quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A química na engenharia

Todo aluno de engenharia, seja lá qual a modalidade, sabe que matérias exatas fazem parte mais do que integralmente do curso. Das áreas do conhecimento conhecidas como exatas, temos a matemática, a física e a química. A matemática é a principal ferramenta de qual a física e a química dependem para resolver seus problemas. Por fim, a química depende da física, uma vez que a química veio da física. E no curso de engenharia, na maioria das modalidades, a influência da química é um tanto desprezada. No curso de engenharia civil, por exemplo, é muito lembrado o uso da física e da matemática. Mas a química é um tanto desprezada. Talvez até a geografia é mais valorizada que a química, uma vez que em matérias como topografia e geologia, conhecer a região é importante. Mas e o material que tem que ser usado especificamente naquela região? Quem ajuda? É a química.
A química no meu curso não foi algo a fundo como na escola, estudar átomo por átomo e molécula por molécula. Foi mais conhecer as substâncias químicas e materiais mais usados na construção civil. Foi uma introdução a matéria de Materiais de Construção (ou Matcon para os íntimos), que eu considero um das mais importantes do curso. A engenharia evoluiu não apenas por processos físicos ou matemáticos. Os materiais também evoluíram na mesma velocidade. Os químicos descobriram novos compostos. Novos compostos podem formar novos materiais ou melhorar os existentes. O cimento que hoje nós usamos na construção civil e até naquelas reformas de fim de ano em nossas casas não é o mesmo de quando foi inventado na Inglaterra do Século XIX. Digo o cimento Portland, evolução de outros tipos de cimento já conhecidos, uma vez que o tipo Portland não se dissolvia na água e era obtido artificialmente de matérias-primas como calcário, argila e gesso. Ao longo do tempo, novas adições foram acrescentadas para criar cimentos mais específicos para um tipo de construção ou para criar novas estéticas. Graças a química, isso foi possível.
Novas estéticas abrem caminho para novas adições. As tintas passaram por processos assim, para dar um leque maior de cores. Mas não só foi apenas estético. As tintas foram apresentadas a novas aditivos para terem não só características estéticas, mas apara resistirem melhor a água, a umidade, terem uma melhor aderência nas paredes e a estabilidade. Isso não só vale para as paredes, mas para os carros e móveis, a pintura é importante. Não só pela estética, mas sobretudo a tinta dá proteção contra a corrosão, sobretudo em peças metálicas. A química está por trás de tudo isso.
Peças metálicas, constituinte de muitas coisas existentes. Desde objetos a meios de transporte, de estruturas de construções até baterias, muito se testou para se chegar ao material perfeito. Com a ajuda da física e dos processo que ela explica, a química encontrou materiais perfeitos, com átomos e moléculas que realizam bem aquela função. Ligas metálicas são usadas desde de muito tempo. E toda hora eles mudam, pois na falta de um material, já que alguns metais são mais raros ou escassos, outra liga foi criada.
Ou as peças metálicas, por sofrerem oxidação (processo de troca de moléculas com o ar oxigenada, que origina a famosa ferrugem) em maior ou menor grau, podem ocasionar problemas ao longo do tempo. Como por exemplo os canos de água, que antes eram de ferro. Por causa da oxidação, os canos enferrujavam e as tubulações sofriam com problemas como entupimentos. E o reparo era quebrando a parede. Com a evolução dos materiais poliméricos, os canos metálicos foram substituídos por estes que não sofrem de oxidação e que facilitam os reparos. Graças a química, a construção civil consegue um grau cada vez maior de economia, segurança e conforto.
Esses foram só uns exemplos. Na área da civil não faltam outros casos, mas na outras a química também não falta. Nos componentes elétricos, nos combustíveis, na constituição de máquinas, computadores e até nos alimentos. Não faltam exemplos de como essa área que investiga os fenômenos microscópicos e tenta entender os componentes deste universo. A química ainda vai ajudar muito nos avanços que teremos mais a frente. Seja com novos materiais, que é o principal ou para auxiliar em novos processos de produção, ela tem um papel tão fundamental tão grande quanto a física na área. Não digo isso por causa que química era uma das minha matérias favoritas e sim pela crescente dependência entre as duas áreas. Tanto que engenharias que envolvem muita química aumentam, como a Engenharia Química e a Engenharia de Materiais. A primeira tem como função melhorar os processos químicos nas indústrias de diversas áreas como a farmacêutica, de combustíveis e de minerais. Já a segunda, como o nome indica, de encontrar novos materiais.
Pois é amigos, as moléculas estão por aí, constituindo tudo nesse mundo. Em várias áreas, a química ajudou o ser humano a evoluir o que já existia e a descobrir novas invenções ou novos horizontes no universo. Por isso, desde já, não tente desmerecer um químico, pois um dia precisará dele para descobrir uma nova maneira para abrir novas janelas e inovar no mundo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Copa da Ásia já começou

Hoje, dia 9 de janeiro, começou na Austrália a Copa da Ásia. A competição organizada pela AFC (Asian Football Confederation) é a primeira competição continental de seleções após a Copa do Mundo de 2014. A Austrália sedia o evento pela primeira vez, após ser aceita na AFC em 2006, pois antes competia pela OFC, confederação de futebol da Oceania.
Não vamos detalhar geografia aqui. As partidas serão realizadas em cinco cidades sede: Newcastle, Brisbane, Canberra. Sydney (sede da final) e Melbourne, sede da partida de abertura disputada hoje na Austrália, sendo que era madrugada no Brasil. Na partida de abertura, a Austrália bateu o Kuwait por 4 a 1.
A competição é disputada entre 16 seleções, divididas em 4 grupos. Os dois melhores passam para a próxima fase. Entre as 16 seleções do torneio, há apenas um estreante: a seleção da Palestina, que apesar de não ser membro da ONU, é afiliado a FIFA. Ganhou o direito de disputar a competição após ganhar a AFC Challenge Cup do ano passado, competição disputada por times menores da Ásia. O vencedor da competição ganha o direito de disputar a Copa das Confederações de 2017, que será disputada na Rússia. O campeão asiático será a primeira equipe a garantir vaga para a competição entre os campeões continentais, uma vez que a Rússia e a Alemanha como campeã do mundo, estão classificadas.
A competição será transmitida no Brasil pelo canal a cabo SporTV. Não irei fazer uma análise longa. Farei uma breve descrição dos grupos.

Grupo A- Austrália, Omã, Coreia do Sul e Kuwait

No grupo A, a seleção da casa que foi a Copa do Mundo com outra seleção neste mesmo grupo, no caso a Coreia do Sul. As duas seleções são as favoritas para se classificarem, uma vez que estiveram na Copa, mesmo não passando para a próxima fase e tendo resultados pífios. Mas as seleções tem seus bons destaques. A seleção da casa, que é a atual vice-campeã do torneio, tem entre seus destaques o experiente atacante Tim Cahill (New York Red Bulls - EUA), o meia-atacante Robbie Kruse (Bayer Leverkusen - ALE) e o melhor jogador da equipe e capitão, no momento é o meio-campo Mile Jedinak (Crystal Palace - ING). A Coreia do Sul tem como destaques o meia Lee Chung Yong (Bolton - ING), o lateral Ko Cha-Jeol (Mainz- ALE) e o atacante e artilheiro da equipe Heung- Min Son (Bayer Leverkusen - ALE). As duas seleções são favoritas para os primeiros lugares do grupo e a Austrália favorita ao primeiro lugar. Omã e Kuwait tem poucas chances de supreender e poucos destaques, a maioria joga em seus países. 

Grupo B - Uzbequistão, Arábia Saudita, China e Coreia do Norte

Não chega a ser o grupo da morte, mas o Grupo B reúne seleções de mesmo nível e sendo que todas as seleções tem alguma chance de classificação. O Uzbequistão tem uma boa seleção, mas sempre bateu na trava ao tentar chegar a Copa do Mundo. No elenco, conta com jogadores locais e uns poucos que atuam fora, com destaques para o lateral Vitaliy Denisov (Lokomotiv Moscou - RUS) e os meias Odil Ahmedov (Krasnodar - RUS) e Server Djeparov (Seongnam - COR). A Arábia Saudita já teve uma seleção mais forte no passado, mas a seleção atual já não é tão boa como no passado. O destaque do time é o volante Saud Kariri (Al Hilal). A China vem em constante evolução graças ao fortalecimento da liga local, graças a técnicos e jogadores estrangeiros. Os jogadores estão melhorando de nível, mas ainda não há nenhum craque acima da média. Os destaques do time são o meia Zheng Zhi e o atacante Gao Lin, ambos do Guagzhou Evergande, campeão nacional do país. Já a Coreia do Norte, presente na Copa de 2010 e zebra na Copa de 2006 é a seleção mais fraca do grupo, mas pode surpreender. Apesar do país ser o mais fechado do mundo, há atletas que jogam fora do país. No caso, são o meia Ryang Yong gi (Vegatta Sentai - JAP) e o atacante Pak Kwang Ryong (Vaduz - LIE). O grupo é equilibrado, mas acredito que o Uzbequistão passa de fase em primeiro com China ou Arábia Saudita em segundo.

Grupo C - Irã, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Bahrein

O Grupo C é um grupo exclusivamente do Oriente Médio. Neles estão o Irã, melhor seleção asiática no ranking da Fifa (posição 51) e presente na última Copa, junto de vizinhos em evolução. O Irã é a melhor seleção asiática e a que teve um desempenho melhor em campo durante a Copa, endurecendo o jogo contra a Argentina. A seleção conta com jogadores locais e alguns no futebol europeu, mas nenhum atua em uma grande equipe europeia. Os destaques do time são o goleiro Alireza Haghighi (Penafiel - POR), o meia Javad Nekounam (Osasuna - ESP) e os atacantes Reza Ghoochannejhad (Charlton Athletic - ING) e Sardar Azmoun (Rubin Kazan - RUS).  Já as outras seleções do grupo são seleções em evolução. O Qatar prepara um trabalho à longo prazo para não fazer feio em 2022, ano em que sediará a Copa do Mundo. Aos poucos, os resultados vão vindo, mas será um longa jornada. Os destaques do Qatar são o defensor Bilal Mohammed (Al-Gharafa), o meia Khalfan Ibrahim (Al Sadd) e o atacante Hassan Al Aidos (Al Sadd). Todos os jogadores do Qatar atuam no país, assim como na seleção dos Emirados Árabes. A equipe é bastante jovem e vem em ascenção, como visto em seu destaques que são os jovens Omar Abdulrahman (Al Ain) e Ahmed Khalil (Al Ahli). O Bahrein esteve próximo de ir à Copa de 2010, mas perdeu na repescagem para a Nova Zelândia. A seleção do Bahrein tem quase todos os jogadores atuando no país, com exceção de alguns que jogam em países vizinhos, como a Arábia Saudita e o Qatar. Os destaques do time são os atacantes Ismail Abdul Latif (Muharraq), Faouzi Aaish (Al Sailiya - QAT) e o atacante nigeriano naturalizado Jaycee Okwunwanne (Al - Mesaimeer - QAT). A disputa nesse grupo será boa. Em primeiro lugar, o Irã é favorito. Na segunda colocação, os Emirados Árabes ou Qatar.

Grupo D - Japão, Jordânia, Iraque e Palestina

No grupo D, um gigante perto de 3 Davis. Na lógica do futebol asiático, sim. A seleção japonesa participou da última Copa do Mundo, mas assim como outras seleções asiáticas, pouco fez no Brasil. Mas nas competições asiáticas, o Japão levou 3 dos últimos 4 campeonatos. Tem no elenco alguns dos melhores jogadores asiáticos e tem uma boa liga doméstica. Entre os destaques do time nipônico estão os meias Keisuke Honda (Milan - ITA), Shinji Kagawa (Borussia Dortmund - ALE) e o experiente Yasushito Endo (Gamba Osaka) e no ataque, um dos artilheiros do campeonato alemão, Shinji Okazaki (Mainz 05 - ALE). No grupo, está o outro campeão asiático, que quebrou a hegemonia japonesa: o Iraque. Mesmo com problemas internos no país e jogando longe de sua casa por determinação da FIFA, o Iraque sempre incomoda os mais forte da Ásia. A seleção tem jogadores que jogam no país, mas os destaque jogam fora. Os destaques são os atacantes Justin Meram (Columbus Crew - EUA), que nasceu nos EUA e o herói do título asiático de 2007, Younis Mahmoud, que está atualmente sem clube. A Jordânia esteve perto de chegar a Copa do Mundo, mas teve pela frente na Repescagem a forte seleção uruguaia e deu no que deu: 5 a 0 na Jordânia, embora o time tenha empatado no Uruguai. Seria a primeira Copa da seleção jordaniana, mas o sonho foi adiado, embora mostre a evolução da equipe. Os destaques estão na dupla de ataque Abdallah Deeb (Al-Riffa - BAH) e Ahmad Hayel (Al Arabi  Kuwait - KUW). Por fim, a Palestina, a estreante no torneio. O time venceu a AFC Challenge de forma invicta e graças aos gols de seu principal jogador, Ashraf Nu´man (Al-Faisaly - ASA). Embora atue fora do país, a maioria dos jogadores palestinos atua no próprio território, com uma liga própria, embora dividida em duas (Gaza e Palestina). Reflexo dos confrontos em seus territórios contra Israel, que por ser rechaçado por outros países asiáticos, especialmente os do Oriente Médio, joga pela UEFA, mesmo que em um passado distante da competição, ganhou a taça em 1964. Neste grupo, o Japão é amplamente favorito para o primeiro lugar. Para a segunda vaga, a Jordânia é favorita por estar num momento melhor que o Iraque, mas a seleção iraquiana mostra sempre que pode surpreender.

Pois é amigos, a disputa está em campo pelo título asiático. Embora o continente não seja dos mais importantes no futebol, a prática do esporte evoluiu nos países asiáticos. Cresceu em países em que o futebol nem existia (como Japão, Austrália e China), cresce em outros e ainda há um em que o futebol é a paixão do povo e desafiou o regime autoritário: o Irã, em que o futebol foi proibido após a Revolução de 1979, mas a pressão do povo fez os aiatolás desistirem da ideia. Os favoritos são as seleções que jogaram a Copa. Austrália pelo fator casa. Japão e Coreia do Sul pelos bons elencos. E o Irã pela dedicação tática dada pelo técnico português Carlos Queiroz. Fora estes favoritos, o Uzbequistão também pode ser considerado favorito, mas precisa se livrar da estigma de ser eliminado antes da hora. Bahrein, Emirados Árabes e Qatar podem ir longe. E outras podem surpreender. Pode ser a China, o Iraque ou até mesmo a Coreia do Norte e Palestina.
Enfim, a disputa está aberta. Teremos ainda a Copa América, a Copa Africana de Nações e a Copa do Mundo de Futebol Feminino para analisar aqui no blog!

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Transformações envolvem graves choques

Ontem, em Paris, ocorreu um dos mais graves atentados terroristas da história da França. Dois atiradores atacaram a sede da revista Charlie Hebdo, conhecida por publicar charges de várias naturezas e uma delas ofendeu os atiradores, que era islâmicos. A representação do Profeta Maomé foi o motivo de extremistas islâmicos ameaçarem a revista desde de 2006. E o ataque foi interpretado também como uma questão de ataque a liberdade de imprensa e de expressão. Isso quando outros fatos que vão de encontro com o mundo islâmico vem à tona.
Na segunda-feira, protestos na Alemanha, Inglaterra e Suécia, promovidos por partidos de extrema-direita e anti-imigração, eram contra a chegada dos muçulmanos a seus países e na Europa. A Europa atualmente recebe muitos islâmicos, especialmente aqueles que fogem do Estado Islâmico (ou ISIS na sigla inglesa) e se tornam refugiados. Em países como o França, os muçulmanos representam mais de 10% da população. E em outros países da região, os muçulmanos se multiplicam. E por causa da crise vivida por muitos destes países, a culpa esta recaindo sobre os islâmicos residentes. Pelo fato de não aderirem a cultura e hábitos locais e ainda quererem impor sua cultura a europeia, os partidos anti-imigração como Ukip na Inglaterra e a Frente Nacional na França ganham mais adeptos. Sem contar que outros países europeus vão pelo mesmo rumo.
Na terça-feira, vi uma notícia referente a uma atriz pornô de origem libanesa. Seu nome artístico é Mia Khalifa e se tornou famosa ao ser indicada por um grande site de filme adultos dizer que em seu ranking, ela era a mais procurada no mundo. Embora proeminente de um pais islâmico, a atriz nasceu em uma família cristã, mas foi ameaçada por radicais muçulmanos, principalmente em um dos seus filmes, ela ter usado uma hijab, véu islâmico que as mulheres usam nos países islâmicos, especialmente nos mais "liberais". Ela, em sua conta no Twitter, fez piada com a situação e fez uma montagem dela sendo segurada por um dos carrascos do Estado Islâmico. A atriz vive nos EUA.
E ontem, 12 pessoas morreram. Infelizmente, por pessoas de má-fé. Radicais islâmicos. Dois atiradores e mais cúmplices, que já foram identificados e estão sendo procurados pelo país. Testemunhas dizem que os cidadãos disseram que os mesmo eram ligados a Al-Qaeda, famoso grupo radical que foi liderado por Osama Bin Laden e que foi o autor do ataque ao World Trade Center, no 11 de setembro de 2001. Mais um atentado nos países ocidentais causado por radicais que usam a religião islâmica para promover suas loucuras, assim como foi na Espanha em 2004 e na Inglaterra em 2005, embora a autoria do ataque na Espanha seja ainda incerto.
Não se sabe se os ataques são ligados a Al Qaeda, Hamas, Hezbolah, Talibã ou o Estado Islâmico. Ou se foi um ataque isolado, como foi o de Sidney, em dezembro passado. Mas sabe-se que o extremismo religioso, especialmente no islã, prejudica não só outros povos como ao próprio povo de cultura islâmica. Os ataques só fazem nós, do Ocidente, pensarmos que o Islã é um mal. Que todo árabe ou alguém que veio de países onde Alá tem mais seguidores, são todos terroristas. E graças a isso, partidos de extrema-direita ganham adeptos na Europa. No Brasil, a posição de religiosos cristãos mais radicais, seja católico ou evangélico, só aumentam o nosso ódio ao islã e enxergamos a ele como não uma religião, mas uma ideologia assassina. Depois que a presidente Dilma pediu diálogo com o estado Islâmico, nossa posição só tende a ser mais conservadora. E políticos que pensam assim ganham mais popularidade, como os já conhecidos deputados Marco Feliciano e Jair Bolsonaro, ícones da direita ou da extrema-direita do Brasil.
E pensar que os islâmicos já foram avançados durante a Idade Média, trazendo para a Europa novos temperos, os algarismos indo-arábicos, uma medicina mais avançada e a ciência. Após a expulsão dos árabes da Europa e do fim dos califados, os países islâmicos entraram num retrocesso que levaram a posições extremadas. Em países como Irã, a autoridade religiosa é quem dá as ordens. Arábia Saudita, Omã e Qatar vivem em monarquias absolutistas. A Síria vive em uma grande ditadura.Já Turquia, Jordânia e Líbano são os países mais liberais da região e conseguem uma certa convivência pacífica com outras religiões, algo que não ocorre em países como o Egito, onde cristãos são perseguidos. Apesar disso, esse país mais liberais ainda tem problemas com grupos radicais, onde o Hezbolah no Líbano ainda usa o terror como arma de sua posições.
A posição extremista nos lados islâmico e judaico/cristão tende a aumentar. Após a invasão do Iraque em 2003, muitos jovens em países islâmicos aderem a tais ideologias radicais. Durante a Primavera Árabe, que derrubou ditaduras nos países árabes, o radicalismo religioso aumentou ainda mais. Deve-se a isso ao fato de que enquanto estavam no poder, ditadores como Hosni Mubarak no Egito e Muammar Khadaffi na Líbia eram liberais em questões sobre as mulheres, que tinham certa liberdade em seus governos. Já no Ocidente, políticos islamofóbicos ganham cada vez mais popularidades. E também já ocorreram ataques terroristas de origem fundamentalista cristã, embora contestado, na Noruega e que resultou 76 mortes. Embora não seja considerado um terrorista cristão, o autor dos ataques disse ser contra a imigração islâmica em seu país e na Europa.
Ataques como os de ontem e como o que ocorreu na Noruega, só retratam as mudanças que o mundo tem passado. O islamismo se tornou a fé mais praticada no mundo e só tende a crescer, já que famílias islâmicas tem em média mais filhos do que famílias europeias,por exemplo. E eles tendem a migrar para os países europeus e outros deste lado do mundo, uma vez que as populações daqui estão diminuindo aos poucos. Trazem consigo sua fé e por ser diferente da nossa, em muitos quesitos, choques são inevitáveis. A imagem de Maomé na religião islâmica, tal como qualquer outra forma de arte visual, é tabu para muitos islâmicos, mesmo isso não estando escrito no Alcorão (livro sagrado dos islâmicos) e sim, sendo leis criadas por religiosos posteriores. Se Maomé é representado, seu rosto é coberto. Mas o problemas é que até então não havia ataques a não-islâmicos por causa da representação do profeta. Direito de reclamar, tem-se. Mas não de matar.Trechos do Alcorão que incitam a violência são muito citados por aqueles que são contra os muçulmanos, com passagens de morte contra os infiéis, aqueles que não são islâmicos. Mas assim como a Bíblia, o Alcorão também tem trechos de paz e trechos violentos. A Bíblia também tem trechos que se entendidos fora do contexto, deixam margem a violência, independente de ser contra outras religiões ou não. Cristãos também se ofendem quando são representados de maneira que não os agrade, tal como judeus. Mas nunca fizeram isso, mas há pastores que incitam a violência contra quem ousa ir de encontro com sua fé. Nada consumado, mas a intenção fica clara.
Os choques atuais estão cada dia mais radicais de cada lado. Jovens europeus, mas de origem islâmica, migram para áreas onde o Estado Islâmico domina. Por quê? Ainda não se sabe, mas estes jovens carregam dentro de si um ódio pelo Ocidente, mesmo sendo parte deles. Mas não são todos. Assim como os cristãos, que tem sua diferenças, o islamismo tem suas diferenças, não é algo único. Ou seja, há os pacíficos e os radicais. Conflitos como esse estão acima de direita e esquerda política e vão influenciar nossa vida por muito tempo. Só o futuro dirá se as sociedades islâmicas serão mais liberais e s tornarão laicas, tal como é o Ocidente. Até lá, infelizmente teremos outros atentados como os de ontem na França. Mas também haverá espaço para mim ou para você que quer a convivência pacífica com os islâmicos. Será uma luta, mas que terá um vencedor: a paz!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

7 maravilhas da Engenharia do Mundo Moderno

Você já deve ter ouvido falar pelo menos uma vez na sua vida sobre as denominadas Sete Maravilhas do Mundo. E sobre estas construções terem quase todas elas foram destruídas e que só resta viva a Pirâmide de Queóps, no Egito. E ainda por cima, no ano de 2007 fizeram uma nova lista para saber quais são as novas sete maravilhas mundiais, só que dessa vez com construções depois do ano 0. Entre elas, está o nosso Cristo Redentor. Mas a lista causou polêmica por causa das escolhas e de não ter sido reconhecida pela Unesco, braço da ONU que é responsável pela educação e cultura. Além disso, a escolha foi por voto popular e não por critérios técnicos ou históricos. Mas a lista está valendo mesmo assim.
Porém, a Sociedade Americana dos Engenheiros Civis ( American Society of Civil Engineers), organização estadudinense que representa os Engenheiros Civis dos EUA, antes da eleição de 2007, no ano de 1994, resolveu listar as 7 maravilhas da Engenharia Civil considerando ser mais legitima que a lista feita por votação popular, a partir de detalhes técnicos e importância das construções para a sociedade. Embora a engenharia civil tenha muita importância, conhecimentos de outras engenharias e outras áreas também foram importantes nas construções e consideradas na lista.
Todas as obras foram construídas ou finalizadas no século XX, o que dá uma margem precisa do que é moderno, já que construções como a Muralha da China ou a Cidade de Petra, presenta na lista das novas 7 maravilhas, são construções do período antigo, assim como o Coliseu de Roma. Chega de explicações, vamos a lista:

Eurotúnel


Na foto, o Eurostar.
O Eurotúnel é a realização do sonho britânico de ligação com o restante da Europa por outro meio que não fosse marítimo ou aéreo, afinal de contas, a Grã-Bretanha é uma ilha. A ideia de construção do túnel vem desde o início do século XIX, mas por pressões política, questões de segurança e a falta de tecnologia para tal empreendimento, a obra foi esquecida.
Mas no século seguinte, novos estudos foram realizados no ano de 1957, por parte da outra parte interessada, no caso, a França. As obras até começariam em 1974, mas foram paralisadas por problemas no orçamento. Mas em 1984, os governos britânico e francês chegam em um acordo e as obras começam em 1988. Utilizando mais de 15000 trabalhadores, envolvendo 5 bancos e 15 empresas diferentes, a obra usou grandes quantidades de concreto em substituição da terra. Tudo isso para o túnel resistir a pressão da terra e da água do Mar. Foram construídos 3 tuneis, dois para trens e outro para trens que carregam veículos.
A obra foi inaugurada em 1994, 4 anos após as escavações do lado britânico e francês terem se encontrado, ainda com 2 metros de erro. Hoje, o túnel possui mais de 50 km, com quase 38 km passando por debaixo do Canal da Mancha, com profundidade máxima de 75 metros e ligando a cidade britânica de Folkestone a Coquelles, na França. Muito movimentado,o Eurotúnel é conhecido principalmente pela linha de trem-bala Eurostar, que liga Londres a Paris, passando por Lille na França e Bruxelas, capital da Bélgica, sendo que o tempo de viagem para Paris ou Bruxelas demora pouco mais de 2 horas e meia. Ao custo de 4,650 bilhões de libras, o túnel também tem problemas atualmente, devido a incêndios e a passagem de imigrantes ilegais. Mas nada que manche a imagem desta grande obra.

Torre CN

A Torre CN é uma grande construção localizada em Toronto, no Canadá. Foi por muito tempo a construção mais alta do mundo, sendo que sua altura é de mais de 533 metros. Foi por 32 anos a construção mais alta do mundo, sendo superada em 2007 pelo Burj Dubai, ainda em construção naquela época (atualmente pronto, o burj Dubai possui 828 metros de altura). Atualmente é a terceira torre mais alta do mundo, atrás da Tokyo Skytree (Japão) e da Torre de Cantão (China).
A Torre foi proposta em 1968 para facilitar a transmissão de microondas pela região, pois elas estavam sendo atrapalhadas pelo grande número de arranhas-céu construídos naa cidade. A solução foi a construção da torre, que começou a ser edificada em 1973. Removendo 56000 toneladas de terra e utilizando 7000 m³ de concreto, 450 toneladas de barras de ferro e 36 toneladas de aço apenas para a construção da base, a 15 metros de profundidade. A torre subia 6 metros por dias graças as técnicas de construção, em que conforme o tamanho aumentava, a torre se estreitava. Tudo para contornar o desgaste causado pelo vento. Utilizando mais de 40,5 mil m³ de cimento na sua construção, a torre, apesar do seu tamanho, teve um erro topográfico de nível de apenas 29 mm.
Inaugurada em 2 de abril de 1975, a torre que serve para transmissão de ondas de TV e rádio, virou o principal ponto turístico da cidade, recebendo mais de 2 milhões de turistas por ano. Tem dois pontos de observação, o maior localizado a 342 e outro, menor a 447 metros de altura, sendo o ponto de observação mais alto do mundo. Possui também a escada mais longa do mundo, com 1176 degraus, entre o térreo e o observatório principal, a 342 metros. 
O nome CN vem de Canadian National, que é a companhia ferroviária do país, privatizada em 1995. A CN privatizada quis se desfazer da torre, transferindo a administração dela para a Canadian Lands Company, do governo canadense. Embora quisesse mudar o nome, o governo manteve o acrônimo CN, mas mudou de Canadian National para Canada´s National Tower. Graças ao lucro dos milhões de turistas, a torre nunca operou com prejuízo desde sua inauguração.

Empire State Building

O Empire State é talvez uma das construções mais conhecidas do mundo. Foi por mais de 40 anos o edifício mais alto do mundo, com seus mais de 381 m até o telhado e mais de 443 m de altura com a antena, possuindo 102 andares. Suas luzes mudam conforme datas comemorativas, seja nos EUA ou em outra parte do mundo, sendo que já homenageou até a independência do Brasil, quando se iluminou de verde e amarelo. O edifício se localiza em Nova York, na famosa 5° Avenida. Seu nome é uma referência ao Estado de Nova York.
Foi construído no período entre 1929 e 1931, projetado de cima para baixo. O projetista da edificação foi William Lamb e sua empresa. Mas a construção ficou a carago da empresa de Al Smith, primeiro governador do estado de Nova York. As construções começaram efetivamente em 1930 e em 410 dias, o prédio já estava pronto. Ao custo de 40 milhões de dólares na época, ele foi inaugurado em 1931, com discurso do então presidente do EUA, Herbert Hoover. 
O prédio foi inaugurado durante a Grande depressão, período de forte recessão do s EUA após a quebra da Bolsa de Nova York em 1929. Por causa da inatividade econômica da época, poucos escritórios foram alugados no Empire State e consequentemente, o prédio deu seguidos prejuízos aos seus construtores. Isso até os anos 50. Até então, o prédio era conhecido como Empty State Building (em português, empty é vazio). 
Atualmente, voltou a se tronar o edifício mais alto de Nova York após a queda do World Trade Center, em 2001. Hoje em dias, é o 2° prédio mais alto dos EUA e além de ser usado por escritórios, é também um famoso ponto turístico de Nova York, sendo muito visitado anualmente. Mas em contrapartida, ele também é conhecido por ser usado suicidas. Trágico!


Ponte Golden Gate



Sairemos de Nova York para ir ao outro lado dos EUA, lá na costa oeste. A cidade da vez é São Francisco, no estado da Califórnia. Na verdade, na divisa das cidades de São Francisco e Sausalito. As cidades estão ligadas por uma icônica ponte, denominada Ponte Golden Gate. A ponte ganhou esse nome por passar por cima do estreito de Golden Gate (Portão dourado, em português), que separa o Oceano Pacifico da Baía de São Francisco.
A Ponte foi idealizada em 1916, 10 anos após o terremoto que destruiu São Francisco. Após a tragédia, a cidade crescia muito e precisava de nova infraestrutura. A ponte foi projetada a partir de 1927 e a tarefa coube ao engenheiro alemão Joseph Strauss, que até então não tinha experiência com pontes, tampouco com pontes pênsis. Ele teve vários colaboradores, mas não deu créditos a nenhum deles. Uma ponte pênsil é um tipo de ponte que é segurada não apenas por pilares, mas por vários cabos de aço, afim de aumentar a resistência da ponte. 
A ponte começou a ser erguida em 1933. A obra era muito difícil para a época, já que a obra deveria aguentar os fortes ventos da região, que chegam a mais de 100 km\h e também os riscos de terremotos daquela região, famosa por registrar fortes tremores. A segurança dos trabalhadores era fundamental, já que trabalhar em cima do mar a uma altura de mais de 200 m não é nada fácil. A ponte que foi terminada em 1937 registrou vinte mortes, embora digam que o número de mortos durante a obra foi bem maior. A ponte teve um custo na época de pouco mais de 35 milhões de dólares, isso durante a grande recessão que passou os EUA. 
A Golden Gate possui um comprimento oficial de 2737 m, sendo pouco mais de 1,9 km serem acima da água. A distância entre os pilares da ponte é de 1280 m. No total, a ponte possui mais de 27 mil cabos , sendo que os dois cabos principais suportam o peso de todo o tabuleiro e dos milhares de cabos. A largura da ponte é de 27 m e seu tráfego por dia é de 100 mil carros, no limite da capacidade projetada. A ponte passou por manutenções ao longo dos anos, como a instalação de anemômetros para se registrar a velocidade dos ventos da região, afim de fechar a ponte por motivos de segurança por causa dos vendavais e de ter sua estrutura reformada para aguentar terremotos.
A Golden Gate, além de ser o maior cartão-postal de São Francisco e ser utilizada também por pedestres e ciclistas, tem uma fama infeliz de ser conhecida como a "Ponte dos suicidas", já que é o local dos EUA em que mais pessoas tiram a vida. Ao longo de sua existência, a ponte registrou mais de 1200 suicídios, mas não há estatísticas oficiais para tal número. Redes anti-suicídio foram também instaladas na ponte. Mas essa fama não impediu da Ponte se tornar uma das mais belas do mundo e uma maravilha da Engenharia.

Hidrelétrica de Itaipu


A Hidrelétrica de Itaipu já foi falada pelo Blog no ano passada, no post sobre obras da ditadura militar, acessível aqui. Como já falamos por aqui foi uma obra grandiosa, que envolveu dois países (Brasil e Paraguai), envolveu uma total mudança no curso do Rio Paraná, um dos maiores e com maior volume de água do mundo e formou um lago de mais de 1300 km².
A barragem da usina mede 196 m de altura e possui uma largura de mais de 7 km. A vazão máxima de Itaipu equivale a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu. Além disso, a grandiosidade da obra e suas dificuldades foram determinantes para ela ser escolhida para esta lista de maravilhas da engenharia.
A obra que começou em 1975 e terminada em 1982, envolveu mais de 40 mil pessoas e várias empresas, brasileiras e europeias. A usina conta com 20 unidades geradoras, sendo 10 na frequência paraguaia (50 Hz) e 10 na frequência brasileira (60 Hz). Apesar de ter 20 unidades geradoras, só 18 podem funcionar simultaneamente, devido a acordos entre o Brasil, Paraguai e a Argentina, que temia que a total abertura das comportas da usina destruísse Buenos Aires, a capital argentina. Mas como explicado na matéria de outubro do blog, isso é impossível por causa de uma barragem a 400 km dali, na Argentina, que aguentaria o excesso de água e também a calha do rio, que foi afundada para evitar alagamentos. 
Royalties são pagos pelos impactos ambientais da obra em 15 cidades do estado do Paraná e 1 do estado do Mato Grosso do Sul, sem contar as cidades paraguaias. Hoje em dias, além de ser uma das maiores hidrelétricas do mundo, atraia milhares de turistas todos os anos para conhecer detalhes da obra, tal como as outras obras aqui da lista. 

Afsluitdiijk

O nome pode parecer estranho, mas na língua holandesa significa dique de fecho. Esta obra fica na Holanda (ou Países Baixos, nome oficial) e consiste em um dique, que é uma obra que consiste proteger de alagamentos causados pela invasão da água do mar, rios ou lagos. O nome Países Baixo não veio à toa, já que a maior parte do territória neerlandês fica abaixo do nível do mar e frequentemente são alagados. O país sempre construiu muitos diques para proteger seu território. Mas Afsluitdiijk foi diferente, já que é o maior  de  todos. 
O desejo de se proteger dos alagamentos causados pelo aumento do nível do mar eram antigos e vinham desde o fim do século XIX. Porém, após o governo instituir o programa de Pôlderes, que são áreas de terras protegidas de alagamentos e após uma grande inundação em 1916, os desejos da obra aumentaram. Em 1918, o projeto para a construção do grande dique foi aprovado. Em 1920, um dique foi construído como primeira fase do projeto, tendo 2,5 km de comprimento, ligando a província da Holanda do Norte com a Ilha de Wieringen. Após o sucesso da obra, a obra para o Afsluitdiijk começaram em 1927. 
A obra foi executada com métodos muito simples de construção, sendo que a obra era extremamente complexa e deveria aguentar não só o nível da água do mar, mas os temporais da região. Na constiuição do dique, um material regional e abundante foi muito usado na estrutura do dique: a pedra Morena, uma rocha que se originou em região que sofreram glaciação durante a última Era Glacial. Essas rochas eram melhores e mais resistentes que a areia e a argila usadas na construção de outros diques. A obra foi feito por meio de barcos, onde a rocha morenítica era depositada em duas linhas paralelas ao longo do percurso da obra. Entre elas, a areia preenchia o espaço até que se sobressaísse o mar, mais areia e argila era adicionada para que o dique se elevasse. Por fim, na parte que ficava emersa, rochas de basalto com terra. A progressão da obra foi rápido, devido ao fato do nível da água ter subido rápido e das correntes marítimas terem sido mais fracas que o que era pensado no início. Mais material morenítico foi adicionado para a finalização da obra e grama foi plantada na parte emersa. Graças a isso, a obra foi concluída dois anos antes do que era previsto e o dique foi inaugurado em 1933. Graças a obra, muitos trabalhadores não sofreram com o desemprego causado pela Grande Depressão. Mais de 5000 trabalhadores participaram da obra. Na obra, foram empregados 23 milhões de m³ de areia e 13,5 milhões de m³ de moreno.
Afsluitdiijk possui ainda uma estrada que liga as províncias da Holanda do Norte com a Frísia, junto a ele uma ciclovia. O dique possui 32 km de comprimento, 90 m de largura e uma altura de 7,25 m acima da água. A obra complexa foi feita com métodos simples e tornou-se um orgulho nacional do povo holandês. Graças a ela, a Holanda se tornou referência mundial em Engenharia Marítima. Atualmente, o dique passou por uma reforma para poder eliminar mais água do Golfo Zuirdezee, contando agora com 3 eclusas para eliminar a água.  


Canal do Panamá


Se já foi difícil construir um dique que resistisse ao nível do mar, imagine construir um canal ligando dois oceanos totalmente diferentes e tendo a dificuldade da altitude? Isso aconteceu na América Central, no hoje Panamá. Porém, na época em que o canal começou a ser construído, o país Panamá não existia. Passou a existir após a construção do canal. Ou a retomada da construção do canal. É uma grande história para contar sobre a construção mais maravilhosa e incrível desta lista.
Há muito tempo, havia o desejo de encurtar as viagens entre os oceanos Pacífico e Atlântico. Antes do canal, os navios que quisessem mudar de oceano tinham que dar uma volta no extremo sul da América do Sul, o que era uma viagem longa, arriscada e custosa. Ao se olhar o mapa, viram que havia um istmo na América Central, no que hoje e o Panamá. Um istmo é uma estreita faixa de terra. Isso permitiu que América do Norte e América do Sul se tornassem o mesmo continente. 
Em 1878, o famoso empresário  francês e responsável pela construção do Canal da Suez Ferdinand de Lesseps, conseguiu permissão ao governo da Colômbia (o Panamá era parte da Colômbia) para a construção do canal. Feito isso, as obras começaram em 1880. Mas os engenheiros franceses começaram a ter problemas e Lesseps viu que o canal panamenho não tinha nada de parecido com sua experiência anterior, o canal de Suez. Enquanto o trajeto do canal de Suez era todo feito ao nível do mar, tinha um clima quente e seco e um solo arenoso, as condições para o Canal do Panamá eram opostas: um relevo com uma certa altitude (26  m), um clima quente e chuvoso e um solo argiloso. Sem contar que o desejo de Lesseps era do trajeto de 82 km do canal ser todo feito ao nível do mar, mas isso era impossível na época, pois seus engenheiros não conseguiram achar uma solução para driblar a altitude e de resolver o problema com o rio Chagres, que atravessa o traçado. O rio deveria ter sido drenado, mas não se sabia como iria ser feito. Mas o problema maior eram as doenças: a malária e a febre amarela fizeram vítimas nas obras e dizimaram muitos trabalhadores. Com problemas financeiros graças a demora das obras, a companhia de Lesseps veio a falência em 1889 e a obra foi abandonada. Entretanto, já era previsto pelos franceses a construção de comportas para driblar a altitude.
A obra ficou abandonada até o ano de 1903, quando os EUA, que estavam em crescimento na época após ganharem a guerra contra a Espanha, resolveram terminar a obra e afirmavam que poderiam torná-la possível. Os EUA assinaram um acordo com a Colômbia, mas o última acabou não o ratificando. Em resposta a isso, os EUA mandaram a sua marinha para a região e ajudaram os rebeldes panamenhos na independência da Colômbia no mesmo ano. A Colômbia, com medo da guerra contra os EUA nada fez. Assim surgiu o Panamá como conhecemos. Mas o novo país virou na prática um protetorado do EUA, uma vez que em sua constituição, permitia a intervenção dos EUA para qualquer desordem pública. Sem contar que por meio de um polêmico acordo, os EUA teriam total posse do Canal e de sua zona ao redor, separando o Panamá. Assim como Cuba, o Panamá teve mandos e desmando dos EUA. Enquanto Cuba expulsou os estadudinenses pela Revolução de 1959, o Panamá normalizou as relações após passar por turbulências, golpes de Estados e protestos populares. Atualmente, as relações do Panamá com os EUA e coma Colômbia se normalizaram e o país controla hoje o canal, após um novo acordo que transferiu o controle dos EUA para o Panamá após o ano de 1999.
Após esse breve resumo político que resume o que os EUA fazem até os dias atuais, voltemos a obra. Após obterem o controle da área por 10 milhões de dólares na época, os EUA começaram a reconstrução do canal. No começo, não teve moleza e  as doenças ainda dificultavam o trabalho. tanto que o primeiro engenheiro-chefe se demitiu. Quando o segundo engenheiro chefe assumiu, John Frank Stevens começou a construção das eclusas, que permitiriam os navios passarem pela altitude local. Além disso, as doenças passaram a serem controladas graças aos estudos do médico cubano Juan Carlos Finlay usados pelo médico da equipe, Walter Reed, que descobriu que a doença era transmitida por mosquitos. Após novas medidas sanitárias, a obra continuou e após a demissão de John Frank, o terceiro e último engenheiro chefe, o coronel George Washington Goethals finalizou a obra e ela foi finalmente inaugurada, em 1914.
O canal foi construído com grandes inovações para a época. A primeira foi a construção do Lago Artificial Gatún, um lago formado após uma barragem ter sido construída para segurar o rio Chagres. O lago é o ponto mais alto do percusso e para os navios subirem até lá, são usadas as eclusas, que são diques que se enchem ou se esvaziam de água e permitem a subida ou a descida do navio. No lado do Atlântico, há a primeira eclusa, a de Gatún, que é feita de aço e tem 21 metros de altura e pesa mais de 700 toneladas. Por meio de motores, a água é bombeada até encher toda a eclusa e permitir a subida do navio a 26 m de altitude. Para descer ao Pacífico, que é 25 cm mais alto que o Atlântico e possui marés mais altas, são usadas duas eclusas: a de Pedro Miguel e a de Miraflores. A eclusa de Pedro Miguel se esvazia, afim de fazer o navio descer a uma altitude de 16,5 m, no mesmo nível do Lago Miraflores. Por fim, o navio desce pela eclusa de Miraflores até chegar ao nível do oceano Pacífico. Embora funcione neste sentido, o contrário também ocorre, já que o canal opera nos dois sentidos. 
Atualmente o canal é controlado pelo Panamá e apresenta um fluxo de 14 mil navios passando por lá todos os anos. Os EUA e a China são os países que mais utilizam o canal, sendo o tempo médio de passagem pelo canal ser de 10 horas de viagem pelos seus 82 km. O canal passa por obras de modernização, que incluem a construção de uma terceira hidrovia, com novas eclusas e que permitirão a passagem de navios maiores. Tudo isso para beneficiar o povo panamenho, um dos países que mais crescem na região.

Para ver o funcionamento do Canal do Panamá: http://www.apolo11.com/curiosidades.php?posic=dat_20061006-095111.inc

sábado, 3 de janeiro de 2015

Pela estrada até a casa da Vovó

Olá amigos, esta será a primeira postagem do Engenheiro em 2015. E começarei falando de algo que quase nunca fiz na vida, mas finalmente consegui após ter sido um bom menino em 2014: viajar. E junto da família, fomos até a minha querida avozinha, que mora lá em Mato Grosso do Sul, em uma pequena localidade chamada Ivinhema.
Para chegarmos até lá, utilizamos o tipo de transporte mais usado no país: o rodoviário. Seja para cargas ou viagens, as rodovias são as mais usadas. Não importa a viagem, seja ela até o interior de SP ou até o Oiapoque, seja ela de carro, moto ou ônibus, utilizado por mim e pela minha família nesta viagem.
Vou dividir a viagem em duas partes e dar um parecer pelo que observei em dois estados distintos. Um é o que resido, o mais que rico São Paulo. O destino é para o emergente Mato Grosso do Sul, com crescimento a todo vapor e se desenvolvendo aos poucos, com um certo planejamento. Certo amigos, vamos pegar a estrada pelos mais de 800 km de enjoo por aí pela frente .

Terminal rodoviário da Barra Funda, onde nossa viagem começa

Por terras paulistas, ótimas rodovias
Depois da rodoviária da Barra Funda, por meio da Marginal Tietê, chegamos a primeira de muitas rodovias até Ivinhema. A primeira foi a Castelo Branco, que liga a capital ao interior, passando por importantes cidades até Santa Cruz do Rio Pardo.
A rodovia é estadual e como tal, possui algo que incomoda muitos motoristas: o pedágio. Foram umas seis praças de pedágio no sentido interior, de três empresas diferentes, como a ViaOeste que administra o primeiro trecho e que pertence ao  consórcio CCR, comandadas pelas grandes construtoras Andrade Gutiérrez e Camargo Côrrea, a Rodovia das Colinas e por fim, a SPVias. Se fosse de carro, gastaria pelos 315 km da rodovia algo em torno de 47,90 pelos pedágios. Caro, mas incrivelmente abaixo da média mundial, embora 100 km da Castelo Branco estejam acima da média mundial e custem R$ 15,21. Embora o custo seja alto, os processos de concessão de rodovias que começaram com o ex-governador e engenheiro Mário Covas, valeram a pena. 19 das 20 melhores rodovias do país ficam em São Paulo. Pistas duplicadas, asfalto em ótimas condições, bons serviços de atendimento e excelente sinalização são mantidos graças aos pedágios pagos as empresas. Um aspecto positivo do neoliberalismo brasileiro da década de 90, mas isso não significa que euzinho concorde com o raio privatizador de Paulo Batista. Mas isso é outra discussão para outro dia.

Rodovia Castelo Branco em Barueri

Apesar das mais que excelentes condições da Castelo Branco e ela estar longe dos trechos urbanos após sair da Região Metropolitana, o clima fica um tanto estranho por estar isolada. E o pior acontece. Calma, nenhum saque na rodovia. Mas o problema foi um grave engavetamento que enfrentamos na altura de Sorocaba. Mais de 10 carros bateram e interditaram a rodovia por 3 horas para que o destroços fossem recolhidos e a pista fosse liberada. Por incrível que pareça, as estatísticas não mentem: a maior parte dos acidentes em rodovias foram em trechos com ótimas condições. O acidente fez a menina do meu lado querer voltar pra casa. Foi feio, mas felizmente nenhum ferido. E a viagem segue, passando por plantações e anúncios de novos condomínios, longe dos grandes centros e com todo o conforto para a nova e velha classe média. O interior de SP cada vez mais próximo da capital e mais urbano também. Mas sem perder o ar puro.

Parada em Santa Cruz do Rio Pardo, em clima de natal

Após o fim da Castelo Branco, pegamos a SP-225 e fizemos uma parada as 4 da madrugada em um posto de parada em Ourinhos. E seguimos em frente pela também famosa Rodovia Raposo Tavares. Administrada pela mesma CCR e pela CART, a rodovia mantém o mesmo padrão da Castelo e a viagem segue tranquila. Mesmo dormindo algumas vezes, acordava para ver a região. E até Presidente Prudente, as cidades era pequenas e como passávamos longe das zonas urbanas destas, o que se via eram plantações de cana-de-açúcar, café e criações de gado. Na dita Terra Roxa, tudo nela plantado dava certo. A vermelhidão da terra era bem bonita de se ver. E a viagem segue com vários pedágios, que somados aos que se pagássemos na Castelo Branco, dariam 80 reais. Apesar do valor, 100 reais a menos que o valor que foi pago na passagem de ônibus. Ônibus este que foi trocado em Presidente Prudente, a grande cidade do Oeste Paulista.
Na estrada novamente, um longo caminho para se chegar a divisa com MS. A paisagem fica mais arcaica, com gado e plantações, mas aparecem algumas construções. E bem famosas, que são os presídios de Presidente Bernardes e o de Presidente Venceslau. São os presídios mais rígidos do país e abrigam os presos mais perigosos do Estado, entre eles, o líder do grupo de crime organizado PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcos Camacho, o Marcola. Esses municípios, embora muito pequenos, desenvolveram um certo comércio graças aos familiares dos presos. Mas a insegurança de um lugar aparentemente tranquilo a 600 Km da capital aumentou, por causa dos presídios. Imensos e da rodovia, não atrapalharam a viagem. E na cidade de Presidente Epitácio, com suas olarias antigas, vemos um rio imenso. Parecia o mar, mas era o Rio Paraná, um dos maiores rios do país. Não só pelo comprimento, mas pela largura na casa de quilômetros. Era a divisa do estado de SP com MS.
Estávamos perto.


Rodovia Raposo Tavares perto de Presidente Prudente

Chegando a MS
Para acessar o estado de MS, atravessamos uma ponte sobre o rio Paraná, denominada Hélio Serejo. É uma das maiores pontes do Brasil, com pouco mais de 2,5 km de comprimento e na época de sua inauguração, em 1964, era a maior ponte do Brasil, mas foi superada pelos mais de 13 Km de comprimento da Ponte Rio-Niterói. Apesar disso, a Hélio Serejo, feita de concreto protendido, um concreto feito para resistir bem a tração, está em ótimas condições graças a protensão, que garante uma longa vida útil e outras vantagens, tais como grandes vãos e pouco ou até nenhuma mudança.
Características técnicas à parte, passamos mais 10 Km próximos do rio, por causa do aterro no rio Paraná que liga a ponte ao Estado de MS.
Rio Paraná visto da Ponte Hélio Serejo


E chegamos ao Estado, pela cidade de Bataguassu. O trecho era da BR- 267, que liga a cidade de Leopoldina (MG) com a fronteira com o Paraguai. A rodovia atravessa a zona urbana da cidade como uma grande avenida principal, com várias lombadas e rotatórias. Após parar na rodoviária da cidade, bem pequena se comparada a da Barra Funda, em uma das rotatórias fomos para a MS-395. Essa rodovia estadual liga duas grandes cidades sul-matogrossenses: Três Lagoas mais ao norte até Nova Andradina, cidade que nós acessamos após passar pela pequena Anaurilândia, aonde a rodovia vira novamente uma avenida principal. A cidade não possui uma rodoviária, então o ônibus parou em um...bar. Isso, um pequeno bar com banheiro.
Já passando pela rodovia, já se notava as diferenças das rodovias estaduais de MS e SP. Em SP, o padrão FIFA das rodovias. Já em MS, as rodovias são controladas pelo Estado. As pistas não são duplicadas, sendo pistas simples e com muitos trechos sem acostamento. Apesar disso, o asfalto não tinha problemas. Duplicar seria difícil, principalmente pelas fazendas serem às margens da rodovias, com seus rebanhos bovinos, plantações de soja, café e cana. Mas investimentos recentes melhoraram a vida do motorista que passa na região. Mas as ultrapassagens são bem arriscadas e o próprio ônibus fez ultrapassagens proibidas, mesmo com o pouco movimento da rodovia. Apesar disso, arriscada com o risco de se envolver em graves acidentes com caminhões que fazem o transporte da região.
Pela MS-395 e MS-276, chegamos a grande cidade da região, que é Nova Andradina. Após passar por dentro da cidade, que cresce sem parar com comércios e indústrias, chegamos por suas avenidas centrais a BR-376, que liga a cidade de Dourados, grande cidade sul-matogrossense ao Paraná. Por meio dela, em pista simples e sem passar por dentro da cidade de Ivinhema, chegamos a rodoviária local. Sem a grandiosidade da Barra Funda, mas suficiente para proteger-nos e as malas da forte chuva que caia no dia. Mas não pensem que a viagem acabou.

MS-276

Minha avó não mora na zona urbana da cidade. E sim num distrito chamado Vila Cristina, longe por 20 Km do centro da cidade. Para chegarmos lá, meu tio e seu cunhado já nos esperavam em seus carros. Pegaram nós e as bagagens e nos levaram até a rodovia novamente e em mais uma rotatória, fomos ao sul pela MS-141. Não era muito diferente das rodovias passadas pelo Mato Grosso do Sul, com pista simples, mas tinha acostamento e várias curvas. E para chegarmos a Vila Cristina, peguemos a estrada mais comum do Brasil: a vicinal ou de terra. Quase 90% das estradas brasileiras são, infelizmente, assim. E com a forte chuva, o barro dificultava a viagem e o lamaçal dominava a vista. Quando não choveu, como na volta e na minha ida a cidade, era o pó que incomodava. Apesar disso, passamos sem muitos problemas e finalmente chegamos a casa da vovó, sãos e salvo.
Típica estrada vicinal, comuns no país

Foi uma aventura, nada épica, mas a paisagem muda junto com as construções. Os prédios paulistanos viram paisagens rurais que vão se tornando cada vez mais arcaicas. A Rodovia que passa entre morros e um relevo alto, desce e sobe sem parar após passar pelo interior e chega em Mato Grosso entre planícies e planaltos mais baixos do que São Paulo. As cidades diminuem de tamanho, porém é inegável dizer que elas sejam atrasadas. Ivinhema é um exemplo. A cidade não para de crescer e muitos condomínios estão sendo construídos aos novos moradores. Pelo programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal, mais um tanto de casas. Comércios surgem e a cidade também tem que asfaltar as ruas longe do centro. Segundo o que eu ouvi dos moradores, a cidade precisa mais que isso, precisa também de hospitais, escolas, creches e outras melhorias urbanas e de infraestrutura para comportar os migrantes que vem de diversas partes do país. Não só Ivinhema, mas outras cidades da região. Enquanto isso, a Vila Cristina continua rural. Com suas estradas vicinais, a pecuária e a agricultura, ela continua lá, um paraíso para minha avó e meus tios.
Mas a cidade continua crescer. Como na letra do Nação Zumbi: A cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce.


Casa da vovó, na zona rural de Ivinhema (MS)



Centro de Ivinhema (MS), conhecida como a "Terra Prometida", não para de crescer