para a Europa. Em 2022, a União Europeia assinou um acordo prevendo dobrar a importação de gás azeri. A própria guerra contra a Armênia teve dimensão estratégica: a vitória garantiu uma rota de gasoduto via Turquia — aliado-chave com quem faz fronteira apenas pelo exclave de Naquichevão — em vez de depender da rota pela Geórgia e pela Rússia para ir à Europa. A UE, portanto, não interferiu no conflito. Ao mesmo tempo, Baku mantém laços militares e bom trânsito político com a Rússia, o que fez Moscou não intervir em favor de seu maior aliado regional, a Armênia. Com o petróleo, o regime também compra armas israelenses. Como as monarquias do Golfo, o Azerbaijão é tolerado por todos os lados — com exceção do Irã (que teme interferência entre os azeris sob seu território) e da irrelevante Armênia.

Um dos regimes mais autoritários do mundo, rapidamente esquecido quando os motores da F1 roncam nas ruas de Baku.

Cazaquistão: ditadura tão conhecida como Borat

Localização do país

Bandeira do país
Cruzando o Mar Cáspio rumo ao Oriente, chega-se a um dos maiores países do mundo em território. Com mais de 2,7 milhões de km², o Cazaquistão é o 9º maior país em área, mas sua população é de pouco mais de 20 milhões de habitantes — uma densidade de 7 pessoas por km². A razão está na geografia hostil: estepes áridas e semiáridas dominam a paisagem, limitando a agricultura e o clima que oscila entre verões tórridos e invernos gélidos. É a maior nação sem acesso ao mar. Apesar disso, o Cazaquistão é uma das economias mais prósperas da antiga União Soviética: PIB de 360 bilhões de dólares (o segundo maior entre as ex-repúblicas soviéticas), PIB per Capita de U$$ 17 mil dólares e IDH de 0,860, o mais alto da região. Uma nação quase perfeita na descrição — não fosse a democracia sacrificada em nome dessa prosperidade. O país ocupa posições críticas nos rankings: 123º no índice da The Economist, 127º no V-DEM e 141º em liberdade de imprensa. Como um país próspero permanece tão autoritário, desconhecido e discreto — a ponto de Sacha Baron Cohen transformar "Borat" em seu cidadão mais famoso (devido ao desconhecimento do Ocidente por este país)?

A região foi habitada por povos indo-europeus e, segundo estudos, pode ter sido um dos primeiros locais de domesticação do cavalo — até hoje símbolo nacional — pela cultura Botai. Parte da Rota da Seda, o território nunca sediou um grande império centralizado devido ao nomadismo local, até que povos túrquicos, ancestrais dos cazaques modernos, formaram o primeiro Canato em 552. No século XII, o Império Mongol dominou a região por mais de 200 anos, até a dissolução da Horda Dourada. Com a chegada do islamismo, formou-se o Canato Cazaque (século XV ao início do XIX), fragmentado em diversos reinos até a conquista pelo Império Russo. Os russos incentivaram a migração em massa para ocupar a Ásia Central, gerando conflitos com a população local. Com a Revolução de 1917, o Cazaquistão tornou-se república autônoma soviética. Durante a era soviética, viveu tragédias como a fome dos anos 1930 e recebeu alemães do Volga deportados. A imigração russa continuou e os cazaques chegaram a ser minoria em seu próprio país. Na Guerra Fria, o território foi palco dos primeiros testes nucleares soviéticos e abriga até hoje o Cosmódromo de Baikonur — de onde Yuri Gagarin partiu para o espaço —, que permanece como enclave russo. O Cazaquistão foi a última república a declarar independência da União Soviética, em 16 de dezembro de 1991, sendo por alguns dias a própria URSS. A grande maioria dos russos saíram do país neste período. Mas o que poderia significar um sopro de liberdade foi outra guinada autoritária, liderada por um ex-dirigente soviético: Nursultan Nazarbayev.

Com Nazarbayev, o país tomou rumos que até sugeriam uma abertura democrática. Devido às centenas de testes nucleares realizados nos tempos soviéticos, tornou-se um notório Estado antinuclear e abriu mão do arsenal herdado da URSS. Em 1993, adotou uma constituição que limitava o poder do Executivo. Mas Nazarbayev foi ampliando seu controle: em 1995, estendeu o mandato por decreto e, via referendo, alterou a constituição para concentrar mais os poderes. Reeleito em 1999 com mais de 80% dos votos, derrubou via Suprema Corte o limite de mandatos e venceu as eleições de 2007, 2011 e 2015 sem oposição real. A centralização do poder permitiu transferir a capital de Almaty (maior cidade do país) para Astana. Mesmo sem partido, Nazarbayev elegia aliados no parlamento e indicava juízes da Suprema Corte diretamente, ignorando os demais poderes. Prisões de opositores, repressão policial e corrupção sistêmica marcaram o período — prisioneiros sequer eram informados do direito a um advogado. O sistema tornou-se insustentável em 2018, quando protestos irromperam. Após meses de rara instabilidade, Nazarbayev renunciou em 2019 e foi sucedido por Kassym-Jomart Tokayev. Mas o ex-presidente manteve-se como conselheiro militar, e a capital foi renomeada Nur-Sultan em sua homenagem — mais um traço do culto à personalidade. Isso durou pouco: no início de 2022, novos protestos eclodiram na esteira da pandemia. A repressão contou com apoio militar russo, resultando em 238 mortos e quase 10 mil presos. Nazarbayev perdeu de vez seus cargos e saiu da vida política, consolidando Tokayev no poder — que manteve a repressão, ainda que sem atrair críticas internacionais proporcionais.


Acima, a antiga capital Almaty; abaixo, a atual capital Astana


O ex-ditador Nursultan Nazarbayev. Abaixo, o atual ditador Kassym-Jomart Tokayev
                        
Como o Azerbaijão, o Cazaquistão projeta uma fachada de estabilidade e modernidade graças a seus recursos minerais. Seu território é riquíssimo: petróleo e gás natural são o carro-chefe das exportações para Europa e China. É o maior produtor mundial de urânio e está entre os grandes produtores de carvão, ouro, cobre, crômio, ferro e manganês. Com tantas riquezas, o governo autoritário tornou-se um aliado útil para salvaguardar bilhões em investimentos estrangeiros — o país é chamado de "Singapura da Ásia Central". O Cazaquistão recebe investimentos ocidentais, sendo parceiro no combate ao terrorismo e na não proliferação nuclear. Para a Rússia, é aliado estratégico em sua zona de influência e parceiro militar relevante. Para a China, é fornecedor essencial de recursos e peça-chave da Nova Rota da Seda. Útil a todas as potências, o Cazaquistão seguirá como uma ditadura das mais discretas — ainda que, ironicamente, seu cidadão mais conhecido mundialmente seja o conhecido Borat, cujo estado cazaque chegou a processo o ator Sacha Baron Cohen, porém decidiu utilizar o personagem como forma de amenizar a imagem do país no exterior.

O "cazaque" mais famoso do mundo, o repórter Borat  Sagdiyev interpretado por Sacha Baron Cohen

Guiné Equatorial: uma longa ditadura familiar

Localização do país na África, próxima da linha do Equador

Bandeira do país
No coração da África, um dos menores países do continente abriga um dos regimes mais autoritários do mundo. Única nação africana cujo idioma oficial é o espanhol, a Guiné Equatorial é pouco comentada globalmente — mas guarda uma grande riqueza que convém a um governo autocrata controlar, em troca de não atrair atenção excessiva. De tempos em tempos, porém, alguma polêmica força o mundo a se lembrar dela. O país está entre os mais corruptos (172º de 180 países) e entre os mais repressivos (150º no V-DEM e 156º no índice da The Economist). Está em uma posição relativamente alta no ranking dos Reporteres Sem Fronteira (posição 94), as a mídia do país em realidade é mais caótica. Sua história explica como se chegou a isso.

A região foi originalmente habitada por povos pigmeus, depois substituídos pelos bantos. A ilha de Bioko, próxima a Camarões, foi o primeiro ponto de contato com europeus: o navegador português Fernando Pó chegou em 1472, e logo os portugueses exploraram o solo para plantar cana-de-açúcar. O território permaneceu colônia portuguesa até 1778, quando o Tratado de El Pardo transferiu o controle à Espanha. Nesse acordo, Portugal resolveu disputas na região do Rio da Prata cedendo Bioko e a parte continental do Rio Muni (atual Guiné Equatorial) à Espanha, enquanto os espanhóis abriram mão do que hoje são o Uruguai e partes do sul do Brasil. Apesar da posição estratégica, a Espanha pouco investiu: a região serviu principalmente ao tráfico de escravos, sendo inicialmente administrada pelo Vice-Reino do Rio da Prata, com capital em Buenos Aires — a 10.000 km de distância. Após a independência argentina em 1810, a Espanha reassumiu o controle, mas emprestou Bioko ao Reino Unido entre 1827 e 1843 — período em que os britânicos suprimiram o tráfico negreiro. Quase venderam o território, mas pressões políticas internas (após perder quase todas as colônias americanas) mantiveram a posse espanhola. Pouco investiram até 1885, quando a Conferência de Berlim quase lhes custou o território: a Espanha, fragilizada, só manteria suas terras africanas se comprovasse ocupação efetiva. Após acordo com a França em 1900, ficou com apenas 26.000 km² dos 300.000 km² originais (o país tem território hoje de 28.000 km²). A colonização efetiva veio com trabalhadores de outras partes da África e missionários, e em 1926 os territórios foram unificados como Guiné Espanhola. Com a vitória de Franco na Guerra Civil, nacionalistas das Canárias assumiram o controle, e o país permaneceu colônia até a independência, em 1968. O fim do franquismo espanhol, porém, não trouxe democracia — inaugurou um regime tão brutal quanto.

No ano da independência, Francisco Macías Nguema tornou-se o primeiro presidente. Eleito e inicialmente próximo do antigo colonizador, logo adotou retórica anti-europeia e ameaçou os poucos espanhóis remanescentes. Perseguiu opositores e aliados, aliou-se a União Soviética, China, Cuba e Coreia do Norte e, em 1972, autodeclarou-se "presidente vitalício". A repressão escalou: perseguiu minorias étnicas (ele era da maioria Fang), afirmou que "Hitler salvou a África", baniu a pesca, proibiu a palavra "intelectual", prendeu quem usava óculos e até quem andava de barco. O regime, descrito como "paranoico", levou à fuga de quase metade da população para países vizinhos e para a Espanha. Em 1979, a elite política se cansou da loucura comparada ao nazismo, e Macías foi deposto pelo sobrinho, Teodoro Obiang Nguema — e executado logo após o golpe. A esperança de dias melhores logo se desfez: Obiang instaurou um regime menos sanguinário, mas igualmente autoritário.

O ex-ditador Francisco Macías Nguema, considerado um dos piores ditadores africanos



Atual ditador Teodoro Obiang ao lado do ex-presidente Barack Obama
A descoberta de petróleo em 1995 fez as receitas dispararem — mas não para o país, e sim para a família Obiang, que passou a dominar a política. A corrupção tornou-se sistêmica: Obiang acumula fortuna estimada em US$ 600 milhões, sendo um dos chefes de Estado mais ricos do mundo, enquanto o país tem uma das maiores desigualdades sociais do planeta (índice de Gini elevado, de 58.8 segundo a ONU) e mais da metade da população não tem acesso a água potável. O culto à personalidade persiste, ainda que mais discreto. Embora haja eleições e outros partidos, Obiang venceu todos os pleitos com mais de 95% dos votos, sempre sob suspeita de fraude. A mídia é escassa e boa parte dela pertence a seu filho, Teodoro Nguema Obiang, o "Teodorín", apontado como futuro sucessor.

Poucas notícias da repressão vazam. Uma das raras ocasiões em que o país ganhou holofotes foi o Carnaval do Rio de Janeiro de 2015, quando a Beija-Flor de Nilópolis venceu com enredo sobre a Guiné Equatorial — sob suspeita de ter recebido 10 milhões de reais do governo guineano. Obiang é visto com frequência no Carnaval carioca e passa temporadas em seu apartamento em Ipanema ou no Copacabana Palace. Há 47 anos no poder, ele se mantém porque consegue aliados de todos os lados. Graças ao petróleo e à abertura a empresas estrangeiras, melhorou relações com os EUA — a ponto de a administração Trump pagar o país para receber imigrantes ilegais. Com a Rússia, permitiu a entrada do Grupo Wagner para proteger-se de tentativas de golpe. Espanha (antigo colonizador) e China também mantêm boas relações com o regime, que recentemente mudou a capital de Malabo (na ilha de Bioko) para Ciudad de la Paz. Um regime que garante a estabilidade em uma zona rica em petróleo e gás para todo o mundo.


Acima, a antiga capital do país Malab, localizada na ilha de Bioko; abaixo, a recém-inaugurada capital Ciudad de la Paz no interior do país.

Camarões:  futebol, cacau e vida longa à Paul Biya

Localização de Camarões, próximo ao centro do continente

Bandeira do país.
Ao norte da Guiné Equatorial, Camarões é o país mais conhecido da lista, sendo familiar ao público brasileiro e mundial — sobretudo por sua seleção de futebol. Graças a nomes como Roger Milla e Samuel Eto'o, tornou-se uma das mais fortes da África e frequenta a Copa do Mundo com regularidade (caindo no grupo do Brasil em 1994, 2014 e 2022). Essa imagem positiva, porém, ajuda a esconder um dos regimes mais autoritários e discretos do continente em um território grande (475.772 km²) e população de quase 31 milhões de habitantes, que pela diversidade climática e de biomas, é chamado de "Áfica em miniatura". 

Como na Guiné Equatorial, o território foi habitado inicialmente por pigmeus e depois por povos bantos. Ao norte, a civilização Sao deu origem ao Império Kanem-Bornu, um dos mais longevos da África (durou entre os séculos VIII ao XIX). Na costa, navegadores portugueses chegaram no século XV e, impressionados com a abundância de uma espécie de camarão-fantasma no Rio Wouri, deram à região o nome que originou "Camarões". Na Conferência de Berlim, o território passou ao Império Alemão como "Kamerun". A colonização alemã foi curta mas violenta, com conflitos constantes contra reinos locais e críticas de outras potências devido ao regime de trabalho dos locais. A produção de banana, coco e borracha era rentável. Após a Primeira Guerra Mundial e a perda das colônias alemãs, britânicos e franceses dividiram o território: a França ficou com a maior parte, e o Reino Unido, com uma faixa próxima à Nigéria. A independência veio com conflitos entre 1955 e 1964: o Camarões Francês tornou-se independente em 1960, e a parte britânica, em 1961. As duas foram unificadas em uma federação sob o comando do líder francófono Ahmadou Ahidjo.

Ahidjo governou de 1960 a 1982 e foi o arquiteto da centralização do poder. Nos anos 1960, criou leis para instaurar um regime de partido único. Em 1972, aboliu a federação e tornou o Estado unitário, retirando a autonomia da parte anglófona. A repressão aumentou com o apoio da França, que via em Ahidjo um aliado contra o comunismo na região. Em 1982, ele renunciou em favor de Paul Biya — um cristão, enquanto Ahidjo era muçulmano. Tentou controlar o governo nos bastidores, mas não contava com a astúcia de Biya, que resistiu a um golpe e o exilou no Senegal, onde Ahidjo morreu em 1989.

Ex-ditador do país, Ahmadou Ahidjo ao lado do então presidente estadunidense Ronald Reagan

Atual ditador Paul Biya, reeleito aos 92 anos de idade

O regime de Biya intensificou a repressão à imprensa: jornalistas opositores foram presos e torturados até a morte. Nos anos 1990, houve uma abertura formal ao multipartidarismo, mas Biya venceu as eleições de 1992 com cerca de 40% dos votos (sob acusações de fraude) e as seguintes com margens ainda maiores, sempre com opositores impedidos de concorrer. Derrubou o limite de mandatos na constituição e tornou-se, aos 93 anos, o chefe de Estado mais velho do mundo. Recluso, Biya raramente aparece em público, e especula-se que nem mesmo governe de fato, hospedando-se em hotéis de luxo na Suíça com diárias de até US$ 40 mil — um retrato da corrupção endêmica no país. Uma curiosidade: a homossexualidade é crime em Camarões (penas de até cinco anos), mas a filha mais nova de Biya, Brenda, declarou-se lésbica e mantém relacionamento com a modelo brasileira Layyons Valença, vivendo fora do país. Nas eleições de 2025, Brenda chegou a pedir votos contra o pai num vídeo, para depois apagá-lo e se desculpar.

Vista da capital Yaoundé

Altamente corrupto (142º no ranking da Transparência Internacional), repressor da imprensa (131º de 180 países) e classificado como autocracia (136º no índice da The Economist e 127º no V-DEM), o regime de Biya oprime a minoria anglófona e se mantém impune. Como? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: Camarões jamais rompeu com a França, seu antigo colonizador. Desde Ahidjo, Paris fornece apoio financeiro e militar, interessada em manter acesso às riquezas de suas antigas colônias africanas — e Camarões ocupa uma posição geográfica estratégica no centro da África. Os EUA também apoiam o regime militarmente: o país abriga uma base de drones e é aliado no combate ao Boko Haram, grupo terrorista originário da Nigéria e que atua na região. Embora incomodado, o Ocidente paga o preço pela estabilidade, pelo acesso a petróleo recém-descoberto e ao cacau — Camarões é o quinto maior produtor mundial, fornecedor-chave para a indústria ocidental de chocolate, cuja colheita é alvo de acusações de trabalho forçado. A Rússia também coopera no combate ao terrorismo, sem exigir concessões democráticas. A China, principal investidor, ignora o regime desde que os negócios não sejam afetados. E Israel treina a guarda presidencial de Biya — força separada do exército regular —, o que faz de Camarões um dos poucos países africanos a apoiar Israel em votações na ONU. Uma teia de relações que mantém o regime de Yaoundé de pé a baixo custo, fazendo de Paul Biya um dos líderes mais longevos do mundo.

Ruanda: superação do passado com práticas autoritárias

Localização de Ruanda, na região dos Grandes Lagos Africanos

Atual bandeira do país 
Por fim, chegamos ao país mais inesperado desta lista. Patrocinador de clubes europeus de futebol  com destaque para o Arsenal , Ruanda é vendido como um caso de sucesso na recuperação após um dos maiores traumas nacionais e internacionais do século XX. Superficialmente bem-visto no exterior, seu líder é considerado moderado, embora esteja no poder há mais de três décadas. Por trás da fachada moderna e progressista, esconde-se um dos regimes mais discretamente repressivos do mundo.

Ruanda é um pequeno país do centro-leste africano: apenas 26.000 km², mas com 14 milhões de habitantes (um dos países mai densamente habitados do mundo). De clima ameno por sua localização montanhosa, tem uma história antiga. A população atual formou-se com a chegada dos bantos entre os séculos IX e XVI, dando origem aos dois principais grupos étnicos: Hutus e Tutsis. Diversos reinos surgiram na região, sendo o Reino de Ruanda o mais poderoso, com monarcas Tutsis. No século XIX, com a partilha da África, coube à Alemanha a administração do território. A colonização alemã foi indireta, mantendo a monarquia tutsi e seus privilégios. Durante a Primeira Guerra Mundial, os belgas, que controlavam o Congo, invadiram Ruanda e Burundi e, em 1922, unificaram os dois territórios sob seu domínio. Os belgas instituíram um sistema de carteiras de identidade com a etnia registrada — formalizando a divisão que se mostraria fatal. Após a Segunda Guerra, movimentos independentistas ganharam força e, em 1959, a Revolução Ruandesa levou hutus a massacrar milhares de tutsis e forçar centenas de milhares a fugir para Uganda e Congo. Com a abolição da monarquia, o país tornou-se independente sob Grégoire Kayibanda, que governou com partido único pró-hutu até 1973, quando foi derrubado pelo ministro da Defesa, Juvénal Habyarimana. Este manteve o regime totalitário pró-Hutu, com alguma estabilidade e crescimento econômico, embora Ruanda continuasse entre os mais pobres da África. As milícias tutsis contiveram-se por um tempo, mas uma bomba-relógio estava armada.

Imagem do então presidente  Juvénal Habyarimana, cujo assassinato foi estopim do Genocídio
Em 1990, a Frente Patriótica Ruandesa (FPR), composta majoritariamente por tutsis refugiados em Uganda e apoiada pelo ditador ugandês Yoweri 
Museveni, invadiu o país e iniciou uma guerra civil. A situação de Habyarimana era frágil: o preço do café, principal produto de exportação, despencara. Após três anos de conflito, um acordo de paz foi assinado em 1993. O cessar-fogo durou até o evento que transformou essa guerra ignorada em um dos episódios mais brutais da história: o assassinato dos presidentes Juvénal Habyarimana (Ruanda) e Cyprien Ntaryamira (Burundi), cujo avião foi abatido ao se aproximar de Kigali. Até hoje, a autoria é desconhecida — atribuída tanto à FPR quanto à milícia extremista hutu Poder Hutu. Independentemente da responsabilidade, o atentado despertou a fúria da maioria hutu. Armados com facões e coordenados via rádio, extremistas hutus massacraram tutsis, hutus moderados e a minoria Twa. Em pouco mais de dois meses, mais de 500 mil pessoas foram mortas, em uma escala sem precedentes. As grandes potências nada fizeram — os EUA, em especial, evitaram intervir no continente após o fracasso na Somália. A matança e as centenas de milhares de casos de abuso sexual só cessaram quando a FPR tomou Kigali, derrubando o governo interino hutu, que fugiu com milhões de pessoas para o Zaire (atual República Democrática do Congo).

O genocídio não marcou apenas Ruanda — desestabilizou toda a região dos Grandes Lagos. A crise de refugiados levou à Primeira Guerra do Congo (1996-1997), quando Ruanda invadiu o leste do Zaire para perseguir milícias hutus, culminando na queda do ditador Mobutu Sese Seko. Laurent Kabila assumiu o poder, mas logo rompeu com Ruanda e Uganda, dando início à Segunda Guerra do Congo (1998-2003) — também chamada de Segunda Guerra Africana —, que resultou em mais de cinco milhões de mortes, entre violência, fome e doenças.

Entender o pós-genocídio é essencial para explicar o atual regime ruandês. Após a queda do governo hutu, o cargo de presidente foi ocupado pelo hutu Pasteur Bizimungu (1994-2000). Mas o poder de fato já estava com o líder da FPR e vice-presidente, o tutsi Paul Kagame. Em 2000, Kagame assumiu a presidência, alterou a bandeira do país e baniu o partido de Bizimungu e o condenou a 15 anos de prisão (depois perdoado). Seu regime promoveu transformações reais: aboliu a identificação étnica, criou as Cortes de Gacaca para julgar responsáveis pelo genocídio (criticadas por serem, na prática, uma inquisição da FPR), reduziu a pobreza a menos da metade da população em pouco mais de uma década e elevou a expectativa de vida de 47 para 65 anos. Kigali tornou-se uma cidade de arranha-céus, e o turismo ecológico e de safári floresceu. O parlamento ruandês tem 60% de cadeiras ocupadas por mulheres, o maior percentual do mundo. O país baniu sacolas plásticas e adotou políticas ambientais rigorosas. Mas, por trás dessa fachada de vanguarda, velhas práticas autoritárias persistem.

Vista da capital Kigali, com constraste entre velhas construções e os arranha-céus

Diferentemente dos reclusos Afewerki e Biya, Kagame é carismático e se abriu ao mundo, vendendo a imagem de um país que superou suas diferenças. No entanto, para evitar "memórias do genocídio", a censura impera: a mídia é controlada por aliados do governo, e vozes divergentes são silenciadas. O parlamento, embora majoritariamente feminino, apenas valida as decisões do presidente. A oposição é impedida de concorrer, e um referendo em 2017 eliminou os limites constitucionais de mandatos. Kagame venceu as eleições de 2017 e 2024 com mais de 98% dos votos. Durante o governo britânico de Boris Johnson, Ruanda aceitou receber imigrantes ilegais em troca de pagamento. E há um aspecto que ameaça toda a região: na instável região de Kivu, no leste do Congo, o regime de Kagame apoia o grupo M23, formado majoritariamente por tutsis refugiados, que age sob ordens de Kigali para extrair minerais — ouro e coltan — contrabandeados para Ruanda. O governo nega as acusações, mas o contrabando é visível. O patrocínio à clubes europeus, como o Arsenal e o Atlético de Madrid, expõe a prática de regimes autoritários (como os árabes e o Azerbaijão) de amenizar seu autoritarismo com apoio aos esportes, em uma prática denominada sportwashing.

Na imagem, Paul Kagame, visto como grande líder africano para uns e um tirano para outros. Fonte: New African Magazine

Esse apoio externo revela a teia que sustenta Kagame. O Ocidente tolera e financia o regime porque ele realiza o "trabalho sujo" de estabilizar uma região historicamente conflagrada e facilita o fluxo de minerais congoleses críticos para novas tecnologias. Kagame explora a culpa ocidental pela omissão no genocídio de 1994 para mandar e desmandar no país. Mesmo classificado como autoritário pelos indicadores (114º no índice da The Economist, 142º no V-DEM e 146º em liberdade de imprensa), Ruanda se vende como um país à frente do seu tempo — uma vitrine para um continente marcado por dificuldades e ditaduras. Mas as ações do regime, dentro e fora de suas fronteiras, mostram algo bem diferente das imagens reluzentes de Kigali.

Conclusão

O autoritarismo segue aumentando pelo mundo. Quando não ameaçam a ordem global e os interesses das grandes potências, estes regimes passam quase que despercebidos e quase nunca são denunciados. Digo quase pois, quando denunciados, panos quentes são passados. Em comum, quase todos compartilham uma fórmula conhecida. Recursos naturais estratégicos que despertam o apetite de potências dispostas a fechar os olhos para a repressão interna em troca de estabilidade e contratos vantajosos para a sua exploração. Posições geográficasestratpegicas que os transformam em peças úteis no tabuleiro geopolítico, seja como rota alternativa ou o controle garante a estabilidade logística, seja como anteparo contra o terrorismo ou a influência de adversários. E, sobretudo, uma discrição cultivada a ferro e fogo: nenhum deles ameaça a ordem internacional, exporta ideologia ou confronta abertamente o Ocidente — ao contrário de ditaduras barulhentas como Coreia do Norte, Irã ou Venezuela.

São regimes que aprenderam a ser úteis sem ser incômodos. Reprimem jornalistas, fraudam eleições, perseguem minorias, praticam trabalho forçado e abastecem redes de corrupção — mas sediam grandes eventos esportivos e diplomáticos, estampam camisas de clubes europeus, participam do grande comércio global  e alguns estão até no cacau para o chocolate que consumimos. Para o mundo, são parceiros confiáveis; para seus cidadãos, prisões a céu aberto.

Enquanto a conveniência ditar as relações internacionais, esses regimes continuarão a prosperar no silêncio. Não porque ninguém saiba o que acontece dentro de suas fronteiras, mas porque há interesses poderosos demais para que alguém se importe. A indiferença, afinal, não é ausência de conhecimento, é uma escolha.

E a pergunta que fica é: até quando?

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Os Campeões do BBB mais disruptivos

Disruptivo: Aquilo que altera o fluxo, o curso normal de um processo; que quebra um padrão; inovador; pioneiro

Escolhi essa definição porque ela se conecta direto com o que vou escrever. E, cá entre nós, depois de um longo hiato sem postar por conta da correria do trabalho (que, convenhamos, mata qualquer criatividade), nada melhor do que voltar falando de um assunto que muitos odeiam, mas poucos admitem acompanhar: o Big Brother Brasil.

Sou suspeito para falar. Assisto desde os 7 anos, em 2002. E, ao contrário do que dizem por aí, não acho que o programa seja só "pão e circo". Dá pra ser um bom profissional, falar três idiomas e ainda assim se perguntar: afinal, o que o comportamento dos brothers diz sobre o próprio Brasil? O programa é um verdadeiro laboratório sociológico e acompanhou, em 25 anos, as mudanças do país. A própria política, hoje, virou um grande BBB se repararem bem. 

Mas, aos 30 e poucos anos, bati um dado: já são 25 edições, mais de 420 participantes, e a grande maioria (uns 95%) foi esquecida. O que me fez pensar: quem, de fato, quebrou os padrões? Quem foi contra o tal "gosto do brasileiro" e venceu, visto que muitos perfis vencedores se repetem? Com a era dos influenciadores, virar campeão perdeu um pouco o sentido, já que muitos querem apenas usar p programa para ganhar seguidores e levarem o prêmio em "publis". Nem todos terão sucesso nisso, mas o sucesso de figuras cada vez mais medíocres nos vende o contrário.

Então quero aqui falar sobre alguns campeões, seja pela tendência do programa ou o contexto social do Brasil não permitiriam que ganhassem o programa naquele momento. Contra todos os prognósticos iniciais, estes campeões se tornaram o que foram.

Vamos a lista


Jean Wyllys (BBB5)


À direita, Wyllis como deputado; à esquerda, na época do programa (fonte: Extra)

O Brasil de 21 anos atrás era um outro país. Lula já era presidente, mas a sociedade era bem diferente. As redes sociais engatinhavam, a seleção tinha acabado de ser campeã do mundo e a Guerra do Iraque dominava os noticiários, assim como a corrupção do Mensalão que foi um dos pilares para a polarização de hoje em dia. Parece distante, né? E era. Naquela época, o BBB 5 entrou para a história. Considerado por muitos como uma das edições mais marcantes de todos os tempos, foi ali que o programa se consolidou como uma novela da vida real, com mocinhos e vilões bem definidos — uma fórmula que se vê até hoje.

O grande vilão da edição era o médico Rogério Padovan, que ficou conhecido como "Doutor Gê". Ele protagonizou declarações homofóbicas e articulações contra o outro grupo que se formou na casa. E foi desse grupo de "mocinhos" que saiu um campeão com um perfil completamente inédito até então: o professor universitário baiano Jean Wyllys.

Natural de Alagoinhas, Jean era mestre em Letras e professor de pós-graduação. Em um país onde a representação LGBTQIAP+ na TV se resumia a personagens caricatos, Jean era um acadêmico, homossexual e não pedia licença para existir. Ele, antes do primeiro paredão (em que por menos de 1% de diferença não saiu), falou que era gay e que não tinha medo disso, além de ter sido mandado (com muitos votos da casa) por ser quem ele é. Ao voltar, ele confrontou os rivais e construiu uma amizade que ganhou o público com a então Miss Paraná e futura atriz Grazi Massafera e, contra todos os prognósticos (Grazi era favorita, graças a sua simpatia e beleza), venceu o programa com 55% dos votos, levando o primeiro prêmio de 1 milhão da história do reality.

Jean foi disruptivo por dois motivos: era o primeiro intelectual a vencer o BBB e, mais importante, o primeiro homossexual assumido a ser campeão, numa época em que a homofobia era regra, não exceção. Outros homossexuais já haviam participado do programa como André Gabeh do BBB1 e Cristiano do BBB4 (que escondeu que era homossexual em sua participação). Jean não ficou no armário dentro do programa e assim, abriu armários pelo Brasil afora. Além de ter sido o primeiro contato com a comunidade LGBTQIAP+ sem a abordagem caricata que havia até então. 

Eu tinha 10 anos e foi a primeira vez que tive contato com algo da comunidade LGBTQIAP+. Meus pais nunca tocaram no assunto. Foi vendo Jean na TV que entendi que existiam outras formas de amar e ser. Não sou uma pessoa desse universo, mas tenho amigos que são — e todos reconhecem a importância daquele momento. Um ano depois, na 5ª série, abracei um colega que a turma julgava ser gay. Fui taxado na hora  e o resto daquele ano foi um inferno. Usavam aquilo para me diminuir, para tentar descredibilizar minhas notas e me queimar com outras garotas. E isso se repetiu outras vezes, especialmente por eu não performar a masculinidade que esperavam de mim. Jean Wyllys me mostrou, sem saber, que se podia ser homem acima de tudo, independente da sexualidade. Assim como eu, que não sou o "hétero top padrão", também sou.

Talvez o Brasil de hoje não elegesse Jean campeão. Vimos os retrocessos que ele próprio enfrentou como deputado federal, até precisar deixar o país. Mas isso não apaga o feito: Jean Wyllys foi o primeiro campeão disruptivo do BBB, e sua vitória mudou o programa para sempre. Outros participantes gays participaram e a sua presença aumentou ao longo dos anos, mas ganhar ficou cada dia mais complicado.

Maria Melilo (BBB11)

À esquerda, Maria na época do programa; à direita, atualmente (fonte: O Globo)

Demos um salto para 2011. O mundo ainda sentia os efeitos da Crise de 2008, enquanto a Primavera Árabe mostrava o poder das redes sociais para derrubar governos e iniciou o poder das redes sociais como armas políticas (o que pioraria ainda mais). O  Brasil, que havia passado quase ileso em 2008, vivia o auge do crescimento econômico e da popularidade de Lula, que pavimentou a eleição de Dilma Rousseff, a primeira e até hoje única mulher a se eleger presidente.

E as redes sociais, pela primeira vez, começavam a mudar o jogo do BBB. O Twitter e o Facebook influenciavam os rumos do programa, e as votações online já superavam o telefone. O Orkut, com seus fã-clubes organizados, tinha sido decisivo para a vitória de Marcelo Dourado no BBB10 — a famosa "Máfia Dourada". 

Mas, apesar dos avanços tecnológicos, um dado chamava a atenção nas dez primeiras edições: apenas duas mulheres haviam vencido o programa. Cida (BBB4) e Mara (BBB6) tinham perfis parecidos: origem humilde, pouca protagonismo dentro da casa e histórias de vida que sensibilizaram o público. Fora isso, os homens dominavam e ganhavam o programa mesmo com as mulheres tendo mais apelo do público, aparentemente. A eleição de Dilma pode ter influenciado o Brasil a eleger a terceira campeã e daqui em diante, as mulheres dominaram as edições seguintes. O pontapé para isso veio da atriz e modelo paulista Maria Melilo, que  entrou na casa com um objetivo claro: ganhar o prêmio de 1,5 milhão para alavancar a carreira. Mas sua trajetória teve todos os ingredientes de uma novela que sempre sonhara em protagonizar.

Na primeira semana, ela se envolveu com o músico Maurício, o "Mau-Mau". Duas semanas depois, ele foi eliminado. Maria, então, começou a se aproximar do médico Wesley. Até que, numa reviravolta digna de roteiro, Mau-Mau voltou ao programa numa repescagem. Ao retornar, ignorou completamente Maria, mesmo com ela tentando uma reaproximação. Ela não se fez de rogada: assumiu de vez o romance com Wesley e enfrentou as grosserias do ex-affair. O público comprou a briga dela. Na final, Maria venceu com 43% dos votos, disputando o prêmio com o próprio Wesley, que se destacou também pelo relacionamento e pelo bom trato com a moça e com o carismático Daniel, que ficou marcado por sua amizade com um coqueiro. 

A vitória de Maria foi disruptiva por vários motivos. Ela quebrava o padrão das vencedoras anteriores: era jovem, bonita, divertia-se nas festas e viveu sua sexualidade sem culpa, envolvendo-se com dois homens na mesma edição. Até então, mulheres com esse perfil não chegavam à final — quando chegavam, eram engolidas pelo julgamento moral do público. Fazer casal no BBB sempre foi um risco, especialmente para mulheres. Elas sofriam — e ainda sofrem — uma cobrança muito maior. Naquela época, mulheres atraentes que passavam pelo programa eram imediatamente convidadas para posar nuas, o que gerava a percepção de que "não precisavam" do prêmio. Maria enfrentou esse preconceito: houve quem espalhasse boatos de que ela seria garota de programa só por ter se envolvido com dois homens e ter tido fotos nuas vazadas durante sua participação no programa, mas isso fazia parte de um trabalho artístico. Com os redpills fortes na internet hoje em dia, perigava Maria nunca ter ouvido o histórico discurso feito na final pelo então apresentador do programa Pedro Bial.

Ela venceu o julgamento e os preconceitos e mostrou que uma mulher podia ser livre, bonita, se divertir e ainda assim ser campeã. Depois do programa, posou nua — não por necessidade, mas por escolha. Ironicamente, o público de hoje, nas redes, talvez fosse ainda mais cruel com uma Maria Melilo. O moralismo digital aumentou, disfarçado de discurso de libertação. Mas o fato é que, depois dela, as mulheres passaram a vencer com mais frequência — embora a cobrança por "coerência" e "retidão" nunca tenha sido tão grande.

Maria Melilo venceu entre erros e acertos, como todo ser humano. Hoje, segue como influenciadora e carrega uma vitória ainda maior: superou um câncer no fígado. E segue sendo, para sempre, a campeã que quebrou o tabu de que mulher bonita e livre não podia ganhar o BBB.


Vanessa Mesquita (BBB14)

Acima, Vanessa na época do programa; abaixo, como está atualmente (Fontes: Globo e CNN)

O ano de 2014 foi um daqueles que a gente não esquece. O Brasil sediou uma Copa do Mundo em casa, enquanto engatinhava numa crise política e econômica que se arrastaria por anos, potencializado pela tragédia do 7 a 1 ante a Alemanha, que expurgou o Maracanazzo de 1950, mas criou uma síndrome de vira-lata ainda pior.  Era o cenário perfeito para um BBB histórico, certo? Quase.

O BBB14 não foi uma das edições mais marcantes da TV, mas marcou o início de uma nova fase: a audiência tradicional caía, mas a repercussão nas redes sociais explodia como nunca. E, pela primeira vez, os fã-clubes organizados — os famosos fandoms — mostraram sua força para além do Twitter. A edição teve dinâmicas confusas, uma participação relâmpago da personagem Valdirene (Tatá Werneck) e um emaranhado de relacionamentos. Mas o que realmente ficou na memória foi um casal: Clara e Vanessa, que marcaram um dos ships mais marcantes de toda a história do programa, o "Clanessa".

Elas se aproximaram nas primeiras semanas e formaram o primeiro — e até agora único — casal lésbico da história do BBB. Diferente da maioria dos casais héteros, que costumam prejudicar um dos dois na reta final, Clara e Vanessa se beneficiaram mutuamente. A química entre as duas era tão genuína que o público se apaixonou junto. Elas enfrentaram punições por se beijarem em locais incomuns, foram acusadas por colegas de "forçarem um casal" para ganhar votos — acusação que nunca colou — e Vanessa, em especial, enfrentou o assédio de outros homens da casa para que ela largasse Clara e mais cinco paredões. A final da edição, a primeira totalmente feminina (junto da vice-campeão Ângela), Vanessa Mesquita se sagrou campeã com 59% dos votos. Clara ficou em terceiro lugar.

Vanessa era um perfil improvável de vencedora até então: modelo fitness, ativista pelos direitos dos animais (vegetariana assumida) e bissexual. Clara, por sua vez, também quebrava padrões: fazia conteúdo adulto, era casada com um estrangeiro e vivia um relacionamento aberto. Duas mulheres, num casal homoafetivo, conduzindo a edição e chegando à final. Em 2014, isso foi revolucionário. E vinha sendo a tendência daquele ano de ter isso na televisão. Naquele mesmo ano, a Globo exibia o primeiro beijo gay em suas novelas (Félix e Niko, em "Amor à Vida") e, logo depois, o primeiro beijo lésbico (Clara e Marina, em "Em Família"). 

Pois bem. O que veio depois todos nós sabemos.

O conservadorismo cresceu após 2014 e do Impeachment de Dilma. As emissoras, inclusive a Globo, passaram a evitar relações homoafetivas explícitas com medo de afugentar o público mais conservador e na crença que o aumento dos evangélicos no país prejudicaria seus produtos. E o BBB seguiu o mesmo caminho. Antes de Clara e Vanessa, tivemos participantes sáficas como Angélica "Morango" (BBB10) e Diana Balsini (BBB11). Depois delas, o programa passou a escalar, no máximo, uma mulher LGBT por edição — quase sempre comprometida, quase sempre sem espaço para qualquer envolvimento dentro da casa. A sub-representação lésbica aumentou, mesmo com o público lésbico sendo um dos mais fiéis à atração. Sem representatividade, esse público "inventou" mulheres e casais lésbicos desde então. Enquanto os homens gays seguiram presentes e protagonizando momentos (como o beijo de Gil do Vigor e Lucas Penteado no BBB21), as mulheres lésbicas e bissexuais desapareceram do radar. E uma vencedora como Vanessa Mesquita, bissexual e ativista, tornou-se a cada ano mais improvável.

Vanessa, hoje, segue sua luta pelos animais, formou-se em medicina veterinária e mantém amizade com Clara. As duas, juntas, marcaram uma geração e mostraram que o amor — e o público — pode ser muito mais simples do que a TV imagina. Mas em um casal sáfico, talvez seja improvável. 


Thelma Assis (BBB20)

À esquerda, Thelma durante o programa; à direita, como está atualmente (fonte Globo e UOL)

O BBB20 foi a última grande revolução dentro do formato do programa até aqui. E veio na hora certa.

A edição anterior, o BBB19, havia sido um desastre: audiência baixíssima, elenco apático e uma vencedora que, para muitos, representava o auge do bolsonarismo no país. O Brasil mergulhava na ascensão da extrema-direita mundial — Trump nos EUA, Brexit na Europa — enquanto o Brasil enfrentava os retrocessos do Governo Bolsonaro, como a Reforma da Previdência. Ninguém imaginava que o maior desafio ainda estava por vir: a pandemia de COVID-19, que vitimaria mais de 700 mil pessoas só no Brasil.

A Globo precisava salvar o programa. A solução foi radical: misturar anônimos ("Pipocas") com famosos ("Camarotes"). A ideia dividiu opiniões — afinal, a graça do BBB sempre foi pessoas comuns sem noção de TV — mas funcionou. O elenco de famosos trouxe repercussão imediata: Babu Santana, Manu Gavassi, Bianca Andrade, Rafa Kalimann, Pyong Lee, Gabi Martins, entre outros. Nomes conhecidos (ou nem tanto) que virariam personagens inesquecíveis.

Mas então, o mundo parou. A maioria dos locais foi fechado e eventos esportivos e programas de entretenimento foram paralisados.  O BBB se tornou o único programa ao vivo e diário da TV brasileira. As pessoas, confinadas em casa, encontraram no reality o único lazer possível. A audiência disparou, o público se diversificou (inclusive homens que antes só viam esporte) e as redes sociais viraram uma extensão do programa. Era o único escapismo de um mundo que vivia sob notícias negativas a todo o momento da pandemia. Os patrocinadores perceberam o filão. Nunca se investiu tanto em publicidade dentro do BBB, e isso mudaria o jogo para sempre — mas isso é papo para outro artigo.

Dentro da casa, a edição começou com um embate: homens contra mulheres, já que os homens fizeram um plano para fazer as mulheres comprometidas traírem seus parceiros. A médica Marcela McGowan enfrentou o grupo dos "machos tóxicos" e assim, despontava como favorita, mas se desgastou ao se envolver com um participante que entrou depois, Daniel Lenhardt, e toda sua luta feminista virou hipocrisia. O protagonismo passou para a rivalidade entre o arquiteto Felipe Prior e a cantora Manu Gavassi — o paredão entre eles entrou para o Guinness Book como o mais votado da história.

Com Prior eliminado, Babu Santana virou o único homem entre dez participantes e se tornou um dos favoritos, visto que sofria acusações infundadas por parte de algumas das mulheres da edição. Mas caiu no último paredão. A final foi totalmente feminina: Manu Gavassi, Rafa Kalimann e Thelma Assis. E aqui vale uma pausa, porque este texto era para ser sobre Thelma, e eu quase não falei dela. E isso diz muito sobre sua trajetória.

Thelma passou a edição inteira à sombra do grupo das "Fadas Sensatas" (formado por Marcela, Manu e Rafa). Pouco protagonizou os grandes embates, pouco apareceu nos VT's. Era o que o público chama de "planta". E, ainda assim, venceu, se tornando a 20ª vencedora do BBB e a primeira mulher negra retinta a ganhá-lo com 44,10%.

Sua vitória foi disruptiva exatamente por isso: numa edição dominada por celebridades e influenciadoras, com o público cada vez mais exigente por participantes "que joguem" e diversas narrativas e reviravoltas, uma participante de perfil baixo venceu. Ela não tinha as grandes questões financeiras de outros vencedores, mas carregava histórias potentes: foi adotada na infância, formou-se médica pelo Prouni e representava, na pele, o reflexo de políticas públicas que mudaram vidas. Fora ela ter sofrido racismo dentro do programa, não de maneira explícita, mas o fato de ser excluída em alguns momentos fazia o público a ficar com ela. Mesmo não sendo a protagonista da história daquela edição. 

O público entendeu que, para Thelma, as portas depois do programa seriam mais estreitas. E votaram nela para a vitória. A vida, porém, foi generosa com Thelma. Durante a pandemia, usou sua visibilidade para atuar no combate ao vírus. Depois, virou influenciadora na área médica e ganhou um quadro de saúde na própria Globo. Uma médica venceu o maior reality do Brasil durante a maior pandemia em um século. Não poderia ter sido mais simbólico.

Arthur Aguiar (BBB22)

À esquerda, Arthur na época do programa; à direita, o ator atualmente (Fonte: iBahia) 


O ano de 2022 foi o começo do fim da pandemia. As máscaras caíram, os locais públicos reabriram, mas o Brasil carregava a dor de mais de 700 mil vidas perdidas — muitas delas por negligência das autoridades da época. Era ano de eleição, a mais polarizada da história. Lula voltava ao poder depois de sair da prisão. No mundo, a Rússia invadia a Ucrânia, reacendendo o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra. E no meio de tudo isso, o BBB22 tentava repetir o fenômeno do ano anterior, uma missão impossível. 

O BBB21 havia sido um marco. Juliette virou fenômeno com mais de 30 milhões de seguidores, Gil do Vigor virou contratado fixo da Globo, e até participantes irrelevantes ganharam seus 15 minutos de fama. Mas o lado obscuro da edição também ficou marcado: Karol Conká saiu com 99,17% de rejeição, Lucas Penteado desistiu após perseguição implacável, e nomes como Fiuk, Projota e Nego Di saíram "cancelados" na internet por suas falas e atitudes dentro do programa. Em sua maioria, eram famosos consagrados antes de entrar na casa. O cancelamento virou regra e as redes sociais viraram um tribunal rápido em moer as reputações, um reflexo dos dias atuais E o medo de ser o próximo virou o grande fantasma do BBB22.

Os participantes entraram "brifados": sabiam que qualquer deslize poderia destruir suas carreiras. O resultado foi uma edição morna, sem graça, onde todos evitavam conflitos a qualquer custo. O símbolo disso foi Tiago Abravanel, neto de Silvio Santos (um dos grandes reis do entretenimento do Brasil), que passou os dias na casa promovendo meditação e harmonia — até desistir do programa. O público, que esperava outro BBB21, se decepcionou. Vinicius, que entrou com favoritismo e milhões de seguidores por sua "semelhança" com Gil do Vigor, forçou situações tão artificiais que perdeu a graça rapidamente. O resto do elenco, misto de Pipocas sem carisma e Camarotes sem coragem, não entregava nada.

Até que uma rivalidade salvou (um pouco) a edição: Jade Picon vs. Arthur Aguiar. De um lado, uma das influenciadoras mais poderosas do país, que veio ao programa preparada, articulada e disposta a jogar. Do outro, um ator que foi um ídolo teen que vinha em ostracismo, marcado por múltiplas traições à ex-esposa Maíra Cardi, entrando como cancelado antes mesmo de entrar e com uma difícil missão de reverter a péssima imagem. A estratégia de Jade era clara: queimar Arthur, que o público já o via como cancelado. Mas o efeito foi o contrário:  o público enxergou perseguição e migrou para o lado dele, esquecendo o que fez fora da casa. Arthur, por sua vez, veio preparado como nenhum outro. Aplicava técnicas de coach em seus discursos, lembrava de cada evento da casa com precisão cirúrgica, evitava bebida e confusões com as mulheres, além de mostrar emoção por sua filha e esposa, que fez enorme campanha e tornou seu público ativo para evitar a eliminação. Passou a imagem de alguém que realmente mudou — e o público comprou. Ele se livrou de todas as armadilhas. E venceu uma final composta apenas por outros Camarotes (Douglas Silva e Paulo André), em uma final toda masculina pela primeira vez na história do programa com 68,96% dos votos da final.

A vitória de Arthur Aguiar foi disruptiva por um motivo simples: ele foi o primeiro Camarote a ganhar o BBB, bem como foi o primeiro "cancelado" a ganhar o programa, revertendo o que alguns participantes da edição anterior demorariam anos para conseguir. Até então, o público sempre negava o prêmio aos famosos — afinal, eles "não precisavam". Mas na ausência de Pipocas carismáticos, e diante de um jogo bem jogado, Arthur quebrou essa regra. Mostrou que é possível reverter um cancelamento, que é possível ser celebridade e vencer, e que preparação mental pode ser tão importante quanto carisma (que lhe faltava, aliás). Se no BBB21 o cancelamento foi a regra, no BBB22 ele foi superado. E Arthur Aguiar entrou para a história como o primeiro — e até agora único — famoso a levantar o troféu.

Davi Brito (BBB24)

À esquerda, Davi pós-programa; à direita, como está atualmente (Fonte: iBahia)

O BBB24 foi o último comandado por Boninho e talvez o mais simbólico de uma nova era: a era onde as marcas já não são apenas patrocinadoras, mas donas do jogo. O programa virou vitrine, e os participantes, mercadorias. Lá fora, o mundo seguia em frangalhos. Gaza era massacrada sob silêncio das grandes potências, Rússia e Ucrânia seguiam em conflito e Donald Trump voltaria ao poder. A Inteligência Artificial embaralhava o real e o falso, e as fake news se tornavam impossíveis de rebater. Vivemos uma guerra de narrativas — e o BBB não ficaria de fora.

A edição anterior havia sido mais uma edição fraca, marcada por uma vencedora apagada e denúncias de racismo abafadas pela produção. O BBB24 precisava dar certo. E deu. Não apenas pela audiência da TV, que aumentava depois de algum tempo, mas pelo caos instalado. Foi a edição mais calamitosa desde o BBB21 — e desta vez sem pandemia para justificar o interesse pelo público. O protagonista desse caos tinha um nome: Davi Brito.

O motorista de aplicativo baiano entrou no programa pelo "Puxadinho", uma casa onde participantes restantes a entrar eram escolhidos pelo público. E desde o primeiro minuto, virou o centro de tudo. Discutiu com metade da casa: Wanessa Camargo (expulsa após um caso polêmico com ele), Yasmin Brunet, Rodriguinho, MC Bin Laden, Nizam, Lucas Buda, Michel, Leidy Ellen. Não teve medo de briga, não teve medo de ser odiado, não teve medo do cancelamento. Entre declarações incoerentes (como o fato de assistir Ayrton Senna na infância, quando dizia que não tinha televisão e nasceu em 2022), ou consideradas homofóbicas (quando disse "Eu sou homem, não viado" - quando o contexto da briga era dizer que era verdadeiro, mas de um jeito torto) ou machistas (quando disse que mulheres deveriam ser submissas). Com isso, Davi dividiu o Brasil. Para uns, foi o resgate do "bbb raiz" — treteiro, sem filtro e sem frescura. Para outros, era chato, incoerente e protegido pela edição. Mas uma coisa é fato: sem ele, o BBB24 seria mais uma edição esquecível, visto que movimentou a casa e criou quase todas as situações daquela edição. Isso tudo sem ser querido por todo o público, que tinham olhos para outras participantes.

A começar por Beatriz Reis, a Bia do Brás, que começou como favorita absoluta devido a ser aposta de Boninho com seu jeitão expansivo, mas cansou o público e foi eliminada perto da final — colocada no paredão pelo próprio Davi. Isabelle Nogueira, a cunhã do Boi Garantido, conquistou o país ao levar o Festival de Parintins para dentro da casa, mas passou a edição inteira na sombra de Davi, evitando conflitos, sendo "planta" — e isso custou seu favoritismo, pois ela não parecia comprometida com o jogo. Fernanda Bande virou fenômeno no Twitter com frases de efeito ("Chora bonequinha", "Tem um filme chamado 127 horas [...]") e um certo conhecimento geral, mas esbarrou em declarações consideradas capacitistas, xenofóbicas e racistas, além de ficar isolada do resto da casa com sua aliada Pitel no quarto (o que rendeu um programa para elas). Acabou sendo eliminada na metade final, mesmo com as redes a quase mantendo na casa, o que revelou a hipocrisia de parte do público progressista em apoiá-la (ela apoiava até então Jair Bolsonaro e seus relacionados).  De qualquer forma, nenhuma delas seria disruptiva como Davi.

E ele venceu com 60,52% dos votos da final. Mas não foi fácil. Dentro da casa, enfrentou o racismo escancarado de participantes como Wanessa Camargo, que o acusava de diversos crimes. Parte do público fez o mesmo. E este público jamais aceitaria um homem negro, pobre, sem jeito com câmeras, sem discurso ensaiado, sem medo de ser incoerente levar o maior prêmio da história do programa até então. Aliando seu foco no jogo e um carisma que conquistou fãs e haters, ele ganhou o prêmio na final com dois de seus aliados dentro da casa: o então casal Isabelle e Matteus Amaral. 

Foi disruptivo pois a história do programa foi cruel com homens negros. Participantes negros com comportamento semelhante ao de Davi raramente iam longe. Quando iam, era na posição de coadjuvantes de protagonistas brancos, ou como "plantas" inofensivas. Davi quebrou isso, pois fez brancos serem seus coadjuvantes. Foi protagonista do início ao fim, agindo como os "héteros tops" das antigas edições e foi abraçado pelo público como injustiçado. Mas o pós-jogo (que hoje tem um peso muito maior) o fez pagar o preço.

Os últimos vencedores do BBB, com exceção de Davi, foram escolhidos a dedo pelas marcas na seleção do programa: tinham familiaridade com as redes, sabiam se comportar com o público e eram "comunicáveis". Davi não se encaixava nesse molde. Ele queria o prêmio, não a fama. E quando a fama veio, vieram as polêmicas: separação conturbada, negócios obscuros, acusações de violência contra mulher. Não teve a ajuda que outros tiveram para se posicionar na era onde os campeões do programa não vencem apenas o programa. Viram símbolos utilizados pelos patrocinadores e rostos para as marcas. E parte do público do programa não o vê como vencedor pois ele fez poucas propagandas (a maioria para empresas duvidosas), já que não se tornou garoto-propaganda como Bia do Brás ou um programa de TV como Fernanda Bande. 

O público que o elegeu o renegou. Exigiam dele uma pureza que nunca exigiram de outros. Exigiam que ele fosse perfeito num mundo que o empurrou para o abismo. Que ele cumprisse as promessas que ele fez no programa, como se casar com sua então "esposa" e fazer medicina, que foram vistas depois como mais mentirosas que promessa de político. E os políticos não sofreram a mesma cobrança e mesmo se ele cumprisse, seria chamado de forçado ou iriam dizer que ele não deveria fazer medicina por não saber ler e escrever com precisão. Davi é o único homem negro a vencer o BBB. E, se o racismo estrutural e a hipocrisia do público continuarem como estão, sempre passando o pano para participantes brancos ou considerados bonitos, será o único por muito tempo, visto que outros com perfil semelhante a ele já nascem odiados. Ele foi o ganhador mais protagonista dos últimos tempos e foi o que os fãs do reality nas redes desejam: alguém que movimentasse com brigas e discussões, além de falar na cara do adversário. Mas ele não tinha a aparência de como gostariam, que muitos sabem como gostariam.

Davi foi disruptivo pois foi contra a maré após o excesso de virtuosismo que os vencedores pós-Juliette deveriam apresentar, além de ter um pós como o dela sendo garoto-propaganda das marcas e tendo algum tipo de carreira artística, além de ter milhões de seguidores. Claramente ele não deveria vencer o programa, tendo influenciadores e marcas indo contra a ele. 

Perfil de próximo campeão disruptivo

A edição atual do programa, o BBB26, tem vindo de uma grande repercussão após a fraquíssima edição do BBB25. A atual edição do programa reúne além dos Pipocas e Camarotes, Veteranos de outras edições que voltaram nesta e que foram participantes marcantes que não venceram o programa. Tendo menos de um mês e diversos acontecimentos, a edição reúne alguns participantes que podem a vir a ser campeões disruptivos e entrarem nesta lista. Sendo assim, os principais candidatos e o porquê são:
  • Milena Lages (Tia Milena): a recreadora infantil passa por diversas polêmicas e é subestimada pelos colegas da casa. Apesar de comparada a Davi (e muitos torcerem o nariz), ela pode ser uma campeão disruptivo por possivelmente ser portadora de TEA (Transtorno do Espectro Autista), o que justifica alguns de seus comportamentos. Parte do público contesta sua ida a casa por ser um risco à ela e aos outros confinados e alguns a julgam por influenciar seu trabalho com crianças, além de pensarem que ela possa ser uma personagem. 
  • Campeão acima dos 40 anos: Na história do programa, nunca houve um campeão ou campeã acima dos 40 anos de idades. Marcelo Dourado foi o campeão mais velho (com 37 anos na época) e isso pode ser quebrado já que um terço do elenco atual tinha idade acima de 40 anos e seguem no jogo  Ana Paula Renault (44), Alberto Cowboy (49), Jonas Sulzbach (40) w Babu Santana (46), onde todos são ex-participantes e voltaram como "Veteranos" e já são quarentões. Por fora, temos o Pipoca Leandro Rocha (42) e a atriz Solange Couto (69), sendo Couto a mais velha do programa atual. Alguns dos favoritos da edição atual estão neste grupo.
  • Marciele Albuquerque: Caso ganhe (difícil pelo seu desempenho atual), a dançarina e influenciadora paraense, que é a cunhã-poranga do Boi Caprichoso, se tornaria a primeira participante indígena a ganhar a competição. Ela é somente a terceira participante autodeclarada indígena (da etnia Mundukuru) a participar do BBB e foi a que chegou mais longe até aqui. Os outros dois indígenas que participaram não passaram da primeira semana: o acreano Vanderson Brito do BBB19 (da etnia Huni Kuin) foi expulso devido a responder processo por agressão e importunação sexual antes do programa, com o caso prescrevendo; e Arleane Marques do BBB25 (da etnia Mura), que foi eliminada no primeiro paredão junto de seu marido (a disputa era em duplas). 
  • Ana Paula Renault: Além de poder ser a primeira campeã acima dos 40 anos, Ana Paula Renault pode quebrar dois tabus de uma vez: o primeiro é de ganhar o programa após ter sido expulsa do programa uma vez, onde em sua edição (BBB16), ela foi expulsa após dar um tapa no participante Renan. Outro tabu é de ser a primeira participante a ganhar o programa tendo passado por outro reality, já que ela participou da Fazenda em 2018 e foi a terceira eliminada.

Outros perfis que seriam disruptivos, além de incluir questões identitárias (não citei participantes de origem asiática ou sendo de outros espectros da sexualidade) ou mais velhos (já que o Brasil vive um processo de envelhecimento), incluem pessoas que entram na casa como sendo mais jogadoras do que participante, ou seja, tomam decisões racionais dentro do jogo e não estão nem aí para o que o público quer caso o entedam. Outro perfil impossível hoje e que seria disruptivo é de um participante que fosse considerado "100% vilão" da edição, ou seja, abraçados pelo público mesmo cometendo maldades como um vilão de novela. Embora vilões de séries e novelas tenham nos últimos anos ganhado mais destaque que os protagonistas, ainda não são aceitos como vencedores de reality show em sua maioria. Há outros perfis, que se quiserem, gastem um pouco de água para ter a resposta nas I.As da vida. 

Pois bem, esta foi a minha opinião sobre campeões disruptivos. Alguém faltou na lista? Algum nome não concordam. Deixe nos comentários o seu feedback (digo, opinião) e prometo este ano mais textos assim. 

Até logo. 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Raio X - Quartas de final da Copa

 Agora que passamos pelas oitavas, vamos às quartas-de-final. Sem mais delongas, eis meus palpites:

Argentina X Holanda

Um jogo nada inédito na história das Copas. Pela 6° vez na história das Copas, Argentina e Holanda se enfrentam e pela 4° vez em uma fase eliminatória. Em 1974, a Holanda não teve dó dos hermanos e meteu 4 a 0. Mas o troco veio em 1978, quando os argentinos em casa, venceram a final contra os holandeses por 3 a 1 na prorrogação. Vinte anos mais tarde, em 1998, nesta mesma fase da Copa, os holandeses ganharam de virada (2 a 1) e foram as semis e enfrentaram a seleção brasileira. Em 2006, um empate em 0 a 0 na primeira fase. No último encontro entre as duas seleções, em 2014 no Brasil, um empate sem gols no tempo normal e uma vitória argentina nos pênaltis que levou aquela seleção à final. Agora, qual a história que argentinos e holandeses irão contar?

De um lado, um time que conta com o talento de Messi para desequilibrar. Do outro, uma das melhores defesas da Copa e com alguns dos melhores defensores do mundo. Nas oitavas, a Argentina venceu um jogo duro contra a Austrália e contando com a ajuda do goleiro australiano. Já a Holanda passou com mais tranquilidade (3 a 1) contra os EUA, aguentando a pressão ianque e matando o jogo nos contra-ataques. É bem provável que a Argentina detenha as ações do jogo, mas precisa tomar cuidado com o contra-ataque holandês diante de uma zaga que mostrou ter pontos fracos. A partida promete ser bem disputada e teremos um confronto de alto nível no Qatar.

Curisidade inútil: Argentina e Holanda também tem tradição e rivalidade em outro esporte sobre a grama: o hóquei. Assim como a versão mais famoso no gelo, os jogadores utilizam tacos e jogam um disco contra o gol adversário. Na última edição dos jogos olímpicos, Argentina e Holanda fizeram a final no hóquei feminino. Na decisão, as holandesas bateram as argentinas e ficaram com o ouro. Ambas as equipes já conquistaram o título mundial no esporte, com as holandesas levando vantagem. Já no masculino, as duas equipes tem tradição, mas sofreram com a...Bélgica.

Palpite: Um jogo que será bastante disputado, cuja torcida pode fazer a diferença.Os argentinos estão em maior número no Qatar e tem a simpatia dos locais. Mas a Holanda já mostrou que possui sangue frio e possui o contra-ataque para decidir as partidas. Mas a Argentina tem um craque que pode mudar tudo, ainda que bem marcado Um jogo disputado, mas que a Argentina mostra-se capaz de passar.

Placar: Holanda 1 X 2 Argentina (na prorrogação)


Brasil X Croácia

O jogo que abre as quartas-de-final nesta sexta possui um histórico recente em Copas do Mundo. Brasil e Croácia já jogaram em fase de grupos nas Copas de 2006 e 2014. No primeiro encontro, 1 a 0 para o Brasil. Em 2014, no jogo de abertura da Copa, o Brasil virou o jogo e ganhou a partida por 3 a 1. No entanto, minhas lembranças destes jogos foram de partidas duras e a de amanhã não será diferente, com a diferença de que quem perder volta para casa.

O Brasil, desde 2002, não ganha de um europeu na fase mata-mata de uma Copa do Mundo. Foram derrotas para França, Alemanha, Bélgica e para a Holanda (duas vezes). Com exceção do 7 a 1 ante a Alemanha, as demais partidas contaram com um Brasil que atacou e buscou o gol, mas que foi nocauteado nos momentos-chave do jogo. E desta vez, o Brasil precisa ficar muito esperto com a Croácia. A seleção dos Balcãs foi a última vice-campeã da Copa do Mundo e possui a experiência necessária para levar as partidas as fases mais tardias (prorrogação e pênalti). A Croácia fez assim contra o Japão, enquanto o Brasil vem embalado após a goleada de 4 a 1 contra a Coreia do Sul. Nesta partida, é previsível dizer que o Brasil, que repetirá a escalação da última partida, deverá enfrentar uma equipe bem armada na defesa e que poderá dificultar no meio-campo. Entretanto, a Croácia não tem um poderio ofensivo dos melhores (junto do Marrocos, possui o pior ataque entre as seleções desta fase). 

Curisidade inútil: A partida marca o confronto entre o país mais populoso desta fase da Copa contra o pais menos povoado destas quartas-de-final. Enquanto o Brasil, em 2022, possui 214 milhões de habitantes, enquanto a Croácia possui apenas 3,9 milhões de habitantes. Para se ter uma ideia desta diferença, a população croata é menor do que a da Zona Leste de São Paulo (atualmente na casa de 4 milhões de pessoas).

Palpite: Os croatas vão dificultar a vida dos brasileiros e vão se defender bem, mas sem deixar de atacar quando for necessário. Com certeza o Brasil terá mais volume de jogo e promete dar trabalho ao goleiro Dominik Livakovic (Dínamo Zagreb), o heroi das oitavas que defendeu 3 pênaltis. Mas é esperado que o Brasil vença o jogo pela qualidade técnica e se aproveitando de um cansaço da seleção croata, cujo time é mais velho e jogou uma prorrogação nas oitavas. Mas claro, se o Brasil jogar o que jogou com a Coreia. Se não, pênaltis a vista e vantagem para a Croácia.

Placar: Brasil 2 X 0 Croácia


Inglaterra X França

Até aqui, o maior confronto da Copa. Duas seleções campeãs mundiais e que estão em ótima fase (ao menos neste mundial). As equipes possuem uma grande rivalidade desde tempos antigos e protagonizaram muitas guerras. Mas agora, a guerra será em campo e um espetáculo deverá acontecer no Qatar.

Ambas as equipes apresentam os melhores ataques da Copa até aqui. Enuanto a Inglaterra marcou 12 gols, a França fez 9. E justamente a França tem o melhor jogador deste mundial: Mbappé. O jogador é o artilheiro desta Copa com 5 gols e é o homem a ser marcado do lado francês. Já do lado inglês, um jogador acostumado a marcar gols pelo seu time está neste momento na seleção ajudando a dar assistências. Harry Kane já serviu seus companheiros 3 vezes e ainda marcou um gol contra Senegal. Ambas as equipes foram muito bem nas oitavas: enquantoa  França bateu a Polônia por 3 a 1, a Inglaterra fez 3 a 0 em Senegal. Além dos craques, os times contam com grandes coadjuvantes para este confronto e qualquer um deles pode decidir o jogo.

Curisidade inútil: Ainda que não seja tão inútil, esta será a primeira vez que franceses e ingleses se enfrentam em uma fase de mata-mata da Copa. Nas outras ocasiões em que jogaram na Copa, todas foram pela fase de grupos. Em 1996, quando os ingleses foram campeões mundiais em casa, venceram a França por 2 a 0. Em 1982, novamente vitória inglesa por 3 a 1. 

Palpite: O jogo mais imprevisível até o momento, pois ambas as equipes tem condições de vencer a partida. Enretanto, dentro do jogo, os principais craques das equipes é que farão a diferença. Entre Mbappe e Kane, é esperado que o primeiro possa decidir (tal como foi em outros jogos). Mas em partidas assim, é bem provável que o jogo vá para pênaltis.

Placar: Inglaterra 1 X 1 França (nos pênaltis, a França ganha)


Marrocos X Portugal

Por fim, Marrocos e Portugal fazem mais um clássico histórico (tal como foi Marrocos e Espanha) da região do Estreito de Gibraltar. De um lado, a seleção africana que chegou pela primeira vez às quartas-de-final e do outro, uma seleção que quer consagrar o seu maior jogador. 

De um lado, o Marrocos vem de uma classificação heroica contra a Espanha após um empate sem gols no tempo normal. Sendo que agora detém a melhor campanha de uma seleção árabe em mundiais, os marroquinos contarão com a sua fanática torcida e com o apoio dos locais. Do outro, Portugal vem bem embalado após fazer uma goleada histórica contra a Suíça (6 a 1), após a corajosa decisão do técnico Fernando Santos de deixar o astro Cristiano Ronaldo no banco e colocar o jovem Gonçalo Ramos (Benfica), que foi o principal jogador das oitavas ao marcar 3 gols (o primeiro hat-trick da Copa). Certamente ambas as seleções vem embaladas e com qualidades opostas. Enquanto Portugal tem um ataque que fez 12 gols (melhor ataque ao lado da Inglaterra), os marroquinos tomaram apenas 1 gol até aqui. E contra a Espanha, a defesa do Marrocos fez a diferença e impediu os Espanhóis de chegarem ao gol e os marroquinos por pouco não mataram a partida. Certamente, o jogo balançará o Qatar.

Curisidade inútil: O lendário Rei português Dom Sebastião (1554-1578) estava presente na batalha de Alcácer-Quibir, que foi uma batalha travada entre Portugal e Espanha contra o Sultanato Saadiano, no atual Marrocos. Na batalha, Dom Sebastião desapareceu e nunca mais foi encontrado, levando a criação de um mito que dizia que um dia ele iria reparecer (popular em Portugal e também em algumas partes do Brasil). O mito, verdadeiro ou não, causou uma grande consequência: pelo fato de ter morrido e sem herdeiros, foi o fim da dinastia Avis em Portugal (que teria como regente Henrique I), o que resultou que o trono fosse parar nas mãos de Felipe II, que era primo do rei português. Nascia aí a União Ibérica, que teve grandes consequências não só em Portugal, como em sua principal colônia, um tal Brasil. Neste caso, vocês acabaram de descobrir que o Marrocos influenciou a história do Brasil muito antes da novela O Clone. 

Palpite: Um duelo de ataque contra defesa. É esperado que o Marrocos faça um jogo semelhante contra a espanha, dificultando o jogo português pelo meio e contra-atacando quando tiver chance, aproveitando-se da fragilidade da defesa portuguesa (a pior desta fase com 5 gols tomados). Entretanto, será difícil parar o ataque português, que mesmo sem Cristiano Ronaldo, mostrou capaz de fazer estragos e possui mais criatividade do que o espanhol para quebrar um time mais parelho como o norte africano. Passa Portugal, mas como diríamos no boxe, por pontos. 

Placar: Marrocos 1 X 2 Portugal

Bora que amanhã tem Copa pessoal. Sextou!!!

sábado, 3 de dezembro de 2022

Raio X - Oitavas de Final da Copa do Mundo 2022

Olá amigos! Há quanto tempo não nos vemos por aqui. Sabe como é a vida de um jovem adulto que trabalha bastante, vai à academia, estuda, dorme quando dá e nas férias...viaja. Bom, estou devendo muita coisa por aqui, mas sei bem que não sou obrigado a pagar ainda.

Após o deboche no primeiro parágrafo, vamos falar de um assunto que quase todo mundo tem falado: a Copa do Mundo de 2022. Sediada no Qatar, o país contrário a alegria do povo e envolvido em trocentas mutretas com relação aos direitos humanos, a Copa teve muitas emoções até a última rodada da Fase de Grupos. Algumas gratas surpresas e outras nem tanto, como seleções que decepcionaram em campo e pareciam que iriam longe. Não é mesmo Alemanha, Bélgica, Uruguai e Dinamarca? Ao contrário destas aí, outros favoritos avançaram como a França, Inglaterra, Argentina e não menos importante, o Brasil. Um ponto importante é que pela primeira vez na história temos representantes de todos os continentes nestas Oitavas de Final. São eles:

Américas: Brasil. Argentina e EUA

Europa: França, Espanha, Portugal, Holanda, Inglaterra, Suíça e Croácia

África: Semegal e Marrocos

Ásia: Japão e Coreia do Sul

Oceania: Austrália (na matéria, iremos falar a observação).

Bem, agora vamos as análises dos jogos e aos meus palpites.

Holanda X EUA

Abrindo as oitavas-de-final, o encontro entre neerlandeses e estadunidenses talvez seja o jogo mais fraco destas oitavas. Tudo por conta do péssimo futebol jogado por ambas as equipes e que não vivem grande momento. Mas ambas foram longe, já que as duas ficaram de fora da última Copa.

A Holanda, de Louis Van Gaal, é vista como favorita no confronto. Possui alguns bons jogadores, como o zagueiro Virgil Van Dijk (Liverpool-ING), o meia Frank De Jong (Barcelona - ESP) ou mesmo Memphis Depay (Barcelona-ESP). Mas quem tem brilhado até aqui é o jovem meia-atacante Cody Gakpo (PSV), artilheiro da equipe com 3 gols. Mesmo com o destaque de mais um promissor craque vindo da Terra dos Moinhos, o futebol apresentado pela equipe está abaixo da crítica. Venceu o primeiro jogo contra Senegal após ter sido pressionado o jogo totdo. No empate em 1 a 1 contra o Equador, a seleção sulamericana poderia ter saído com a vitória  pelo futebol apresentado (a trave salvou os europeus). Por fim, um 2 a 0 contra um já eliminado Qatar para garantir a classificação em 1° lugar do grupo, mas tendo corrido perigo contra equipes vistas como inferiores.

Já os EUA foram bem discretos. Começaram empatando em 1 a 1 contra o País de Gales de Bale, num resultado que poderia complicar os ianques. Mas após segurar um 0 a 0 contra a favorita do grupo Inglaterra em que por muito pouco não saiu com a vitória, venceu o jogo decisivo contra um rival da geopolítica mundial: o Irã. O 1 a 0 sobre os persas garantiram os estadunidenses a classificação às oitavas, graças ao gol marcado pelo seu melhor jogador Christian Pulisic (Chelsea-ING). A equipe, ainda que bem organizada taticamente, não tem tantos jogadores de renome como a Holanda. Mas além de Pulisic, os meias Weston Mckennie (Juventus -ITA) e Yunus Musah (Valencia-ESP) são outros destaques de uma das equipes mais jovens da Copa (média de 25,2 anos).

Curisidade inútil: Na Copa do Mundo Feminina de 2019, disputada na França, a final foi disputada entre os EUA e a Holanda. Na ocasião, as estadunidenses levaram a melhor ganhando o jogo por 2 a 1. Nas últimas Olimpíadas, as duas equipes voltaram a se enfrentar nas quartas-de-final e novamente as ianques gamharam das holandesas nos pênaltis, após um empate de 2 a 2 no tempo normal.

Palpite: Pelo que foi apresentado pelas duas equipes, espero um jogo em que a Holanda espere bastante pelos EUA para contra-atacar. Em um jogo que não terá grandes chances, a Holanda irá aproveitar melhor as oportunidades que os EUA irá oferecer. Será um duelo de duas equipes que sofreram apenas 1 gol em toda a Copa e no caso dos EUA, o único gol sofrido foi de pênalti.

Placar: Holanda 1 X 0 EUA 

Argetina X Austrália

O duelo mais esperado do sábado traz uma das seleções favoritas ao título contra uma equipe que surpreendeu todo mundo e chegou nesta fase do torneio sabe-se lá como.

Os argentinos, após uma derrota histórica ante a Arábia Saudita, reagiram e garantiram sua vaga ao derrotar por 2 a 0 as seleções do México e da Polônia, que em teoria são mais fortes que a equipe saudita. Os atuais campeões da América tem uma motivação a mais para vencer: é a última Copa do craque Lionel Messi (PSG-FRA), que vem sendo decisivo nos jogos e está disposto a ter um título que ainda não tem em sua galeria. Tendo bons coadjuvantes, tais como Lautaro Martínez (Inter de Milão-ITA), Angel Dí Maria (Juventus-ITA) que não vai jogar por conta de uma lesão e os jovens Enzo Fernández (Benfica-POR) e Julian Álvarez (Manchester City-ING), os argentinos comandados por Lionel Scaloni superaram as adversidades do primeiro jogo e mostram um futebol competitivo e ao contrário de outras equipes da Argentina no passado, vem com uma solidez defensiva que faltava para um ataque sempre poderoso.

Já os azarões australianos voltam a uma fase decisiva de Copa do Mundo após 16 anos. Em comum nestas duas classificações, os Kangoroos conseguiram a vaga na Copa após ganhaarem na repescagem intercontinental contra seleções sulamericanas (Uruguai em 2016 e Peru em 2022) nos pênaltis para garantir seu lugar na fase de grupos. Nela, uma goleada sofrida para a atual campeã França por 4 a 1 seria o natural para uma equipe que nas últimas Copas não passou da fase de grupos. Entretanto, contra todos os prognósticos, a equipe australiana superou por 1 a 0 Tunísia e a favorita Dinamarca pelo mesmo placar, para conseguir a classificação. Tendo um estilo bem defensivo, buscando o ataque em bolas aéreas ou em contra-ataques, a Austrália irá se defender a todo custo contra os argentinos e fazer um gol para surpreender. E para segurar Messi e cia, contam com o goleiro Matt Ryan (Copenhagen-DIN).

Curiosidade inútil: Este será o primeiro confronto desta Copa do Mundo entre dois países que estão no Hemisfério Sul. 

Palpite: Prevejo um confronto de ataque contra defesa o jogo todo, tendo a Argentina tomando conta das ações do jogo e a Austrália se defendendo como pode. Se a Argentina fizer um gol nos primeiros minutos, certamente veremos uma goleada dos hermanos, o que acredito que aconteça.

Placar: Argentina 3 X 0 Austrália

França X Polônia

Abrindo os trabalhos de Domingo, um confronto entre dois europeus que contam com dois dos melhores atacantes do mundo. Entretanto, a estrutura dos dois times torna a vida de ambos bem diferente.

A França veio com dúvidas para esta Copa. Na preparação, alguns dos seus principais jogadores se machucaram e não puderam participar, como N'Golo Kanté (Chelsea-ING), Paul Pogba (Juventus-ITA) e o atual melhor jogador do mundo e campeão da Champions Karim Benzema (Real Madrird-ESP). Porém, a equipe de Mbappé (PSG-FRA), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid-ESP) e cia tem superado os desfalques e apresentado um bom futebol, mostrando ter um dos melhores elencos entre as seleções, com Mbappé sendo um dos artilheiros do torneio com 3 gols. Foi uma das poucas equipes que garantiram a vaga antecipadamente, ao bater a Austrália (4 a 1) e a até então pedra no sapato Dinamarca (2 a 1). É verdade que jogando com reservas, perdeu de 1 a 0 da Tunísia. Mas só pelo fato de ter superado as baixas, que ainda aconteceram na Copa, como o lateral Lucas Hernández (Bayern de Munique-ALE) e a "maldição" do campeão da Copa anterior ser eliminado na Copa seguinte, mostra que Les Bleus são favoritos ao título.

Do outro lado, a Polônia chega nesta fase do torneio após apresentar o pior futebol dentre os classificados desta edição do torneio. Após um empate em 0 a 0 na estreia contra o México, onde o astro Robert Lewandowski (Barcelona-ESP) perdeu um pênalti, os poloneses ganharam da Arábia Saudita por 2 a 0 em um jogo onde o goleiro Wojciech Szczęsny (Juventus-ITA) defendeu um pênalti e evitou vários gols dos árabes. Por fim, a partida que muitos torceram para a eliminação polaca: a derrota por 2 a 0 para a Argentina mostrou uma Polônia apática, que não deu um chute a gol e que não foi pior graças a atuação do goleiro Szczęsny, que defendeu um pênalti de Messi. O México, que venceu a Arábia Saudita por 2 a 1, foi eliminado pelo saldo de gols. O craque Lewa, o melhor do mundo pela FIFA nos últimos dois anos, ao contrário de Mbappé não conta com tantos companheiros de alto nível como ele, além do goleiro e do meia Piotr Zielisnki (Napoli-ITA), outro destaque na atual temporada europeia e que marcou um gol, conseguiram com um futebol pífio levar a Polônia a uma fase decisiva de Copa após 36 anos (a última vez foi no México em 1986).

Curiosidade inútil: O confronto marcará o encontro de dois dos países que mais sofreram na Segundo Guerra Mundial, tendo ambos sido ocupados pela Alemanha N*z* e sendo os primeiros países a sofrerem as consequências da trágica guerra.

Palpite: Uma goleada é tudo que quero para este jogo. Admiro muito Lewandowski, mas com uma equipe destas e apresentando um futebol covarde em todos os jogos até aqui, torço para uma goleada da França e que é bem possível pelo atual estado das duas seleções. A França irá apostar na velocidade de seu ataque para matar o jogo rapidamente, enquanto os poloneses tenatarão contra-atacar tendo Lewandowski na frente.

Placar: França 4 X 1 Polônia

Inglaterra X Senegal

Um interessante confronto no domingo entre duas seleções que estão entre as mais fortes de seus continentes e que certamente marca um dos jogos mais equilibrados destas oitavas-de-final.

Atual vice-campeão europeu e alcançado o 4°lugar na última Copa do Mundo, a Inglaterra vem iludindo mais uma fase o torcedor. Embora contando com grandes jogadores que atuam na badalada Premier League, os ingleses tem atuações que oscilam entre altos e baixos. Começando com um sonoro 6 a 2 para cima do Irã, a equipe atuou mal no empate sem gols contra os EUA. Por fim, garantiu sua classifcação ao fazer 3 a 0 no País de Gales jogando para o gasto. Embora o ataque da equipe seja um dos melhores desta fase de grupos (fez 9 gols, assim como a Espanha), o astro Harry Kane (Tottenham), notório por seus gols na Premier League, tem sido mais garçom de um ataque formado por Raheem Sterling (Manchester City) e Bukayo Saka (Arsenal). A equipe conta com vários jogadores talentosos no ataque como Phil Phoden (Manchester City) e no meio como Jude Bellingham (Borussia Dortmund-ALE), mas a falta de manejo do técnico Gareth Southgate e a falta de experiência de muitos jogadores faz a equipe ser bem imprevisível.

Após 20 anos, Senegal volta a uma fase de mata-mata em Copas e quer novamente fazer história. Tendo em 2002 alcançado às quartas-de-final, hoje conta com um treinador que fazia parte daquele histórico time. Aliou Cissé é o treinador da equipe desde 2015 e com ele, a equipe foi a duas Copas do mundo (2018 e 2022) e ganhou a última Copa Africana de Nações para a festa do país fanático por futebol. Havia dúvidas se a equipe conseguiria se classificar sem o seu principal jogador, o atacante Sadio Mané (Bayern de Munique-ALE), que se lesionou uma semana antes do início do torneio e comoveu todo o país, já que se trata da principal estrela da equipe. Porém, os senegaleses superaram as adversidades. Primeiro, a falta do astro. Segundo, a derrota na estreia por 2 a 0 para a Holanda mesmo tendo apresentado um bom futebol. Após isso, os africanos ganharam do Qatar por 3 a 1 e conseguiram a classifcação no duelo direto contra o Equador por 2 a 1. Ainda que a falta de Mané cause sintomas no ataque, já que sem ele Senegal perde sua principal arma ofensiva, na defesa Senegal apresenta sua principal força (e que tem sido nos últimos anos). Contando com um dos melhores goleiros do mundo, Édoard Mendy (Chelsea-ING) e um dos grandes zagueiros do futebol mundial, Kalidou Koulibaly (Chelsea-ING), a equipe quer fazer história mais uma vez e botar mais um campeão do mundo fora.

Curiosidade inútil: Apesar de estarem em continentes diferentes, ambos os países tem o mesmo fuso horário. Ou seja, o horário de Dakar (capital de Senegal) é o mesmo de Londres.

Palpite: Sendo um dos jogos mais imprevisíveis da Copa, será um jogo bem truncado e com Senegal a todo custo segurando a Inglaterra. Obviamente, os ingleses contam com mais qualidade técnica, mas não podem vacilar contra os senagales, mesmo sem Mané. Se a equipe senegalesa conseguir acertar o pé e não perder tantos gols, será um perigo para os ingleses. Entretanto, após o jogo ir para a prorrogação, a Inglaterra vence o jogo

Placar: Inglaterra 2 X 1 Senegal (prorrogação)

Japão X Croácia

No jogo mais alternativo da Copa nesta fase, Japão e Croácia medirão forças. Os japoneses querem ir mais longe do que foram em 2002, 2010 e 2018 quando foram eliminados nas oitavas. Já os crotas, atuais vice-campeões do mundo, querem ir longe mais uma vez e mostrar que o resultado de 2018 não foi um acidente.

O Japão pode ser considerado a grande surpresa da Copa até aqui. Em um grupo com dois campeões mundiais (Alemanha e Espanha), a equipe conseguiu superar ambos pelo placar de 2 a 1, tendo virado ambos os jogos no segundo tempo. Por conta disso, mesmo perdendo para a Costa Rica, que havia sido goleada pela Espanha, o mental dos japoenses não foi abalado. Jogando um futebol rápido e que vem apresentando evolução nos últimos anos, visto que na última Copa o Japão quase eliminou a Bélgica (algoz do Brasil em 2018), a equipe japonsesa vem com um time que, ainda que não conte com jogadores conhecidos na Europa e vários jogadores jovens, tem uma mescla de experiência de jogadores experientes como o lateral Yuto Nagatomo (Tokyo F.C), com passagens por ligas europeias aos jovens atacantes Daichi Kamada (Eitracht Frankfurt-ALE) e Ritsu Doan (Freiburg-ALE).

Já a Croácia, atual vice-campeã do mundo, conta com vários nomes conhecidos mundialmente. A começar pelo craque Luka Modric (Real Madrid-ESP), que na temporada da última Copa foi considerado o melhor jogador do mundo. Os meio-campistas da equipe são conhecidos das grandes ligas europeias, como Marcelo Brozovic (Inter de Milão-ITA) e Mateo Kovacic (Chelsea-ING), além do experiente atacante Ivan Perisic (Tottenham-ING). Mesmo com estes nomes, parte do time vice-campeão em 2018, a equipe apresentou um futebol abaixo do esperado, mas ainda suficiente para garantir a equipe nesta fase. Se na primeira rodada empatou em 0 a 0 com o Marrocos, os croatas golearam o Canadá por 4 a 1 (de virada), se aproveitando dos erros da defesa canadense e por fim, seguraram o empate em 0 a 0 com a Bélgica para se classificarem. Terão que correr muito atrás dos japonses.

Curiosidade inútil: Croácia e Japão enfrentam um grave problema em comum: a baixa natalidade, que faz com que suas populações diminuam ano após ano, tendo a Croácia ainda o problema de muitos jovens que se mudam para fora do país. Com isso, a população do Japão até o final deste século irá se reduzir pela metade passando de 126 milhões de habitantes hoje para 64 milhões. Já a Croácia, que hoje possui 3,9 milhões de habitantes terá cerca de 2,4 milhões de habitantes até o fim deste século. Nos últimos 10 anos, a Croácia perdeu, segundo estimativas, cerca de 400 mil pessoas (quase 10% de sua população). Com essa queda, provável que menos jogadores surjam nestas equipes nos próximos anos, a menos que incentivem a imigração de outros lugares para segurar a queda em suas populações, porém ambos os países são resistentes a imigrantes.

Palpite: A Croácia, tendo um meio-campo mais forte, irá segurar o jogo e tomar as ações ofensivas, mas sem grande efeitvidade. O Japão apostará na velocidade dos pontas e nos contra-ataques para vencer. Mas nenhuma equipe balançará o gol durante os 90 minutos + acréscimos + prorrogação. O que fará a partida ser decidida nos penâltis e por ter melhores batedores, a Croácia passa.

Placar: Japão 0 X 0 Croacia (croatas ganham nos pênaltis)

Brasil X Coreia do Sul

Para deixar a segunda-feira do brasileiro mais legal, a seleção Brasileira enfrenta a sul-coreana, que surpreendeu os prognósticos que previam um Brasil vs. Uruguai nesta fase do torneio. Enquanto o Brasil é tratatdo por muitos como o principal favorito para o título, a Coreia do Sul vem como um dos grandes azarões da Copa que pela primeira vez na história tem 3 equipes asiáticas nas oitavas (a Austrália, mesmo localizada na Oceania, disputa a Copa pela Ásia).

A seleção brasileira vem querendo conquistar o hexa a uns 20 anos. Desde então, acabou tendo fracassos ante equipes europeias que fazem fronteira entre elas como França (2006), Holanda (2010), Alemaha (2014) e Bélgica (2018). Todo o cuidado é pouco com os coreanos, embora o último encontro entre as equiés tenha acabado em uma goleada de 5 a 1 para os brasileiros. A equipe tem apresentado uma defesa bem compacta e um ataque criativo e que finaliza bastante, mas peca em acertar o gol.Obviamente, o Brasil sente a falta de seu principal jogador: Neymar. Mesmo com as polêmicas recentes, ele é o principal jogador da seleção e vinha em grande fase no PSG (após quase ter sido dispensado). Mas ao se machucar no primeiro jogo contra a Sérvia, teve que fazer a seleção encontrar o rumo sem Neymar e nos pés de Richarlison (Tottenham-ING) e Casemiro (Manchester United-ING) os gols nas vitórias conta a Sérvia (2 a 0) e Suíça (1 a 0). Com reservas e numa atuação pífia, perdeu para Camarões por 1 a 0 e a chance de ter sido a melhor equipe da primeira fase do tonreio. Mesmo assim, a equipe canarinha ainda se mantém favorita e precisa provar nesta fase do torneio. É esperado que com a volta de Neymar e dos lateriais titulares Danilo (Juventus-ITA) e Alex Sandro (Juventus-ITA), apesar dos reservas Alex Telles (Sevilla-ESP) e Gabriel Jesus (Arsenal-ING) terem lesões que os tirarão do torneio, a equipe possa voltar em alto nível.

Já a Coreia do Sul foi contra todos os prognósticos do Grupo H. Após um primeiro jogo fraco onde seguraram o empate por 0 a 0 contra o Uruguai, tudo parecia perdido para a equipe asiática ao perder por 3 a 2 para Gana. Porém, aproveitando-se da escalação da equipe reserva de Portugal, venceu os lusos por 2 a 1 de virada e garantiu a vaga após o Uruguai ganhar de 2 a 0 de Gana e não superar o saldo dos coreanos. Agora, a equipe que fez a melhor campanha de um time asiático em Copas (4°lugar em 2002, quando sediou a Copa junto do Japão) e que não alcançava esta fase do torneio desde 2010, tenta fazer jogo duro diante de um dos favortios ao título. Ainda que conte com um dos melhores atacantes do mundo no momento, Heung-Min Son (Tottenham-ING) e com o zagueiro destaque do futebol italiano Kim Min-Jae (Napoli-ITA), a equipe não possui tantos nomes conhecidos internacionalmente. Apostando na velocidade de Son no ataque, esta será a Coreia do Sul contra o Brasil.

Curiosidade inútil: A cultura sul-coreano tem se tornado cada dia mais popular, visto produções como Parasita (2019), que foi o primeiro filme em língua não-inglesa a ganhar a categoria de Melhor Filme no Oscar ou Round 6 (Squid Game no original, 2021) ser a séria mais vista da história da Netflix, além do sucesso do gênero K-Pop pelo mundo graças a grupos como o BTS. E o Brasil tem contribuído para o sucesso da Coreia do Sul pelo mundo, visto que segundo o Spotify, o Brasil é o 5° maior consumidor de K-Pop do mundo. Segundo um outro levantamento, os brazucas estão no TOP 3 em consumo de Doramas (dramas e novelas orientais). 

Palpite: Brasil certamente irá dominar as ações do jogo, com a Coreia jogando no erro da seleção e apostando tudo na velocidade do ataque. A seleção brasileira certamente jogará contra uma equipe bem retrancada na defesa tal como foi contra Sérvia e Suíça e para superar isso, deverá fazer o gol logo no começo do jogo, algo que não ocorre há 5 partidas de Copas do Mundo. O Brasil é favorito, mas não pode contar com a sorte.

Placar: Brasil 2 X 0 Coreia do Sul 

Marrocos X Espanha

Um confronto que poucos esperavam e na condição que se encontra. De um lado, a seleção do Marrocos, que fez uma das melhores campanhas da 1° fase da Copa. Do outro, a badalada Espanha que começou a Copa como o melhor futebol jogado. Agora, uma incógnita.

A seleção africana chegou à copa sem muitas expectativas. Teve uma mudança de técnico pouco antes da competição e não estava jogando um grande futebol. Mas eis que numa Copa do Mundo tudo muda. Após um começo morno em um empate de 0 a 0 contra a Croácia, eis que os marroquinos surpreenderam a favorita do grupo, a Bélgica, vencendo o jogo por 2 a 0. Por fim, encerraram a primeira fase garantindo a liderança do grupo ao ganhar por 2 a 1 contra o Canadá. Chama atenção o bom toque de bola da equipe e o bom controle que a equipe possui, mesmo quando enfrentando adversários mais fortes, não se fechando totalmente. E tudo isso graças a uma geração de jogadores que nasceram fora do Marrocos. Dos 26 convocados pelo técnico Walid Regragui, cerca de 14 deles nasceram em países europeus como França, Bélgica, Holanda e Espanha. Incluindo as duas principais estrrelas da equipe, o lateral Achraf Hakimi (PSG-FRA) que nasceu na Espanha e veio da base do Real Madrid e Hakim Ziyech (Chelsea-ING), holandês de nascimento e cria do Herenveen.

Já a Espanha chegou à Copa com uma equipe renovada e que na primeira partida, assustou o mundo ao ganhar por 7 a 0 da Costa Rica. Apresentando um futebol agressivo que não deixou o adversário dar um chute a gol, parecia que a Espanha se colocaria entre os favoritos. Mas no clássico contra a Alemanha, o empate de 1 a 1 mostrou que a equipe precisava de mais contra equipes mais fortes ou mais tradicionais, mesmo a Alemanha não estando em seus melhores dias. Por fim, com um time alternativo, perdeu por 2 a 1 para o Japão e quase se viu eliminada quando a Costa Rica esteve vencendo a Alemanha. Porém a vitória alemã por 4 a 2 garantiu os espanhóis na próxima fase pelo saldo de gols (graças a goleada na Costa Rica). Ainda que tenha tido maus resultados após a goleada, a Espanha quer mostrar que não veio à Copa a passeio e repetir o título conquistado em 2010, apagando as últimas participações em 2014 (quando foi eliminada na fase de grupos) e em 2018 (quando caiu nas oitavas para a Rússia). Para isso, o treinador Luis Enrique conta com o talento promissor dos jovens do Barcelona Pedri e Gavi. 

Curiosidade inútil: Mesmo estando em continentes diferentes, Marrocos e Espanha estão separados por cerca de 15 km (no ponto mais estreito) pelo Estreito de Gibraltar. Entretanto, a Espanha possui teritórios em território marroquino, controlando as cidades de Ceuta e Melila, que são reclamadas pelo Marrocos. Isso faz com que os dois países, embora não pareçam, façam fronteira. Outra treta territorial entre os dois países é referente ao Saara Ocidental, um território que fica no Oeste africano que foi colônia da Epsanha até 1976. Após o local deixar de ser colônia espanhola, este foi invadido e anexado pelo Marrocos e até hoje luta para ser considerado independente, enquanto o Marrocos alega que o território foi parte de seu reino em tempos mais antigos e que fora roubado pela Espanha no tempo da colonização africa no século XIX. Para a ONU, a Espanha jamais deixou de ter colonizado esta área pois o país não formalizou a descolonização do mesmo, fazendo que o Saara Ocidental seja oficialmente um território espanhol em solo africano e ocupado pelo Marrocos (cerca de 80% do país).  Apesar deste histórico, a Espanha possui a segunda maior comunidade marroquina fora do Marrocos com quase 940 mil pessoas (atrás apenas da França, com 1,1 milhão de pessoas).

Palpite: Será uma das partidas mais movimentadas desta edição, com certeza. Ambas as equipes trabalham bem a bola no meio-de-campo e buscam o ataque o tempo todo, contando com uma boa qualidade técnica para isso. Logicamente, a Espanha possui uma maior qualidade técnica no geral, porém não pode dar mole para os Leões do Atlas como a Bélgica fez. Espero muitos gols.

Placar: Marrocos 2 X 3 Espanha

Portugal X Suíça

Para encerrar as oitavas-de-final desta Copa do Mundo, um confronto europeu. De um lado, a seleção portuguesa que busca a consagração de um grande craque. Do outro, uma equipe que conta com uma defesa bastante sólida e que dá trabalho para os adversários (Brasil que o diga).

A seleção portuguesa chega para as oitavas tendo feito uma fase de grupos consistente, mas com alguns sustos na defesa. Quando parecia ter ganho o o jogo de estreia, sofreu 2 gols para Gana (partida encerrada em 3 a 2). Na partida contra o Uruguai, conseguiu uma boa vitória por 2 a 0, mas com alguns sustos na defesa. Por fim, a derrota por 2 a 1 ante a Coreia do Sul não foi um problema, pois os lusos garantiram a liderança da chave e a classificação antecipada. Com isso, a equipe liderada pelo agora sem clube Cristiano Ronaldo, que busca um título inédito para Portugal em sua provável última Copa, vem acompanhado de uma nova geração que irá substituí-lo no ataque, tendo Rafael Leão (Milan-ITA) e João Félix (Atlético de Madrid-ESP) como destaques, além de nomes mais estabelecidos como Bernardo Silva (Manchester City-ING) e Bruno Fernandes (Manchester United-ING) no meio e João Cancelo (Manchester City-ING) na defesa. Mesmo com os bons nomes, Portugal sofre críticas pelo fato de seu técnico, Fernando Santos, não ser tão ofensivo e sofrer em muitas partidas sem necessidade, ainda que ele seja responsável pelos títulos da Eurocopa de 2016 e da Liga das Nações da Europa em 2020, os únicos títulos de Portugal na história.

A seleção suíça chega às oitavas-de-final pela terceira vez seguida e busca passá-la pela primeira vez. Para isso, terá que segurar alguns dos melhores atacantes do mundo que estão do outro lado. Neste caso, aposta em nomes da defesa para segurar CR7 e cia, contando com a boa zaga formada por Manuel Akanji (Manchester City-ING) e Nico Elvedi (Borussia Mönchegladbach-ALE), além do meia Granit Xhaka (Arsenal-ING) e dos gols de Breel Embolo (Monaco-FRA). A equipe fez uma apresentação morna na vitória de 1 a 0 contra Camarões e depois perdeu de 1 a 0 para o Brasil, onde conseguiu se segurar por boa parte do jogo. Garantiu a sua classificação ao ganhar um emocionante jogo contra a Sérvia (3 a 2), que quase eliminou os portugueses da Copa nas eliminatórias, repetindo a partida tensa que teve contra os sérvios em 2018 na fase de grupos (que o Brasil esteve também). Os suíços precisarão de frieza e competência para tirar Portugal da Copa.

Curiosidade inútil: Portugal e Suíça tiveram uma atitude em comum durante a II Guerra Mundial: se declararam neutros, ainda que com controvérsias: enquanto os portugueses estavam sob o regime do Estado Novo, um regime fascista e autoritário, os suíços guardaram em seus bancos tesouros e bens dos judeus perseguidos pela Alemanha durante o período

Palpite: Um confronto de ataque contra defesa, com Portugal tomando as ações do jogo e buscando o gol desde o começo, ainda que Cristiano Ronaldo fique muito marcado pela defesa suíça. Para a Suíça, resta se segurar na defesa e apostar no contra-ataque diante de uma defesa mais lenta como é a de Portugal, que durante a competição perdeu dois jogadores de defesa considerados titualres: o volante/zagueiro Danilo Pereira (PSG-FRA) e o lateral Nuno Mendes (PSG-FRA).Mesmo com o jogo duro dos suíços e um histórico mais favorável nos confrontos entre as equipes, Portugal vencerá na prorrogação.

Placar: Suíça 0 X 1 Portugal (Prorrogação)

Bem gente, aí foi a minha análise sobre os jogos destas oitavas e as minhas apostas. Sei que vou errar muita coisa, mas to nem aí. Estou pela diversão, assim como muito de nós que assistimos e gostamos de futebol.
Até amanhã e bons jogos!

sábado, 16 de abril de 2022

A pééssima dicção dos brothers do BBB22

Muita gente está decepcionada com o BBB deste ano. O reality que costuma parar o Brasil e virar alvo de altos debates nas redes sociais, este ano não tem agradado. A falta de bons enredos, participantes apáticos, provas e dinâmicas ruins e uma grande expectativa do público que a edição deste ano fosse igual as duas últimas edições que pararam o Brasil, sendo marcado também pela participação dos famosos. Porém, o "cancelamento" de diversos artistas devido as atitudes dentro do programa fizeram os participantes deste ano tomarem mais cuidado com as câmeras e assim, o programa virou um "colônia de férias" segundo os twiteiros. 
Porém, um outro motivo pode estar por trás do floop desta edição: a péssima dicção de alguns participantes. Na edição do ano passado, a participante Thaíz Braz ficou marcada por discursos em que o público não a entendia. A forma de falar da ex-sister ficou marcada, com gaguejos e vícios gramaticais (ela falando tipo a cada 3 segundos) e ela foi alvo de muitos comentários maldosos, contestando a sua inteligência e julgando o fato de como ela tinha conseguido se formar em odontologia (ela até então era dentista). Muitos consideram a goiana como uma das maiores "plantas" da edição (planta é o termo usado para participantes que pouco participam do jo).
Na edição atual, alguns participantes foram muito elogiados por sua boa dicção e capacidade de persuassão e de fazer ótimos discursos. Isso fez estes participantes serem vistos como favoritos (até alguns serem eliminados). Os três conseguiram de alguma forma cativar o público nos momentos em que tinham que fazer discursos, especialmente nos tradicionais jogos da discórdia. 
Mas alguns participantes decepcionaram o público pela sua péssima dicção, ou seja, o público muitas vezes não compreendia as falas dos paticipantes, seja no ao vivo ou nos VTs da edição. Os internautas criticaram estes participantes e até absolveram a já mencionada Thaiz, visto que fora do BBB ela tem gravado vídeos que mostram que ela sabia falar muito bem. Porém o nervosismo atrapalha na comunicação. A tensão do BBB pode levar estes participantes a não se comunicarem bem com as câmeras.
E o blog vai mostrar quem são alguns dos participantes com "dicção de centavos".


Laís


Fonte: Divulgação Globo

A médica goiana foi a participante que foi eliminada com a maior rejeição da edição, com mais de 91% no paredão. Rejeitada por falas consideradas racistas contra o ator Douglas Silva, a modelo Nathália Deodato e a atriz Linn da Quebrada e do seu embate, visto como sem sentido contra Arthur Aguiar e até debochar da altura do mesmo, dizendo que não tem altura para ser homem, Laís teve participação que no início parecia de planta, sendo uma sombra de Jade Picon e da modelo Bárbara Heck, mas foi crescendo com os embates contra Arthur Aguiar e seu romance com o bacharel  e ex-casa de vidro Gustavo Marsengo, utilizando o relacionamento para escapar do paredão enquanto deu. 
Em alguns momentos, Laís foi massacrada pelos fãs de Arthur Aguiar por sempre gaguejar ante os embates com Arthur Aguiar e assim, apresentar argumentos pouco convicentes para se defender. Porém, há controvérsias quanto a isso pelo fato de Arthur constantemente interromper suas falas enquanto falava e assim, fazer com que a médica parecesse estar errada, fazendo Arthur ser acusado de gaslighting. Mas isso não impediu Laís de ter suas falas criticadas por não serem coerentes com a realidade e a mesma foi acusada de espalhar muitas fofocas (sendo até alvo de piada pelos patrocinadores). Por fim, sua voz também era alvo de críticas e não era considerada agradável. 

Pedro Scooby

Fonte: Divulgação Globo

O surfista Pedro Scooby chegou com grande expectativa. Mais conhecido por seus relacionamentos conturbados com a atriz Luana Piovanni (do qual é pai de seus três filhos) e com a cantora Anitta do que pelo esporte (embora seja considerado um dos melhores surfistas de ondas gigantes do mundo), Scooby poderia causar mais no programa. Porém, o surfista tem sido criticado por sua postura pouco ativa no jogo e de estar apenas de férias no programa, causando em momentos como perguntado a Tadeu Schmidt se poderia votar em si mesmo ou se vetar de um prova. Porém ele vem crescendo no jogo, já que costuma ser forte nas provas e já ganhou a liderança algumas vezes, além de começar a se posicionar no jogo.
Mas a comunicação de Scooby é um tanto confusa e até é zoada pelos VTs da edição. O fato de parecer perdido e dar umas pausadas ao som de "Because I got high" de Afroman, já que muitos internautas acreditam que o surfista é usuário daquela droga lá. Tanto que as vezes fica difícil saber o que Scooby quer dizer e qual o sentido de sua estratégia. Mas pelo fato de ser visto como engraçado, até agora está no programa.

Bárbara

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A gaúcha Bárbara Heck é modelo e formada em Relações Públicas. Mesmo sendo uma participante Pipoca, ou seja, supostamente não famosa, ela já era conhecida em participações do programa "Conexão Models" da RedeTV e ser seguida por Neymar (tendo sido apontada como affair do mesmo). No programa, aparentemente mostrava potencial por ter ganho a primeira prova de resistência da edição e mostrar inteligência nas primeiras semanas. Porém, ao longo da edição, a loira começou a fazer fofocas e não falar o que realmente pensava na cara dos outros participantes, apenas dizendo isso para as amigas Jade Picon e Laís Caldas, além de hipóteses de que ela sofre de transtornos alimentares. Por conta disso, saiu como uma das mais rejeitadas da edição.
Bárbara mostrava potencial, mas logo caiu. Muitos acreditam que além de suas péssimas escolhas, a falta de carisma e sua péssima dicção causaram sua repulsa pelo púlico. O fato de a modelo falar muito rápido e tendo um sotaque muito carregado, fez suas ideias não serem bem compreendidas e até mesmo a irmã da ex-sister disse em entrevista ao programa "Fora da Casa" no Multishow que ela deveria passar em um fonoaudiólogo e que era difícil assistir a irmã no BBB devido a dicção.

P.A

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O atleta corredor dos 100 metros rasos, Paulo André Camilo foi um dos participantes "Camarote", sendo conhecido por ter grandes índices brasileiros da prova. Abrindo mão de competições como o Mundial do Atletismo, o atleta, apesar de ser considerado o grande galã do programa atual, pouco causou no programa apesar de ter ganhado várias provas do Líder ou do Anjo. Outro fator que o fez ficar popular foi o casal formado por ele e Jade Picon, sendo bastante shipado até hoje.
Apesar da popularidade, o atleta é bastante zoado e criticado por a sua dicção. O atleta muitas vezes não é bem compreendido pelos telespectadores, que até exigem uma legenda durante suas falas. O corredor acaba mostrando bastante ansiedade e gagueja em suas falas, atropleando-as. Isso faz com que suas falas pareçam não fazer nenhum sentido, especialmente nos jogos da discórdia, o que acaba fazendo com que a comunicação com quem vê o programa fique prejudicada.

Eslovênia

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Por fim, temos a pernambucana Eslovênia Marques. A ex-miss Pernambuco chamou atenção antes do programa pelo seu nome, uma homenagem de seu pai ao país que foi integrante da antiga Iugoslávia. O mais engraçado da história de Eslo é que o pai daria o nome de Bósnia-Herzegovina. Além disso, Eslo foi muito comparada a Juliette, vencedora da edição passada, muito pelo fato de serem nordestinas e uma suposta semelhança física (nada a ver). Entretanto, a particpante foi uma das mais criticadas pelo fato de fazer parte do odiado quarto Lollilpop, além de ter sido criticada por uma fala racista ante Nathália Deodato. Por fim, o casal com Lucas não conquistou o público tal como Jade e P.A. Além dos memes comparado sua aparência ao humorista Marquito, outros memes surgiram pelo fato da morena estar sempre sentada do lado de quem era eliminado nos paredões.
Apesar dos pontos acima, boa parte da antipatia pela pernambucana (paraibana de nascimento) vem do fato da sua péssima dicção ao longo do programa. O jeito de falar rápido e acelarado, misturado com a voz rouca, fazia muitas vezes a ex-participante se tornar incompreensível e os discursos da participante foram detonados pelos fãs do programa por vícios de linguagem. Um fato curioso é que Eslovênia ganhou o prêmio de melhor oratória do Miss Brasil que participou, o que pode surpreender muita gente. Alguns podem dizer que o sotaque pode atrapalhar a dicção, porém a outra participante pernambucana da edição, Lairssa Tomássia, era perfeitamente compreensível (até demais). 


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